Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
"Sou esquisita, eu sei: não gosto de futebol, de tatuagens, de coisas da moda, modismos, de boites, danceterias, vulgaridade, discussões e violência. Não gosto de corrida de automóveis, nem de política partidária. Não gosto de multidões, aglomerações, banalidade e religiões instituídas. Não gosto de nada, só de coisas boas, como a Natureza, os animais, gente boa, crianças, beleza, amor, literatura, poesia, pintura, desenho, cinema, música clássica e folclórica, Artes em geral. Sou esquisita." (entrevista com Alma Welt)
"Dostoiévski descreve um homem hipersensível no seu príncipe pobre, Michkin, o protagonista do seu romance O Idiota. Realmente, tal sensibilidade tornaria inviável um indivíduo em sociedade, e o personagem ao final, depois de verdadeira saga interior motivada pelas circunstâncias de seus novos conhecidos, acaba voltando para uma clínica de internação. O curioso, ao meu ver, é que Dostoiévski representa, com o príncipe, um homem que seria mais sensível que um artista, pois esse quando é sensível demais sempre pode apelar para a garrafa..." (Alma Welt)
"Hoje em dia fala-se da "elite" como se fosse um palavrão, algo pejorativo. Me parece uma tremenda inversão de valores. Elite queria dizer melhor, superior. Bah! Superior? Outra palavra caída em desgraça. Mas compreendo: estamos numa sociedade de massas, que obriga a nivelar por baixo..." ( entrevista com Alma Welt)
O que me faz atemporal como poeta é que tenho uma memória de cinco mil anos. Tenho todas as épocas da civilização humana bem nítidas na minha mente, como se nelas tivesse vivido. Minha frase predileta? * "Ó mãe Nut! Abre as tuas asas sobre mim como as imperecíveis estrelas!" (entrevista com Alma Welt)
Nota
* oração inscrita no grande sarcófago de ouro de TutAnkAmon
* oração inscrita no grande sarcófago de ouro de TutAnkAmon
"Nenhum poeta ou dramaturgo grego, que eu saiba, escreveu sobre a velhice ou a morte jovem de Helena de Tróia. Ela simplesmente desapareceu da História. Mas é fácil entender porquê: a verdadeira beleza é atemporal e simbólica. Vive num eterno presente e não pertence a ninguém, mas a todos." (Alma Welt)
"Reparem, não vemos nunca nenhum julgamento moral nas ações atribuídas a Deus. E a julgar pela Natureza, então, Deus é completamente amoral. Entretanto percebemos que a força dominante no Universo é a gravidade. É ela que nos desgasta, nos envelhece e nos derrete como velas de cera. Sim, Deus é a Gravidade, e por isso é insondável e incompreensível, a menos que, como Dante, no seu último verso da Comédia, a associarmos ao Amor "que move o Sol e a outras estrelas"... " (Alma Welt)
Os três mundos da alma (de Alma Welt)
"Nossa alma transita bem entre dois mundos, a vigília e o sono, ambos com seus insólitos sonhos. Por quê não poderia se infiltrar no mundo dos mortos para voltar com notícias dos amados? Alguns antigos testemunharam sobre isto, como Er*, o Armênio, que viu a alma de Orfeu escolher nova vida, não de um homem, mas de um cisne; e a de Odisseu, que astuto, escolheu reencarnar como um homem comum, sem mais aventuras..." (entrevista com Alma Welt).
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Nota
*Er - Alma está mencionando o episódio órfico do chamado Mito de Er, o panfílio (armênio), revelado por Platão no seu diálogo "República". Alma acreditava em reencarnação, não à maneira kardecista, mas dos antigos órficos gregos, em que as almas podiam escolher uma vida humana ou animal, para reencarnar. Orfeu, o poeta e cantor, escolheu a vida de um cisne porque tendo sido morto a pauladas pelas mulheres da Lídia, não quis nascer novamente do ventre de uma mulher. É por isso que o cisne, animal mudo, canta somente no momento de sua morte ("o canto do cisne"). É a alma de Orfeu se revelando..
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Nota
*Er - Alma está mencionando o episódio órfico do chamado Mito de Er, o panfílio (armênio), revelado por Platão no seu diálogo "República". Alma acreditava em reencarnação, não à maneira kardecista, mas dos antigos órficos gregos, em que as almas podiam escolher uma vida humana ou animal, para reencarnar. Orfeu, o poeta e cantor, escolheu a vida de um cisne porque tendo sido morto a pauladas pelas mulheres da Lídia, não quis nascer novamente do ventre de uma mulher. É por isso que o cisne, animal mudo, canta somente no momento de sua morte ("o canto do cisne"). É a alma de Orfeu se revelando..
"Todo mal do homem advém do desassossego. Por que não te aquietas, ó ser inconformado? O pão, o trabalho, a justiça, a aventura, o amor, a morte... tudo é pretexto para a tua agitação, a tua inquietude. Sonhas o Paraíso? Queres voltar ao lar? Não me enganas, queres voltar a sentar à direita no banquete do Senhor, queres sair do chão, voar com asas verdadeiras, deixar de rastejar. Por que não te aquietas e escuta? Não o teu coração, mas a tua alma!" (Alma Welt)
"O Poeta é visto até hoje como o Idiota Sagrado. O que quer dizer que é tratado com a condescendência com que tratamos as crianças precoces. Mas não faz mal: faz parte da função do Poeta fazer as pessoas se sentirem melhores e maiores, verdadeiramente superiores por alguns momentos. Afinal é para isso que a poesia serve..." (entrevista com Alma Welt)
segunda-feira, 15 de junho de 2015
"Nossa alma transita bem entre dois mundos, a vigília e o sono, ambos com seus insólitos sonhos. Por quê não poderia se infiltrar no mundo dos mortos para voltar com notícias dos amados? Alguns antigos testemunharam sobre isto, como Er*, o Armênio, que viu a alma de Orfeu escolher nova vida, não de um homem, mas de um cisne; e a de Odisseu, que astuto, escolheu reencarnar como um homem comum, sem mais aventuras..." (entrevista com Alma Welt).
"Todo mal do homem advém do desassossego. Por que não te aquietas, ó ser inconformado? O pão, o trabalho, a justiça, a aventura, o amor, a morte... tudo é pretexto para a tua agitação, a tua inquietude. Sonhas o Paraíso? Queres voltar ao lar? Não me enganas, queres voltar a sentar à direita no banquete do Senhor, queres sair do chão, voar com asas verdadeiras, deixar de rastejar. Por que não te aquietas e escuta? Não o teu coração, mas a tua alma!" (Alma Welt)
"Se estudarmos o ser humano pelos livros de História Universal, todos os dias durante a vida inteira, teremos uma chance de entendê-lo. Mas basta ler Os Irmãos Karamazov, e O Idiota, de Dostoiévski com a paixão que esses livros nos despertam, para entendermos tudo de estalo, e definitivamente." (Alma Welt)
terça-feira, 26 de maio de 2015
"O Poeta é visto até hoje como o Idiota Sagrado. O que quer dizer
que é tratado com a condescendência com que tratamos as crianças precoces. Mas
não faz mal: faz parte da função do Poeta fazer as pessoas se sentirem melhores
e maiores, verdadeiramente superiores por alguns momentos. Afinal é para isso
que a poesia serve..." (entrevista com Alma Welt)
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"Sempre sonhei com as estrelas, acordada nas noites, como se uma
delas fosse o meu verdadeiro lar. Penso que elas são tão pródigas e numerosas
que deve existir uma para cada um de nós. No futuro não precisaremos lutar por
espaço e nossa solidão irradiante estará garantida. Assim na Terra como no
Céu..." (entrevista com Alma Welt)
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"Definitivamente não estamos mais na Era dos Sonhos... Nem nossos
psicanalistas se interessam mais por eles. Mas continuamos sonhando, como os
cães latem e os pássaros voam. Isso deve significar alguma coisa. Talvez
devêssemos voltar um pouco..." (entrevista com Alma Welt)
segunda-feira, 25 de maio de 2015
"Se grandes gênios como Leonardo da Vinci, Boticelli, Miguelangelo, Rafael, Ticiano, Bernini, Caravaggio, Rembrandt e tantos outros eram homens devotos e acreditavam em Deus, nos anjos e nos santos, como nós, pequenos homens modernos nos permitimos duvidar? Que ridícula arrogância nos tomou?" (Alma Welt)
"Se grandes gênios como Leonardo da Vinci, Boticelli, Miguelangelo, Rafael, Ticiano, Bernini, Caravaggio, Rembrandt e tantos outros eram homens devotos e acreditavam em Deus, nos anjos e nos santos, como nós, pequenos homens modernos nos permitimos duvidar? Que ridícula arrogância nos tomou?" (Alma Welt)
quarta-feira, 15 de abril de 2015
"Grande parte da humanidade, através dos tempos, vendeu sua alma ao Dinheiro. Como não acreditar, então, que o dinheiro é, em si mesmo, o Diabo? "Ah!" - dizem sempre alguns - "mas o dinheiro em si é bom, o homem é que o corrompe, desviando-o de sua finalidade de produzir bem-estar coletivo." Não se iludam, o Diabo nos condicionou a ele, justamente com essa promessa. A natureza perversa do dinheiro está bem clara, e é, em si mesma, o nosso exílio do Paraíso..." (Alma Welt)
"Não fui senão uma solitária árvore de frutos. Meus dias na Terra foram belos e fecundos pelo meu dom das Letras e da Poesia, mas sobretudo pelo cenário privilegiado em que cresci. Meu Pampa belo e amado! Entretanto percebia, além, um povo conturbado e muitas vezes infeliz, a quem, na impotência da minha imobilidade inata eu nada podia dar, a não ser os meus belos poemas para quem chegasse tão perto que os pudesse colher..." (Alma Welt)
"Um artista nunca deve pedir a opinião de outra pessoa, muito menos de outro artista. Nunca fazer a pergunta: "É bom isso que faço?" JAMAIS. Um artista é aquele que tem absoluta confiança no seu taco, às raias da prepotência. Isso é o que distingue o verdadeiro artista. Eu nunca em toda a minha vida perguntei a ninguém se era bom o que eu fazia, nem quando era guria. Porque Artista é sinônimo de segurança absoluta. Senão, como poderia exibir e impor a sua arte?" (Alma Welt)
"O meu descobridor, o Guilherme de Faria, me chamou de Musa... Docemente constrangida meditei sobre o sentido pleno dessa palavra. Aceitei-a afinal, pois reconheço que vivi a vida numa permanente dimensão poética, o que, acredito, não me alienou das realidades da vida. Apenas evitei o sórdido e o mesquinho, que, pra mim, não fazem parte do real, mas dos defeitos da realidade." (entrevista com Alma Welt
sábado, 31 de janeiro de 2015
"É curioso... sem ser propriamente uma deprimida, desde o inicio tive a sensação de fazer um permanente e grande esforço para me manter viva. Não me refiro ao impulso natural de sobrevivência, ligado ao trabalho e à preservação física. Refiro-me à sobrevivência psíquica. Talvez isso se deva à minha demasiada consciência da Morte, que me assombrou desde criança com a sombra aterrorizante do Nada..." (entrevista com Alma Welt)
"O meu descobridor, o Guilherme de Faria, me chamou de Musa... Docemente constrangida meditei sobre o sentido pleno dessa palavra. Aceitei-a afinal, pois reconheço que vivi a vida numa permanente dimensão poética, o que, acredito, não me alienou das realidades da vida. Apenas evitei o sórdido e o mesquinho, que, pra mim, não fazem parte do real, mas dos defeitos da realidade." (entrevista com Alma Welt)
ARTA ABERTA AOS AMIGOS (de Guilherme de Faria)
Quando centenas de milhões de pessoas têm exatamente o mesmo sentimento e a mesma opinião sobre determinado assunto ou evento, me vem um irresistível impulso de ir a contrapelo, na direção oposta, com opinião discordante do coro dos contentes ou dos indignados. Desculpem-me se puderem (duvido) ... é que sou definitivamente antissocial em minha essência, marginal por temperamento e portanto uma pessoa perigosa, de poucos amigos. Por isso me dou bem neste facebook porque posso exercer minha sociabilidade virtual, já que a verdadeira, a do mundo real, me fez fracassar na vida apesar da admiração de muitos que me conhecem tão pouco. "Por quê?" pode alguém perguntar... Suponho que minha natureza de artista me pôs à parte do rebanho e explica minha admiração pelos lobos, minha identificação com eles sobretudo quando nas noites do Norte gelado uivam nostalgicamente para a Lua... Sim, sou abominavelmente solitário em minhas neves, e sobrevivi a mim mesmo porque, por sorte mas não por acaso, descobri a verdadeira natureza da minha Anima, e me tornei afortunadamente um duplo de estranha harmonia, já que tal fenômeno (o duplo) em geral contém um elemento grotesco, de conflito. Sim, a Alma Welt me proporcionou uma sobrevida e um agradável alívio da solidão, já que minha musa e minha deusa nasceu de mim mesmo. Sou um Pigmalião de mim, pagando somente o preço do impalpável, do intangível físico. Mas, o que é o corpo físico na verdade? Uma miragem... Há muito tempo abandonei toda a veleidade de comunhão e harmonia perfeita com a mulher real, esse enigma de carne tão cobiçado. Minha mulher está em mim, sem prejuízo do Animus que também me anima, gradativamente abrandado, rarefazendo-se lentamente... Por isso posso conviver pela primeira vez, mas já há vinte anos, com uma mulher de verdade, tolerando sua natureza tão diversa, já que da minha musa Alma Welt eliminei tudo o que na personalidade real feminina me aborrecia. Um monstro psicológico? Podem estar certos... mas como vêm, capaz desta terna confissão, cheia de cinismo e auto-complacência. Na verdade, não me perdoem... alertem, sim, seus filhos, se possível, para que não sigam esse lusco-fusco, os obscuros e luminosos caminhos solitários da Arte, e de sua terrível e bela alma nua... (Guilherme de Faria)
"Não precisamos nos preocupar com a suposta decadência e mediocridade do mundo. Basta lembrar que ninguém fora o irmão Theo e a cunhada considerava o Van Gogh sequer um pintor, para se ver que o mundo sempre foi assim. Se Van Gogh pertencesse à nossa época também não venderia nenhum quadro..." (Alma Welt)
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
"Depois da Sarça Ardente e de sua voz no Monte Sinai, Deus nunca mais apareceu para os homens. Alguns filósofos afirmam mesmo que Ele morreu. Mas creio que Deus preferiu uma postura mais contemplativa e búdica, como já o tivera muito antes, durante o incompreensível e demasiado longo Império dos Dinossauros..." (Alma Welt)
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
"Quando eu era guria o mundo ao meu redor me parecia tão belo que quando alguma coisa destoava, em geral pequenas injustiças perturbadoras, eu as via como vindas de fora do mundo, intrusas quase irreais. Perceber com o tempo que elas são inerentes ao mundo tornou-me poeta. Para combater as injustiças? Não! Para adaptar-me e sofrer menos." (entrevista com Alma Welt)
"A verdadeira vida é o que deveria ser, e não o que é. Assim pensa o idealista. Quanto ao Artista, a vida é fascinante tal qual é, até mesmo quando é um horror. Então o artista e o idealista não são o mesmo? Certamente que não. Nunca vi um bom artista que quisesse mudar o mundo de fato, já que o faz todo dia, ao seu bel prazer..." (Alma Welt)
"Pensando bem, é difícil compreender a existência e a trajetória dos ditadores. Como pode um homem arregimentar tantas pessoas a seu comando, e tantos asseclas na opressão da população de um país, no saque e frequentemente no genocídio? Que influência poderosa eles exercem sobre as massas! Quê estrutura maligna os ditadores montam! Como são difíceis de derrubar ! Quê força tem o Mal! " (Alma Welt)
terça-feira, 28 de outubro de 2014
"Leonardo Da Vinci teria dito ao seu discípulo, Giovanni Boltraffio: "Se queres ser um Artista, não deves sofrer senão pela tua Arte". O pobre rapaz, talentoso mas não vocacionado, atormentado entre as idéias de Savonarola e Da Vinci, incompatíveis, acabou se suicidando. O Mestre encontrou-o enforcado na trave do telhado do ateliê. Leonardo nunca mencionou isso em nenhum de seus códices, que, aliás, jamais foram íntimos ou pessoais. E se muito sofreu, jamais saberemos..." (Alma Welt)
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
"Fomos expulsos irremediavelmente do Éden? Não! O Paraiso Terrestre apenas se tornou oculto, encantado. O Jardim do Éden é a própria Natureza maravilhosa do nosso planeta (Gaia) e com a qual perdemos a harmonia pela nossa "auto-expulsão" primordial. Portanto, o Paraiso continua ao nosso alcance dependendo da nossa disposição positiva em relação ao ambiente natural..." (Alma Welt)
"Creio que não se faça verdadeira arte para agradar um público, nem sequer para movê-lo ou provocá-lo. O artista anseia se expressar, isto é, dividir com outros sua visão do mundo para escapar ao horror de sua solidão inominável. E se lograr divertir ou comover, essa expressão foi conseguida..." (Alma Welt)
sábado, 19 de julho de 2014
sábado, 12 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
sábado, 5 de julho de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
"A fidelidade de uma vida inteira aos propósitos de sua infância caracterizam o artista. Não há persistência maior, podemos chamar de obsessão. Se fores um pintor estarás talvez perseguindo aquele quadrinho que não conseguiste terminar quando soou a campainha. Ou que lhe foi arrancado das mãos..." (Alma Welt)
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