Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
"Os alcoólatras possuem três características de personalidade comuns a todos: são mais sensíveis do que a média, mais inteligentes e... extremamente imaturos. São, portanto, defasados emocionalmente. Isso produz uma espécie de tripé manco, que desequilibra o conjunto. Infantis, no que concerne à parte afetiva, estancaram seu crescimento emocional a partir do primeiro gole que tomaram na vida, em geral na adolescência. Tive um cunhado muito querido, que morreu cedo, alcoólatra que tinha estas três características de modo tão patente, que convivendo com ele e observando-o me permiti fazer essa generalização..." (entrevista com Alma Welt)
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
"A Literatura me permitiu viver em todas as épocas da História, século por século. As pessoas que crêm na "verdade da Imaginação" e supremacia do mundo do espírito sobre o da matéria, sabem do que estou falando. Entretanto, contraditoriamente, tenho imenso apego à materia, pois não tenho certeza de que o espírito sobreviva sem ela. Essa dúvida é a causa da minha angústia, e nisso também não estou sozinha: grande parte da humanidade vive essa crise da fé, e mesmo secretamente, muitos "crentes" fervorosos. Somente a ameaça do Nada apavora o Homem, o imenso ego do Homem..." ( Alma Welt)
"A violência é a última fronteira do homem com o animal selvagem que há nele. No amplo território do humano, ela ainda está do lado de cá da cerca, infelizmente. Daí a imensa dificuldade de extirpá-la da nossa sociedade. Não esqueçamos que entre policiais, militares e até em algumas modalidades de esportes ela é estimulada. Os filmes também a louvam abertamente. Por isso mesmo não haverá solução, por mais que os mansos como nós se horrorizem..." (Alma Welt)
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
" O yogue Ramacháraca dizia que havia três categorias do humano em relação ao trabalho. A mais baixa é a dos que trabalham por amor ao dinheiro. Nessa categoria está esmagadora maioria da humanidade. Acima dela está a dos que trabalham por amor ao trabalho. Nessa categoria se inserem também os artistas, que trabalham por amor à Arte... Mas acima de todas, elite espiritual da humanidade, está uma minoria anônima e quase sempre silenciosa: aqueles que trabalham por amor ao próximo... " (Alma Welt)
"De tempos em tempos, não muito espaçados, quadrilhas de bandidos tomam posse dos governos de diversos países, em geral com a conivência da maioria do povo... Isso levaria a questionar se a maior parte da população se constitui de gente alienada ou francamente má... Tenho sérias dúvidas quanto ao caráter das maiorias. O Nazi-facismo, por exemplo, deixou patente essa sombria questão... " (Alma Welt)
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
"Se Paraíso houvesse, deveria ser de acordo com nossa sensibilidade, gostos e preferências... ou não teria sentido. Eu, por exemplo, só apreciaria uma vida post-mortem que fosse uma espécie de peregrinação às Ilhas Bem-Aventuradas, para encontrar-me com os deuses, heróis e semideuses da antigüidade clássica. Também com os artistas da Renascença Italiana..." (Alma Welt)
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
"Quando criança, eu eu já sonhava ser escritora, e esse sonho se misturava à idéia de aventuras, como se só as pudéssemos escrever enquanto estivéssemos vivendo-as. Ao crescer percebi que meu pensamento infantil tinha sentido: só podemos escrever vivendo internamente o que escrevemos, pois toda vivência autêntica é um processo mental..." (Alma Welt)
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
"Somente a Poesia capta a essência do momento, como o melhor fotógrafo de instantâneos. Sem ela a verdadeira vida da humanidade não teria sido registrada. Isso desde os primórdios, da saga do primeiro homem e mulher, segunda grande metáfora poética, pois a primeira é a das "trevas sobre a face do abismo" e "o Espírito de Deus pairava sobre as águas... " (Alma Welt)
"O medo é o sinalizador da consciência de morte que compartilhamos com todos os outros animais. É também uma prova de que a morte é algo ameaçador que vem de fora da vida, uma espécie de aberração monstruosa. Não me venham com consolações ingenuamente otimistas, estou convencida de que a morte é uma falha da Natureza que sempre sonhamos concertar, vencer, superar. Talvez o consigamos num futuro remoto, pois a vocação secreta do ser humano é a imortalidade, aspirantes que somos dos deuses, desde a mais remota antigüidade..." (Alma Welt)
domingo, 2 de outubro de 2011
"Os melhores anos da nossa vida não são necessariamente os da infância, quando éramos desprotegidos de nós mesmos pela nossa ingenuidade fundamental. Entretanto, são anos sagrados porque éramos autênticos em nossa duvidosa inocência e pequenas maldades, como jamais seríamos depois. E teremos sempre que recorrer a ela, a sagrada Infância, para nos reavaliarmos, nos entendermos, absolvermo-nos... " (Alma Welt)
"Concordo que os corruptos devam ser punidos de alguma forma, assim como os maus de qualquer espécie. Entretanto acredito mais na "justiça do Tempo" e na "Lei de Causa e Efeito" das teorias reencarnatórias. Eu mesma não atiraria uma pedrinha sequer no pior deles. Deus me livre de querer ser a "palmatória do mundo". Deixo isso para os indignados e furibundos..." (Alma Welt)
"Podemos utilizar um filtro interno contra as realidades sórdidas do mundo. Isso não representa necessariamente uma alienação, ou "panglosismo". Podemos chamar de "higiene mental" (termo de nossas avós). O importante é não nos deixarmos poluir por tanta sujeira que, essa sim, distorce a realidade. Eu me refiro ao diário noticiário policial, ao econômico-financeiro e até o político. Garanto a vocês que eles não fazem falta para o entendimento do mundo... Já basta a espada de Damocles que pende por um fio sobre as nossas cabeças: a realidade espantosa da morte." ( Alma Welt)
"O poeta verdadeiro não é o que compõe com rigor, escolhendo penosamente as palavras com a maior precisão, labutando o poema como uma construção geométrica de equilíbrio ideal, como quem lapida um diamante. Mas sim aquele que como um pássaro, abre o bico e canta porque não pode deixar de fazê-lo, ou morreria..." (Alma Welt)
"O soneto é um desafio para o poeta moderno, não porque seja especialmente difícil compô-lo com graça e beleza, mas porque sendo um gênero antigo, de poesia metrificada, rimada, e com regras, encontra uma barreira inicial de preconceito por parte de um público maior que imagina que a juventude não moraria ali, ou que é um equivalente em poesia, do canto lírico, da música erudita, do balé clássico...... Quanta honra nos faz quem pensa assim, pois quem ama essas artes é o nosso alvo preferido, nossos leitores eleitos... e os há, felizmente, em abundância ainda hoje. Então, onde está o desafio?- me perguntariam. Justamente em conquistar como aquelas artes, novos e jovens adeptos..." (entrevista com Alma Welt)
"Os gregos antigos eram tão geniais, que criaram o Mito que ainda pode explicar a dicotomia fundamental da natureza humana que oscila entre o bem e o mal, entre a pulsão vital e amorosa e o instinto de destruição, e mesmo o de auto-destruição. Trata-se do duplo Mito de Eros e Thanatos, o instinto amoroso e sexual de Vida, e o impulso de Morte, ou da atração fatal. No nosso séculos XX e XXI, o impulso de morte está relacionado, além das guerras, com a criminalidade, as drogas e o terrorismo. A pobreza não é suficiente para explicar essa pulsão." (Alma Welt)
"Os gregos antigos foram um povo extraordinário, de um vitalismo a toda prova. No entanto, a rigor, em seus tempos chamados "heróicos" foi um povo tribal de guerreiros, ladrões, piratas e predadores de uma ferocidade espantosa. Basta lembrar-nos da Guerra de Tróia, onde foram nitidamente os vilões. Mas em pleno classicismo ainda vemos um Sócrates obrigado a tomar cicuta por suas idéias... um pouco ...mais tarde, Alexandre criando um império a ferro e fogo e muito álcool. Isso me faz lembrar que ainda estamos no mesmo ciclo civilizatório deles, embora passando pela imitação romana. A chamada Era tecnológica, ou das Comunicações não nos fez sair estruturalmente desse ciclo. Ainda pensamos como gregos e romanos." (Alma Welt)
"O longo passado do homem pré-histórico, de muitos milhares de anos como caçador, condicionou a humanidade ao consumo da carne e conseqüentemente à predação e violência. Ainda somos seres primitivos e o seremos enquanto não abandonarmos a carnificina em todas as suas conotações. Entretanto uma nova consciência vem nascendo a esse respeito e podemos vislumbrar para daqui a apenas um milênio e meio o abandono da dieta carnívora e a libertação dos rebanhos e das aves. Queira ou não a vocação do homem é a sua evolução espiritual." (Alma Welt)
domingo, 25 de setembro de 2011
Quando guria, minha paixão por meu pai e a diferença de universos que tanto eu como ele tínhamos de minha mãe, me fizeram supor e até a acalentar a idéia de que ele mantinha um amor secreto, digamos: uma amante mesmo. Mas então, uma noite, eu, espionando, entrevi pela fresta da porta a paixão com que se abraçaram e beijaram na penumbra do quarto. Até hoje ausculto meu coração para tentar identificar o timbre ou o caráter da emoção que senti. A ambigüidade dos meus próprios sentimentos me fizeram perceber a complexidade humana, e a abandonar o pensamento dicotômico..." (Alma Welt)
O peão ainda jovem, feioso simpático, exuberante, apresentou-se ao meu pai no escritório e pediu-lhe um adiantamento para comprar umas bombachas bordadas e um par de botas novas que ele mostrou numa foto de revista. Meu pai perguntou-lhe para quê aquele capricho todo no dia a dia, e o peão abrindo os braços num gesto largo disse: "Patrão soy um gaucho buenacho, afeito à lida e avesso de peleia. Gosto do truco, vá lá, mas levo dinheiro pra casa. Mas com teu perdão, patrão, olhe pra mim, vê esta cara de bezerro mamão e esta barba rala de barbicacho... Quero ao menos estar assim ataviado, bonito, para aquela deusa que é a minha mulher!" Meu pai sorriu e deu-lhe o dinheiro. (Alma Welt)
"O homem moderno subestima o seu inconsciente, na medida que desvalorisa ou malbarata o valor dos sonhos, com se fossem fantasias incongruentes ou infantis logo esquecidas ao despertar nas manhãs para ir trabalhar e tratar de "coisas sérias". Esse homem se surpreende quando um psicanalista o incentiva a trazer seu sonhos para serem analisados. Mas mesmo esse tipo de psicanalista está rareando, e o homem moderno tende a recalcar no inconsciente as chaves de sua libertação." (Alma Welt)
"Acredito sinceramente que um indivíduo que não conheça Mitologia Grega, mesmo nos dias de hoje, vive como cego num mar de signos. O homem que não conhece os Mitos mal pode se aperceber do significado oculto das relações humanas, das coisas, dos eventos e das celebrações. É verdade que Jung afirma todos nós sermos guiados pelos mitos no nosso "inconsciente coletivo". Mas falo de um "consciente profundo", sem o qual vivemos como sonâmbulos ou tateando como cegos num mar de aparente inconsistência." (Alma Welt)
"Todo verdadeiro artista está metido numa espécie de missão, como os médicos de vocação, as enfermeiras, os professores e os sacerdotes. Mas isso só é verdadeiro quando o dinheiro é claramente secundário. Quem estiver interessado em dinheiro é melhor ir vender hamburguer. Ou melhor: vá especular na bolsa." (Alma Welt)
Anos após a morte de Gauguin, foi encontrada uma carta de um padre que tinha sido pároco na colônia francesa do Tahiti. A carta, dirigida ao seu bispo, dizia: 'Hoje visitei um conterrâneo nosso, Monsier Paul Gauguin, um pintor que vivia afastado de nossa comunidade por rebeldia e desavenças e que morava solitário num cabana cercado de seus quadros. Encontrei esse homem em grande miséria, doente e abandonado até pela vahine com quem vivera. Entretanto admirei-me de ver esse homem, tão pobre e desamparado, falar o tempo todo com grande entusiasmo de sua arte." (Alma Welt)
"Tudo o que um artista quer é ver consumida a sua arte pelo público. O poderoso instinto de se comunicar, que existe em todas as pessoas desde o primeiro vagido, no artista atinge paroxismos. Se o Criador o fizesse escolher: "Dinheiro, bem estar e felicidade, ou miséria com reconhecimento artístico póstumo?"... Esta última seria a opção do verdadeiro artista." (Alma Welt)
"Não tem jeito... o significado da vida é impenetrável, não nos foi dado saber. Então cabe a cada um de nós inventá-lo, forjarmos esse significado ou escolhê-lo, construindo nosso mundo pessoal ou participando de coração daquele convencionado pela nossa sociedade. Como artista prefiro criá-lo, embora não desvinculado, mas sim relacionado com a grande criação coletiva da civilização, por mais absurda que mais e mais ela me pareça em sua visível degenerecência..." (Alma Welt)
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
"A meu ver, a pior doença de todas é a neurose. Os neuróticos são infelizes que atormentam os outros pelo seu terrível egoísmo ou egocentrismo. São incapazes de amar e críticos ferozes de tudo e de todos. Sobretudo falta-lhes doçura... As mães dos assassinos e ladrões os visitam nas cadeias, mas as dos neuróticos os abandonam no final, como a um cão raivoso. Deus se apiede deles, porque todos se afastarão mais cedo ou mais tarde..." (Alma Welt)
Havia aqui na estância um jovem peão retardado, que era motivo de chacotas e brincadeiras dos outros, não fazia nada mas era bem quisto por todos nós e principalmente por meu pai. Quando um estancieiro vizinho perguntou ao velho porquê o mantinha, já que ele não trabalhava ou se dispersava logo quanto lhe designavam uma função, meu pai respondeu: " "Esse rapaz é nosso mascote. Um bobo da corte, se você quiser. Mas como tal é um elemento chave no equilíbrio da estância. Os peões se sentem valorizados com a presença dele, e não o contrário." (Alma Welt)
" A boa arte já traz embutida em si a sua autocrítica, uma vez que cada pincelada, cada gesto ou palavra é uma escolha. É por isso que os melhores artistas não acolhem bem as críticas de fora, a menos que sejam aprovativas, elogiosas. À verdadeira arte também não cabe ser analizada, pois na relação como outro ela não é da natureza do "analizando" mas sim do analista. É ela, a Obra de Arte, que critica e analisa o Mundo. Os aplausos... sim são benvindos!" (Alma Welt)
"O pior que pode acontecer a um poeta, a meu ver, não é a miséria financeira ou uma perda afetiva que lhe traga infelicidade... mas o sentimento de culpa social que o leve a levantar bandeiras de pensamento bem comportado, ou o pior: a adesões político-partidárias.... A boa poesia não deve ser fiel senão a si mesma, à sua implacável e cruel lucidez e beleza..." (Alma Welt)
Brindemos à amizade e ao amor! Sem estas duas dádivas a própria Vida seria impensável. Que os solitários, abandonem sua teimosia e venham à nós, entrem nesta grande farândola, todos de mãos dadas, pelos jardins do coração, de nossa alegria sempre reencontrada. Levantemos os olhos, o Sol vem nascendo, a aurora de um novo mundo está acontecendo! Confiemos!" (Alma Welt
"A alegoria mais precisa e pertinente da História Humana, a meu ver continua sendo a do Gênesis, a de nossa expulsão do Paraíso Terrestre. Nossa Razão roubada nos jogou contra a Natureza, que procuramos desde então domar ou destruir como rebeldia inconsciente contra a punição que ela representa e que nos coube. Mas agora é tempo da reconciliação que a própria Razão nos aconselha, agora que livres do ressentimento podemos ouvir a sua verdadeira voz..." (Alma Welt)
"Quando guria ouvi muitas vezes meu pai discutindo com minha mãe por minha causa. Fui sempre motivo de preocupação e até de indignação para ela, a Açoriana, que não podia aceitar o que eu era, uma artista, coisa assustadora para uma mulher de formação essencialmente burguesa. Mas ela faleceu quando eu tinha dezesseis, e hoje em dia, tantos anos depois, eu reconheço a falta que ela me fez desde sempre, e o amor que não nos permitimos, mas que em forma de carência mútua, havia..." (Alma Welt)
domingo, 18 de setembro de 2011
"Sou produto de uma experiência. Meu pai me criou como uma pequena pagã, começando por impedir o meu batismo católico por minha mãe, para justamente evitar minha contaminação pelo conceito de pecado original, que lhe causava aversão. Entretanto, na adolescência, por influência de outros que me cercavam, tive um período de religiosidade cristã, não sem conflito e sofrimento. Creio agora que era isso mesmo que ele queria: que eu vivenciasse os estágios da religiosidade humana... " (Alma Welt)
"Desconfio que fui uma das últimas "prendas" por quem dois rapazes gaúchos duelaram à faca. Na ocasião aquilo me horrorizou, tanto mais que um deles era meu irmão, Rodo. Já contei isso numa crônica. Hoje em dia, confesso, sinto que no fundo isso me orgulha, pois vai ao encontro de obscuros instintos femininos que aprendi a assumir, pelo menos poeticamente..." (entrevista com Alma Welt)
"Uma vez, quando eu era adolescente, o filho de um estancieiro vizinho me roubou um beijo. Dei-lhe um tapa no rosto e virei-lhe as costas. Talvez para ficar com a última palavra ele aproveitou e deu-me um tapa no traseiro. Aquilo me humilhou e perturbou por vários dias. Mas foram precisos muitos anos para, de repente, eu me lembrar daquilo... e rir, rir muito, até com enternecimento, por mim mesma, por nós..." (entrevista com Alma Welt)
"Se "a vida imita a arte", então, se leres bem os clássicos conhecerás melhor a vida que a maioria das pessoas que não os lêm. Não me me venham dizer que pouco vivi ou pouco vi do mundo, porque quase não saí de uma estância e de uma biblioteca. Viajei todos os continentes e vivi todas as aventuras, emoções, segredos e paixões... nos amados livros dos grandes..." (entrevista com Alma Welt)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
"Apesar de tão abundante e prolífera no nosso planeta, ou por isso mesmo, a vida permanece um mistério tão grande quanto o nascimento e morte das estrelas. Começo a desconfiar seriamente que Deus existe mesmo, embora sob certo ângulo de visão tudo me pareça absurdo, visto o que se tornou a vida do homem moderno: uma grande tolice consumista... " (Alma Welt)
"Se examinarmos não com preconceito mas com afastamento crítico, os usos, costumes e tradições de nossa própria cultura, percebemos que a humanidade é insana, simplesmente louca, excêntrica, perdida, mas sobretudo cruel. Mas quando experimentamos essa visão, já não podemos mais nos identificar e participar normalmente de nossa comunidade. Em compensação podemos nos tornar artistas, pintores, escritores, poetas..." (Alma Welt)
"O rumor surdo de minhas unhas e cabelos crescendo acorda-me sobressaltada durante a noite... Minha doutora Jensen, discípula de Otto Rank, não acredita em neurose de artista, e arriscou uma obscura tese sobre os "reclamos da Natureza". Mas lembrando da canção do "figo da figueira", do conto de fadas, estou mais inclinada a crer no sinistro chamado da Morte... e por isso acordo assustada." (entrevista com Alma Welt)
"Desde guria bem pequena convivo com os espectros dos grandes farroupilhas que assombram este casarão pampiano, cheio de memórias. Anita e Giuseppe aqui pousaram, jantaram, e mesmo se amaram de passagem. Bento Gonçalvez aqui foi recebido com as sete mulheres de sua casa. Nos quartos, de noite, elas sussurram, gemem e também riem seus risos cristalinos. Vocês, médicos e homens da Razão, não poderão convencer-me de minha suposta loucura. Anita fala comigo, e me ama..." ( entrevista com Alma Welt)
"O mundo será salvo, sim, no final. Mas não por organizações humanitárias ou políticas, por mais bem intencionadas que sejam. Acredito piamente que quando tudo entrar em colapso, será a Arte e os artistas que salvarão a civilização. No que me baseio para dizer isso? Reparem na Literatura e nos Museus, como a grande arte sobrevive, como eterniza o melhor da humanidade, o grande talento coletivo do Homem..." (Alma Welt)
"Dostoiévski, descreveu a idolatria patética do dinheiro de maneira paroxística e caricatural no romance O Idiota, na famosa cena do pacote de rublos atirado à lareira por Nastacia Pavlovna, diante de uma platéia de desesperados rastejantes que ganindo como cães em aflição buscavam retirar com as mãos nuas o pacote do meio das chamas, enquanto ela os afastava a pancadas com o atiçador. Essa alegoria está mais atual que nunca." (Alma Welt)
"Quando ainda criança, ao ouvir e ver meu pai declamando um poema de Goethe para mim, eu soube imediatamente que era aquilo que eu queria fazer: falar aos outros as coisas que nos fazem sonhar acordados, ver o que não vimos no que vemos, chorar o que não choramos a tempo, assim como os risos perdidos..." (entrevista com Alma Welt)
"Não entendo como pessoas que se dizem do bem, e cidadãos normais podem ser aficionados de touradas e rodeios, eventos onde se torturam bárbara e covardemente os pobres animais. Isso só pode ser devido a um entorpecimento das consciências pela mediocridade dos modismos e mesmo dos costumes e tradições desprovidas de crítica e de verdadeiro humanismo..."
(Alma Welt)
(Alma Welt)
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
"Meu pai, quando eu era guria, a propósito de algo que acontecera, me disse um dia que não era um escritor mas que se o fosse, a obra de sua vida teria o seguinte título: "História Universal da Estupidez Humana". E que "seria uma coletânea em trinta grossos volumes". Entretanto meu pai não era amargo, e aquilo foi dito de maneira bem humorada. Perceber isso me salvou para o humanismo... conseqüentemente para a Poesia." (Alma Welt)
"Miséria gera miséria, ignorância gera ignorância, salvo honrosas excessões, verdadeiros milagres.Talvez por isso as últimas palavras de Van Gogh tenham sido : "La misère n'a pas fin". Não acredito que ele estivesse se referindo à sua própria pobreza material. Ele era grande demais para lamentar isso, ainda mais in extremis. Creio que era a humanidade, e sua incompreensão por ignorância, que o preocuparam até o fim." (Alma Welt)
"Ultimamente me comovo até às lágrimas diante da beleza ou de obras de arte com que me deparo todos os dias: músicas, danças, poemas, pinturas, festas do povo, flores, árvores, poentes, tudo... Pessoas muito belas e puras também me fazem chorar. A dor delas, então... Fragilizei-me, tornei-me uma chorona. Isto vai acabar mal..." (entrevista com Alma Welt)
"Meu pai nos criou através da pedagogia Waldorf, antroposófica, e portanto não havia televisão em nossa casa, lá na estância. Nunca houve. Quando cheguei em São Paulo, uma amiga fez questão de me emprestar uma. Eu estranhei muito o mundo. Cheguei a pensar que eu nunca tinha vivido nele, mas num outro. E o mundo que eu via na televisão era horrível, vazio e sem sentido. Certamente a Poesia não estava nele..." (entrevista com Alma Welt)
"De um jeito ou de outro, a verdade é que as mulheres governam o mundo desde sempre. É ilusão pensar que a sociedade, os poderes, os governos e as finanças são essencialmente masculinos. A grande eminência parda, mas luminosa, da mulher, move os cordões do coração e da mente dos homens, como primeira, constante e última motivação na vida..." (Alma Welt)
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
"Ninguém mais lembra disso, mas eu ainda me preocupo em descobrir o que o Papa Leão I disse ao Átila, que fez este desistir de invadir Roma. Para mim é um dos mistérios mais instigantes da História. Acredito mesmo que se eu descobrir isso descobrirei tudo o mais... quero dizer, o Segredo da vida. Mas um amigo, talvez sábio, me disse: "Alma, sua tola, isso já se sabe. Trata-se da Fé!" (Alma Welt)
"Quando guria eu descobri na biblioteca de meu pai o grande tomo da Divina Comédia de Dante com aquelas terrificantes ilustrações do Doré. Impressionada, eu perguntei ao Vati se o Inferno existia mesmo. Meu pai sorriu e disse: Bah! Não te preocupes, doçura. Isso que viste são as imagens do mundo dos maus. O inferno é a vida daqueles que têm o mal no coração". Mas foi o seu tom de despreocupação que afugentou da minha mente aquelas imagens. E fui com ele de mãos dadas ver as flores do jardim..." (Alma Welt)
"A vida é um encadeamento de circunstâncias fortuitas e mais nossos impulsos, pensamentos, emoções e reações a elas, um conjunto infinito de variáveis que não permitiriam duas vidas iguais na História inteira da Humanidade. Porquê então existe o chamado homem massa, o ser massificado? Creio que é porque a diferença produz o sentimento doloroso da solidão. O homem criou o amálgama das leis, dos costumes e das modas para se tornar um imenso bloco e fazer face ao terror de Deus." (Alma Welt)
"Os momentos de maior felicidade e aconchego de que me lembro de guria são as imagens e sensações de, meu irmão e eu, brincando de "cabaninha", nos embolando sob a manta do meu leito, principalmente nas noites de chuva e trovões, no escuro e com uma lanterna de pilha. Insuperável! Infelizmente isso acabava sempre com a intervenção da Mutti ou a Matilde sempre com um ar severo, como se houvesse algo errado. Custei a perceber o caráter sexual que elas viam naquilo..." (entrevista com Alma Welt)
"Uma vez Leonardo Da Vinci disse ao seu discípulo, Giovanni Boltraffio, rapaz atormentado que se dilacerava entre a Arte e a religião: " Se queres ser um grande artista não deves sofrer senão pela tua arte." Mas o jovem artista, influenciado pelo monge fanático Savonarola, não podendo aceitar seu mestre pintor fazendo dissecações de cadáveres e estudando os fenômenos da Natureza, acabou se enforcando no sótão do ateliê. Jamais saberemos o quanto Leonardo sofreu com isso..." (Alma Welt)
"Um artista nunca deve perguntar a outros o que eles acham da sua arte. O artista deve mostrar o seu trabalho com absoluta confiança no seu taco. O artista sobe no palco e dá o show, jamais pergunta: "Vocês acham que é bom o que eu faço?" Se houver aplauso, ótimo. Se não houver, considere-se incompreendido por ignorância do público... mas nunca se sinta inseguro. ARTE É SEGURANÇA." (Alma Welt)
"Quando eu era ainda uma guria de dez anos meu pai um dia me disse ao ouvido abraçando-me carinhosamente: "Alma, minha filha, lembre-se um dia do que vou lhe dizer agora, não deixe nunca que um homem lhe diga o que fazer. Nunca aceite ordens de homem nenhum, marido, companheiro ou namorado..." Eu então fiz minha primeira e precoce ironia: "Sim, Vati, eu te obedeço... " Ele sorriu e balançou o dedo em riste. Creio que gostou da minha resposta..." (Alma Welt)
"A vida de qualquer pessoa daria um filme, isto é, pode ser romanceada. Tudo vai do escritor, do roteirista, do diretor e também do ator, é claro. Para a Arte não há ninguém suficiente medíocre que não mereça ser assunto, ser transformado num conto, numa estória que seguiremos fascinados. Acho que o ser humano é mesmo muito interessante..." (Alma Welt)
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
"Confesso que me dá imenso prazer observar minha beleza nua ou vestida no espelho... Então me ocorreu que Narciso na verdade era uma mulher, pobrezinho... era talvez a própria ninfa Eco, que de tanto olhar-se no espelho das águas, virou não uma flor mas uma pedra, cheia dos ecos de si mesma..." (Alma Welt)
terça-feira, 30 de agosto de 2011
"Quando guria, na cama, de noite, ouvir trovões ao longe sempre me pareceu reconfortante, como uma certeza de que a Natureza estivesse cuidando de nós. Do ponto de vista científico descobri que isso é uma verdade, pois a vida no nosso planeta depende dos raios e suas reações químico-físicas na atmosfera e no solo. Mas, na verdade descobri mais tarde que essa sensação que eu tinha em criança derivava da certeza da existência dos deuses que havia no meu inconsciente primal, aquilo que Jung denominou de "inconsciente coletivo". (Alma Welt)
"Estamos em grande perigo na Arte quando perseguimos a perfeição. Buscá-la pode se tornar uma obsessão desagregadora, uma neurose que desembocará numa ruptura. Sim, em sintomas esquizofrênicos. Somente o humor ameniza o caminho do artista e o torna fecundo. A tragédia espera os artistas que ao buscarem a perfeição perderam a perspectiva do humor..." (Alma Welt)
"O caminho verdadeiro da mulher é o caminho da Anima. Com isso quero dizer que, emancipadas, nem por isso devemos abdicar das prerrogativas "divinas" da feminilidade, portadoras que somos do maravilhoso poder da beleza e da graça. A mulher em sua plenitude poderá corrigir o rumo da sociedade desde que não o queira fazer com o timbre equivocado do poder e força masculinos..." (Alma Welt)
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"Quando criança e adolescente eu pensava, desolada, ter nascido tardiamente, pois eu só amava e respeitava o mundo do século dezenove para trás. Nosso século XX me parecia prosaico, tinha perdido a poesia e sobretudo o verdadeiro romantismo, que eu só encontrava nos romances dos grandes. Afinal acabei compreendendo que cabe a cada um de nós construirmos o nosso mundo. Isso aconteceu quando percebi que um burguês do século XIX era igual ou pior os nossos..." (Alma Welt)
domingo, 28 de agosto de 2011
"Estou convencida de que os povos antigos tinha real contato com os seres que agora chamamos "mitológicos", e com os deuses e semideuses. Bruxas, fadas, elfos, gnomos e duendes eram vistos nos bosques e florestas do Norte. Navegantes avistavam mesmo as sereias, o Kraken, e podiam cair no Maelstrom. Benvenuto Celine começa as suas memórias contando como viu a Salamandra brincando no fogo. Tudo isso era visível e palpável, pelo registro espiritual em que os homens viviam..." (Alma Welt)
"Existem também os pequenos mistérios da mente, o das memórias inúteis ou arbitrárias. Lembramo-nos, passados muitos anos, de pequenos episódios ou imagens sem sentido, tolas ou ridículas . Como o feio pé de uma amiga, uma unha encravada de alguém, uma mancha sobre um sofá. Nossa memória não é seletiva por si mesma. Cabe a nós aperfeiçoarmos nosso espírito para peneirá-las..." (Alma Welt)
"Quando eu era guria, uma senhora uma vez me disse: "Os artistas são diferentes dos outros seres humanos. Não são mesmo como nós... Eu sou casada com um poeta e constato isso todos os dias." Fiquei meditando sobre essas palavras e algo dentro de mim deplorava aquela constatação. Eu pensava que os artistas e poetas eram o que todos os homens deveriam ser, e não algo à parte. Aquela senhora me deixou triste..." (Alma Welt)
"Vai demorar ainda alguns séculos, mas o bem triunfará sobre o mal no nosso planeta. Como sei disso? Ah! A própria inteligência do homem aponta para o bem, pois todo o mal é uma espécie de estupidez. E a inteligência do homem está crescendo, apesar de tudo, pela imensa curiosidade que o move, que o faz aos poucos explorar áreas adormecidas do cérebro. A inteligência triunfará..." (Alma Welt)
"Os ditadores, tiranos do povo, são almas cegas, verdadeiros demônios, paranoicos, maníacos e ególatras . Sua imensa força vem da capacidade de corromper e comprar a colaboração de outros igualmente maus e mesquinhos. Por isso é tão difícil derrotá-los, apeá-los do poder. Mas podem estar certos: o demônio maior que os sustenta é o dinheiro. Não se iludam: o dinheiro é Satã sobre a Terra, mesmo que se disfarce às vezes com a fachada da benevolência." (Alma Welt)
"Grande equívoco cometem aqueles que mesmo com boas intenções pensam no povo como "carente de cultura". O povo é artista e produtor de cultura. A chamada cultura popular: a cerâmica, a pintura, a tapeçaria, os santeiros, a música popular, os sambistas, caipiras, o folklore, as danças, o cordel, os violeiros, cantadores e repentistas, os contadores de "causos", o carnaval, o futebol... Os artistas eruditos também são apreciados pelo povo, e ficam lisongeados quando sentem isso." (Alma Welt)
"Não gosto de pessoas espertas, mas sim das inteligentes. A esperteza é a inteligencia sem ingenuidade, e costuma degenerar no chamado "espertalhão". Essas pessoas gostam demasiado de dinheiro e pouco do ser humano. A política está cheia deles, assim como o comércio, a indústria e os bancos. Há quem diga que eles governam o mundo." (Alma Welt)
"É fácil de compreender a nostalgia e tristeza portuguesas tão bem expressas na poesia de Fernando Pessoa, assim como nos fados. Basta observarmos a geografia de Portugal em relação à Europa: Portugal parece empurrado para fora, se debruçando sobre o Atlântico, olhando para o abismo, outrora para o chamamento do desconhecido, para um alento que quase lhe faltava..." (Alma Welt)
"Não há nada que eu tema mais do que o desdobramento esquizofrênico. A divisão da mente, fruto de seu frágil equilíbrio. Ah! A autonomia indesejável da mente que se torna nossa inimiga, que conspira a sua própria destruição. Só isso temo, e não é pouco: ver a minha própria face fora do espelho, ou movendo-se nele sem minha ajuda, sem minha autorização... Horror!" (Alma Welt)
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
"A grande beleza é trágica. Sim, porque é fragil, está por um fio, ameaçada de destruição por um triz; é dolorosa e perplexa, mal se aguenta em sua pele, sangra, se despedaça sob influxos internos insondáveis, é quase insuportável de se ver, de se acompanhar ao seu fim inexorável. Tenhamos compaixão pela beleza, protejamo-la, deixemo-la chorar e... ir-se..." (Alma Welt)
"O fato do ser humano não ser mais dirigido somente pelo instinto animal, fez de nossa vida um mistério ainda maior, pois que se tornou essencialmente cultural. Somos regidos pelos costumes e leis de nossa sociedade, tendências de época, e principalmente das modas. Nosso percurso na vida se tornou, portanto, algo arbitrário que nos afastou da possibilidade de descobrir o seu sentido universal." (Alma Welt)
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
"Não é o mais recomendável, mas grande parte das pessoas (excessão feita às mães ) vive para si mesma. Entretanto, ao contrário do que se pensa, não o artista. A arte é sempre para o outro, o artista vive para a fruição, o deleite, o embevecimento do outro, sem o qual a Arte perde todo o sentido. O dinheiro? Não, não é importante, mas o aplauso, o sinal de reconhecimento do outro..." (Alma Welt)
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
"Os homens têm a possibilidade de reviver os mitos, voltar a conviver com os seres chamados (pelos céticos) de imaginários ou lendários. A humanidade já viveu assim por muitos séculos, até perder essa capacidade baseada no vitalismo e na fé. Não obstante poderá voltar a essa dimensão poética do existir. Isso acontece num universo paralelo, hoje em dia tão secreto que a humanidade credita-o apenas à imaginação dos poetas, romancistas e cineastas..." (Alma Welt
"Sinto desperdiçar meu dia se o transcorro sem fazer algo que se aproveite, que tenha a chance de ficar. Um bom poema salva o meu dia. Mas quisera ser uma dessas pessoas tão despojadas ou despretenciosas que não fazem a mínima questão disso, e vivem a vida sem a pressão desse afinal ilusório compromisso..." (Alma Welt)
"Minha mãe, um dia, finalmente me disse: "Eu desisto. Faz o que quiser da tua vida." Imediatamente e por algum tempo me alegrei. Eu estava livre, podia fazer o que quisesse... Mas logo me dei conta de que eu não tinha esse poder. Estranhas correntezas e desígnios me levavam. Eu era, como todos, um brinquedo das estrelas..." (entrevista com Alma Welt)
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
"O Artista é aquele que apesar de respeitar as leis, a moral e os costumes no seu comportamento civil, no seu íntimo não leva muito a sério as regras do mundo. Toda a grande Arte é sempre um tanto transgressiva e desafiadora. Talvez por isso foram queimadas mais obras do que artistas..." (Alma Welt)
"Uma pessoa inteligente é aquela que se interessa por tudo, exceto pelas coisas fúteis da vida, que também são muitas. O difícil é separá-las ou conceituá-las. Há um ponto de vista, o do Eclesiastes, por exemplo, que diz que diante da realidade da morte tudo é fútil, tudo é vaidade. Então... me interesso também pela futilidade do mundo." (Alma Welt)
"Os povos primitivos ainda mantêm a natureza poética original da linguagem falada que permite um relacionamento mais íntimo e profundo com o mundo circundante. Nossa linguagem moderna de civilizados perdeu essa capacidade, que então "terceirizamos": delegamos aos poetas profissionais a tarefa de falar "bonito" ou profundo por nós todos. " (Alma Welt)
"Acredito que podemos todos nos converter em "poetas naturais", como as crianças pequenas sempre o são. Perdemos, ao crescer, esta capacidade, mas podemos recuperá-la. A prova disso é simplesmente a importância da existência da Arte no mundo dos adultos: continuamos valorizando na Arte aquilo que as crianças descobriram primeiro. Mas precisamos para isso abandonar a nossa crença absoluta no racionalismo, e um certo cinismo que é a parte pior dos adultos..." (Alma Welt)
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Se tivermos que nos ater às coisas como elas são, pouco teremos o que dizer ao mundo. Todo filósofo é sempre um tanto utopista, pois o mundo das coisas que "deveriam ser" é muito mais vasto e instigante. E o idealismo, não é somente uma corrente do passado romântico, mas a natureza de todo pensamento impulsionador." (Alma Welt)
"Acredito que só devíamos nos exprimir publicamente com Arte, pois esta nos faz transcender o mero personalismo. Toda afirmação pessoal é ridícula, às vezes piegas, se não puder ser de apropriação universal, isto é, comum a todos. Esse é o problema dos discursos políticos, raramente levados a sério. Nesse terreno, somente obras de arte como o célebre "I have a dream" do Martim Luther King serão lembradas para sempre. É preciso ser Poeta? Sim, todas as pessoas deveriam ser poetas!" (Alma Welt)
"Grandes escritores e artistas do passado como Caravaggio, Mozart, Bullwer Litton, Edgar Alan Poe, Conan Doyle, H.G.Wells, Fernando Pessoa, etc... se filiaram a sociedades secretas, em busca do oculto, isto é, fórmulas misteriosas que lhes conferissem conhecimento e poder. Mas, comunicadores por princípio, não conseguindo guardar consigo tais segredos, os revelaram ainda que em parte, ou veladamente, e foram punidos. Alguns morreram de mortes suspeitas, não esclarecidas até hoje..." (Alma Welt)
Os homens que assumem sua própria anima (vide Jung), isto é, que têm com ela um relacionamento harmônico e maduro, em geral são adorados por suas filhas, com quem estabelecem relação de grande confiança e cumplicidade. Os pais machões ou machistas também podem ser amados, mas de maneira mais conflituada e cheia de ressentimentos e mágoas. Aliás, esses homens são, por definição, imaturos e prepotentes." (Alma Welt)
"Um senhor que nos visitou na estância, quando eu era guria, ficou muitos minutos falando de finanças, economia, política... mas sobretudo de suas posses e propriedades. Meu pai o ouviu pacientemente, mas de repente, a pretexto de lhe servir uma taça de vinho, o interrompeu dizendo: "Bueno, amigo, agora vamos falar de coisas sérias." E começou a falar de Arte, música, literatura..." (entrevista com Alma Welt)
sábado, 13 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
"A Maldade consiste no resquício da presença do Anjo Rebelde dentro de nós. Entretanto, não é a rebeldia em si mesma que constitui o Mal, pois ela pode libertar-nos, por exemplo, da tirania do Poder, como queria Lúcifer que, afinal, conquistou o seu próprio reino, onde parece ter bastante autonomia. Então, creio que o Mal originou-se da motivação duvidosa de Satã para erguer-se contra o Todo-Poderoso, pois queria criar o seu próprio Inferno... " (Alma Welt)
"Quando um homem público, um prefeito, por exemplo, ao fazer declarações ao microfone, usar a palavra "seje", podemos estar certos de que se trata de um ignorante, um inculto. Não precisamos levar mais nada do que ele diga em consideração, pois esse homem não estudou quanto devia: não é confiável." (Alma Welt)
"Certamente o maior crime não é morrer cedo, mas ter desperdiçado a vida em ninharias. Uma curta vida vivida intensamente parece valer mais que uma muito longa, no entanto malbaratada e fútil. Mas, na verdade, diante de um minuto de revelação possível em uma e outra... quem poderia julgá-las?" (Alma Welt)
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
As crianças pequenas são puro amor. O fato de serem dependentes, chorarem e gritarem, pode, para algumas pessoas, mascarar este fato, julgando-as puro egoísmo. Mas é visível o poder que os bebês e crianças até os oito ou nove anos têm de nos harmonizarem em poucos minutos de contato ou de conversa. Elas são... mágicas." (Alma Welt)
"Temos dentro de nós, oculto, um repositório de todo o conhecimento da humanidade, desde tempos imemoriais. Naturalmente ele não se encontra somente no cérebro, mas na sua conjunção com a alma. Assim, somente poucos, muito raros, são os guardiães, os que tem acesso, como bibliotecários ou arquivistas, a esse imenso tesouro. Alguns de seus segredos são perigosos, podem até mesmo obcecar, enlouquecer..." (Alma Welt)
"Toda e qualquer relação sexual contém em si, basicamente, um componente sado-masoquista. Já repararam como o orgasmo consiste no súbito alívio e relaxamento de uma crispação agônica, dolorosa e crescente? É por isso que algumas pessoas resolvem incorporar claramente o elemento de dor, por mais insólito ou perverso que isso possa parecer à primeira vista..." (Alma Welt)
"Creio que o Artista deve mesmo ser um provocador. Se ele produz beleza, o faz como um desafio à feiúra de um momento social. Se cria feiúra, denuncia a subserviência a uma beleza consagrada, acomodada. O artista é um inquieto, lutando contra a passagem inexorável das horas em direção ao despenhadeiro. "(Alma Welt)
"O silêncio da Natureza, cheio de zumbidos e cantos de pássaros, é muito agradável. O silêncio total é de túmulo, e assustador. Ele me acordou uma vez, numa noite em Hamburg. Não se ouvia um galo, um grilo ou um latido de cão ao longe... fui despertada em pânico pelo silêncio da morte. Questionei minha hospedeira, a baroneza Anneliese von Sanson, se aquilo não deprimia as pessoas naquela cidade... E ela respondeu: Ah! sim! Aqui há muitos suicídios no Inverno, sobretudo de velhos..." (entrevista com Alma Welt)
"Nunca concordei com essa afirmação de que "o silêncio é de ouro". Quem escreve está falando, e, no mais das vêzes, sem disfarces. O silêncio, ao contrário, pode ocultar o vazio e a ignorância. Não esqueçamos a figura do comendador Acácio, do Eça de Queirós, que sob reverente questionamento fazia com a mão um gesto vago, horizontal, que servia para tudo, e aos tolos deslumbrava..." (Alma Welt)
"Os sonhos são as chaves mágicas para o entendimento das nossas confusas vidas conscientes. Freud nos reafirmou isso. Na antiguidade os bons intérpretes de sonhos eram agraciados pelos reis. Hoje em dia os sonhos estão em baixa, relegados como fantasias inúteis. Com isso o homem moderno se aliena do sentido profundo de seu próprio cotidiano." (Alma Welt)
"É muito difícil não magoarmos alguém na nossa passagem pela vida, por melhores e mais pacíficos que nos proponhamos a ser. Deus ao multiplicar as línguas em Babel, também dotou as palavras de cada língua de múltiplas conotações e ambiguidades. No terreno da palavra nos movimentamos num perigoso pântano. Deus é o Verbo, e com o verbo ele nos continua a punir..." (Alma Welt)
domingo, 31 de julho de 2011
"Vocês repararam? Os sonhos nunca se realizam do modo com que os sonhamos. Em compensação, sonhando-os abrimos brechas na realidade para que aconteçam coisas inesperadas e igualmente maravilhosas, desde que as percebamos como tais. Creio que é isso que constitui a verdadeira aventura, a sabedoria de viver..." (Alma Welt)
"O amor, como qualquer outra virtude, é opcional. Nisto consiste o chamado "livre arbítrio", que na verdade é um teste de Deus. Podemos escolher entre o claro e o obscuro. Trata-se de um teste de inteligência. Reparem que os maldosos, isto é, os obscuros acabam sempre vergonhosamente pegos. Sejam governos inteiros ou pessoas..." (Alma Welt)
"Povos antigos, politeístas, tinham o sol como o deus maior. Os Incas, por exemplo. Quando um faraó egípicio (Akenaton) resolveu instituir o monoteísmo, foi o sol (Aton) que ele escolheu. Isso tudo corresponde a uma forte intuição. Quanto a mim, estou persuadida de que Deus é mesmo o sol. Observem-no (não façam isso em casa, não olhem para ele), pensem nele em relação a nós... Só pode ser Deus." (Alma Welt)
"O ser humano é jogado no mundo em total despreparo, ao contrário do que acontece com as tartaruguinhas. Mas, pensando bem, são poucos os animais que se encontram aptos a sobreviver logo ao nascer. Mas nenhum leva tanto tempo como o homem para se preparar... E ainda nos consideramos os mais inteligentes!" (Alma Welt)
" O ser humano é cheio de mistérios. Ainda não penetramos os segredos das mais antigas civilizações, como a construção das pirâmides do Egito. Há escritas que permanecem ilegíveis como a dos minoicos-cretenses, que poderia nos esclarecer mais sobre a Atlândida. O Eldorado, a Cidade de Ouro na Amazônia ainda não foi descoberta. Nosso planeta ainda nos reserva grandes surpresas... ( entrevista com Alma Welt)
"De certo modo é mais fácil compreender o Caos do que a harmonia do Cosmos. Não me canso de admirar a estranha constância da Natureza, com o dia e a noite, os ciclos de vida, as estações do ano, a passagem das horas, sempre iguais há milhões de anos apesar de algumas perturbações como erupções, terremotos, furacões, tornados e tsunamis, mais compreensíveis... " (entrevista com Alma Welt)
"Tenho uma certa nostalgia do trenzinho Maria Fumaça que servia as nossas terras. Entretanto devo reconhecer que ele era anti-ecológico: queimava lenha ou carvão e liberava grande quantidade de CO2. Sua poesia e fascínio ocultava graves defeitos. Mais ou menos como acontece com certas pessoas... " (entrevista com Alma Welt)
quarta-feira, 20 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
"Carl Jung nos demonstrou que aqueles que estabelecem um relacionamento íntimo e harmônico com a anima, têm a possibilidade de viver mundos paralelos e mesmo ancestrais simultaneamente à sua vida e circunstâncias presentes . A vida pode ser muito mais rica para todos, dependendo da coragem de nossa aceitação dessa misteriosa figura interior em toda a sua autonomia e perigo..." (Alma Welt)
"Antes se sabia que para ser artista era preciso sofrer muito. Entretanto o sofrimento foi desacreditado como elemento de construção e depuração do talento. O prestígio do sofrimento entrou em baixa, e os jovens parecem acreditar que a vida e a arte são fáceis. Naturalmente tal impressão se desvanece logo, e o jovem, descrente do sofrimento, se recolhe à frustração ressentida..." (Alma Welt)
"Ao poeta, mais que ao filósofo, cabe repensar tudo sobre o humano, a Vida , a Morte, Amor, sexo, sonhos, devaneios, existência, medos e presságios, tudo. Como se fosse o primeiro ou o último homem sobre a Terra. Sua obra deve soar como o prólogo ou o epílogo de uma saga prodigiosa. Ou então como uma singela canção... " (Alma Welt)
domingo, 10 de julho de 2011
"Descobri que me tornei Poeta muito cedo devido tanto à Morte quanto à Vida. Eu diria mesmo que a presença da Morte assombrando cronicamente a minha consciência foi decisiva para me consagrar a tal dissipação... Não fiz mais que flertar com ela, tentar seduzí-la, suborná-la... tanto quanto à vida em mim." (Alma Welt)
"Ao poeta, mais que ao filósofo, cabe repensar tudo sobre o humano, a Vida , a Morte, Amor, sexo, sonhos, devaneios, existência, medos e presságios, tudo. Como se fosse o primeiro ou o último homem sobre a Terra. Sua obra deve soar como o prólogo ou o epílogo de uma saga prodigiosa. Ou então como uma singela canção... " (Alma Welt)
"Uma senhora lojista, que lidava com o público, questionada por mim quanto à possível monotonia de ficar atrás do balcão, me surpreendeu ao responder: "Não, não há monotonia, todas as pessoas são diferentes umas das outras. Nunca encontrei duas pessoas iguais, nem em gostos, opiniões, timbre ou personalidade". Saí pensativa daquela loja. Eu havia ouvido uma opinião original sobre a humanidade..." (Alma Welt)
sábado, 9 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
"O segredo para mudar a vida é simples: somente amar e desejar o que se tem e não o que não se tem. Quando amamos o que temos não precisamos de mais nada e a vida fica boa. Mas, e a ambição? perguntarão alguns... Bem, deixemos a ambição para os ambiciosos. Eles construirão grandes impérios econômicos, muitos empregos e maior número de desgraças e infelicidades, a começar pelas deles mesmos. " (Alma Welt)
"Os anjos existem e não nos aparecem com asas. Aparecem como uma pessoa comum e desconhecida, de aspecto banal, mas que interfere em nossa vida de modo milagroso e redentor, em um momento de crise e extremo perigo. Depois desaparece e nunca mais o vemos. Aí descobrimos que só nós o vimos e ninguém mais. Quando isso acontece começamos não a crer, mas a saber que Deus existe... " (Alma Welt)
"Os alcoólatras quando conseguem parar de beber, coisa rara, revelam-se pessoas boas, com senso de humor e reduzem a sua neurose em 50% somente pela retirada do álcool. Já os neuróticos são sempre 100% neuróticos a seco. São como duas tribos distintas... É tudo "índio", mas a segunda é antropófaga." (Alma Welt)
"No regime capitalista o dinheiro virou um monstro. Mas pensando bem, desde o nascedouro ele mostrou as suas garras. A natureza demoníaca do dinheiro não tardou a florescer, espandir-se como o Leviatã. Agora, inchado pela adoração dos povos, ele reina soberano, como o mais cruel dos déspotas." (Alma Welt)
quarta-feira, 29 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
"Os junguianos atribuem à velhice, perda de anima e conseqüente embrutecimento, rabujice e sujeira. Tenho dúvidas quanto à inexorabilidade dessa condição. Entretanto não podemos negar o terrível processo de enfeiamento e degradação física da velhice em comparação com a nossa tão bela e tantas vezes desperdiçada juventude..." (Alma Welt)
"Misteriosamente a vida nos cobra crescimento e virtude. Se não, vejam como os sofrimentos nunca chegam em momentos arbitrários ou inoportunos, mas sim quando estamos em erro ou demasiado acomodados. É verdade que demoramos para reconhecer isso, mas, no final não renegaremos essas dores, e havemos de dizer: "Está tudo certo..." (Alma Welt)
"Diz-se que o ser humano moderno entra em crise ao final de cada década de sua vida. Essas crises não devem durar mais de um ano sob pena de, ao se tornarem crônicas, o indivíduo desperdice a preciosa vida em tormentos viciosos e estéreis. Desconfiemos, pois, de nós mesmos, se estivermos sofrendo por tempo demasiado..." (Alma Welt)
"A vida, como uma intrincada ária contém todas as notas ou tons, que vão dos mais graves aos mais agudos, da dor à alegria, do medo ao êxtase. Temos que cantá-la, é nosso papel. Mas podemos por isso mesmo fazê-lo com arte, com beleza, esta é a dignidade que nos cabe. Alguns de nós merecerão palmas ao cair a cortina..." (Alma Welt)
"A meu ver o aspecto mais relevante das religiões é a sua poética, elemento suficiente para justificá-las. Não há uma só religião que não se assente em arquétipos primordiais da memória coletiva altamente poéticos, mas sobretudo do "inconsciente coletivo". Quanto a mim, que não tenho fé, me comovo até às lágrimas com a magnífica estória de Jesus, a mais poética delas. " (Alma Welt)
"Viver não é simplesmente viver. É uma tarefa complicadíssima, cheia de equações e paradoxos. Até mesmo entre os animais. Penso nisso quando vejo a decadência ou a desgraça de cães que vão parar nos canis, com a mesma espada de Damocles, que eles pressentem, sobre as suas cabeças. A dor e o medo são universais..." (Alma Welt)
quinta-feira, 23 de junho de 2011
"Hoje em dia está na moda contestar a existência de Cristo e os Evangelhos. A mim, nunca importou se Cristo existiu ou não em pessoa ou divindade. O que me deslumbrou desde cedo é a extraordinária beleza poética dessa estória e desse personagem, naquelas quatro versões. Me parecem no mínimo uma estória genial, narrada por grande poeta." (entrevista com Alma Welt)
"Depois de muito estudar, estou convencida de que os fantasmas, os anjos, os demônios, as fadas, as musas, as ninfas, os duendes, etc, e todos os deuses, existem mesmo. Até Deus existe. Quanto à Morte, tata-se de uma entidade com feição humana, provavelmente a tal caveira mesmo, com a foice e tudo. Não duvido de mais nada..." (entrevista com Alma Welt)
sexta-feira, 17 de junho de 2011
"Os guris de hoje que me perdoem, mas quando revejo Romeu e Julieta de Shakespeare, e os comparo aos jovens de hoje com seu "ficar", eu constato o quanto nós involuimos. Na verdade nem me refiro a sublimidade daquela paixão, mas à linguagem, já que os jovens da Renascença a tinham sublime e os de agora balbuciam numa linguagem de macacos." (Alma Welt)
quarta-feira, 15 de junho de 2011
"Embora ao ser humano seja atribuída a racionalidade, a clareza de pensamento é um tanto rara, talvez mesmo um dom. Talvez por isso se escrevam tantos livros e proliferem seitas e pretensas filosofias. A verdadeira clareza pode tornar o homem solitário ou solidário, mas nunca um líder político..." (Alma Welt)
quinta-feira, 9 de junho de 2011
"Quando me pego com uma estranha nostalgia da Renascença e seu ambiente cultural propício às artes, principalmente à pintura e escultura, preciso me lembrar das masmorras, das torturas, da Inquisição, de Savonarola e seu "bruciamenti delle vanità" : Ledas de Leonardo e Vênus Botticellianas ardendo em pilhas no meio das praças..." (Alma Welt)
"A grande tragédia das civilizações decadentes é que elas não mudam senão depois de um longo e penoso desgaste de séculos, e tal como os indivíduos consumidos por um vício, somente depois de ter antingido o "fundo do poço". É o que é preciso acontecer para abandonarmos o álcool, as drogas, a corrupção, o capitalismo e o petróleo, por exemplo..." (Alma Welt)
quarta-feira, 8 de junho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
"Para um pensamento ter força ele precisa ser genérico, as excessões não devem ser levadas em conta. A relativisação torna toda a sentença inútil. Se tens medo de ferir alguém é melhor calar-te. Aliás, é melhor mesmo calarmo-nos se pudermos guardar nossas certezas somente para nós mesmos..." (Alma Welt)
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