Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
sábado, 17 de setembro de 2016
"Não há nada mais parecido com um romance do que a vida real. E nem podemos escolher o gênero desse romance que viveremos. À alguns caberá o realista, a outros o de terror, a outros somente o "noir", a outros o romântico mesmo. A saga épica cabe a muito poucos. Aos intelectuais eruditos, o prefácio, e as notas de pé de página. Ah! Aos artistas a capa e as ilustrações. Às vezes, dentro, um personagem patético, como o bobo da corte." ( Alma Welt)
"Escrever é a suprema afirmação do eu... do ego, se quiserem. Por isso quase todo mundo escreve, inclusive alguns analfabetos. Entretanto, paradoxalmente, os melhores livros são os que escondem o ego do autor e dão vida a personagens totalmente diferentes dele mesmo. Sou insuspeita para dizer isso pois sou uma escritora confessional, sempre na primeira pessoa, falando sempre de mim. O que me justifica? Descobri com o famoso crítico inglês Herbert Reed (já falecido) que pertenço a um tipo de poeta classificado por ele como " o egotista sublime" , isto é, parto de mim mesma para atingir uma universalidade. "Fale com profundidade e graça de sua aldeia e conquistarás o mundo inteiro". Fale de si com absoluta sinceridade e desnudamento, e atingirás o universal..." (entrevista com Alma Welt)
"Ainda quando criança, eu costumava entrar na biblioteca de meu pai, escondida, quando ele não estava em casa, para olhar as lombadas dos livros e descobrir alguma coisa espantosa, uma espécie de segredo camuflado. Bem... quase tudo o era. Eu retirava aleatoriamente ou pelo titulo sugestivo, somente um deles da estante, de cada vez, e o folheava a esmo lendo algum parágrafo. Era como olhar por uma fresta, o mundo se abria. Eu iria ler tudo, eu me prometia. E eu iria escrever também, porque não poderia haver nada mais secreto. E os segredos, me parecia, eram feitos para serem descobertos por pessoas como eu, que prometia passá-los adiante sem traí-los..." (Alma Welt)
" Demasiado já foi dito sobre o Amor. Entretanto quero dizer que o Amor é a única razão da Vida existir sobre a Terra.Tentem, por exemplo, imaginar um mundo com ausência total do Amor. É impossível, a menos que possamos imaginar claramente um inferno ininterrupto, sem tréguas, entre os homens. Somente Satã pode imaginá-lo e ainda persegui-lo como seu pesadelo preferido." ( Alma Welt)
"A controvérsia sobre o Mal é uma das mais perturbadoras e frustrantes experiências que uma pessoa honesta e sensível. pode observar. Me refiro ao fato de que o Mal tem defensores ferrenhos e frequentemente de boa fé, iludidos ou não. Um grande número de pessoas aparentemente normais que acreditam nos maus e tomam seu partido. Não há unanimidade sobre as naturezas do Bem e do Mal na humanidade, que reduziu estes princípios fundamentais a meros pontos de vista. Esta é razão da persistência e frequentemente da supremacia do Mal no mundo." (Alma Welt)
REFLEXÃO SOBRE O EGOTISMO
O egotismo é geralmente considerado um defeito de caráter vergonhoso. Entretanto todos somos egotistas em maior ou menor grau, tal é a natureza humana. O mundo gira em torno do nosso umbigo; somos, cada um de nós para nós mesmos, o centro do Universo. Enquanto isso não produz delinquência, crimes, assassinatos, a mim me causa até um certo enternecimento... Entretanto podemos fazer um ressalva, no caso de um tipo de poeta, em geral os melhores, que o grande crítico inglês Herbert Reed denominou "o egotista sublime", aquele que se coloca o tempo todo, confessional ou auto proclamador, centro luminoso do universo, com todo direito a sê-lo, pois se coloca sobretudo como espelho da humanidade, para o bem e para o mal, nas suas misérias e glórias, ou seja, no seu patético universal. Em geral os leitores costumam se espelhar ao contrário em tais poetas, e nisso consiste o fenômeno da catarse, tão necessário. O lado escuro desperta ou reflete o nosso lado claro, o esquerdo o direito, e vice versa. Mas pensando bem, todo espelho, mesmo o de vidro ou cristal não faz a mesma coisa? Talvez por isso gostamos de nos mirar nos espelhos, esses objetos estranhamente lisonjeiros..." ( Alma Welt)
"Todos temos o direito de falar de nós mesmos, mas desde que isso possa ser do interesse alheio. Como pode ser isso? Revestindo de beleza ou força o que se confessa. Tudo é uma questão de estética, timbre, intensidade, harmonia... e o insólito da criação, que esse não podemos explicar. Enfim... torne-se poeta e podes te queixar ou até mesmo vangloriar: de Leopardi a Walt Withman... " (Alma Welt)
terça-feira, 16 de agosto de 2016
"Como escritora considero que o verdadeiro leitor, aquele que ama a literatura, não é o que se identifica com as palavras e pensamentos do autor, mas sim aquele que admira esses pensamentos e mesmo os inveja por sentir que eles o superam e o fazem sonhar ou imaginar outras vidas bem mais interessantes que a sua própria. Identificar-se com o texto é suspeito, e geralmente falso." (Alma Welt)
segunda-feira, 25 de julho de 2016
"Quando criança ganhei de uma tia um álbum de diário com um fecho e pequeno cadeado, que à primeira vista adorei. Entretanto esse fecho logo me pareceu absurdo e frustrante para quem, como eu, queria tanto ser uma escritora e poetisa, isto é, alguém lida por todo mundo, se possível. Joguei fora o cadeado, meus segredos haveriam de nascer violados e para isso eu faria de cada leitor meu confidente: esse seria o tom de meu discurso poético e literário: eu seria uma despudorada e íntima confessional..." (Alma Welt)
"Cada qual com suas artes", dizia minha avó Frida. Quando guria acostumei-me com seus ditos e ditados, nem sempre entendendo bem o quê ela queria dizer. Mas, neste caso, creio que ela se referia à singularidade do testemunho de cada um de nós na vida, algo não muito óbvio quando pensamos no espírito de manada que também subsiste na humanidade. Olhemos mais de perto: é de longe que todos os gatos são pardos..." (Alma Welt)
"Estou convencida de que a verdadeira poesia nasce de um cínico pessimismo, da mesma raiz do humor. A pieguice e as boas intenções de certos pseudo-poemas me nauseiam. Entretanto a maioria das pessoas pensa que os melhores poemas são os edificantes e de fundo moral. Ledo engano! A poesia serve para despertar nossa consciência rebelde, e frequentemente nos comove quando há nela um certo teor de legítima auto-piedade..." (Alma Welt)
sábado, 23 de julho de 2016
"Temos que cumprir nosso destino e ele é sempre solitário, malgrado a nossa, por vezes, imensa sociabilidade. Ninguém vestirá a nossa pele, assim como não cabemos na de outrem. A beleza do nosso destino se revela quando o aceitamos plenamente, por mais humilde e obscuro que seja. A poética da vida pertence a todos, indiscriminadamente..." (Alma Welt)
domingo, 17 de julho de 2016
"Reconheço que a minha escritura, toda ela, é de fundo romântico, mas, espero, no melhor sentido do termo. Desprezo o romantismo piegas do século vinte, mormente na maioria da música popular. A meu ver, a canção popular brasileira que atingiu um máximo de refinamento estético e espiritual é "As rosas não falam", do Cartola, música que considero sublime ." (entrevista com Alma Welt)
"É curioso, mas nunca pensei na Arte como finalidade social, mas secretamente, talvez mesmo anti social. Sei que isso é um paradoxo, pois não existe teatro, música, dança, literatura, e pintura sem platéia. Mas creio numa motivação solitária do Artista, embora tenha horror à solidão. Que motivação original é essa? Estou certa de que é a rebeldia contra o anátema divino, nossa parcela roubada do paraíso negado..." (Alma Welt)
"É uma lástima que a vida em sociedade tenha que ser regida pela política, que é uma arte espúria, profundamente contaminada pelo dinheiro. Lamentavelmente a essência da sociedade é a corrupção. Quanto aos "bem intencionados", que lutam por sua moralidade... o Inferno está cheio deles, pois são os primeiros a ambicionar o poder, a pretexto de mudanças..." (Alma Welt)
sexta-feira, 20 de maio de 2016
"A vida de um ser
humano deve ser pautada por uma procura incessante, não importa de quê: da
felicidade, do amor, da arte, da ciência, do conhecimento, do
auto-conhecimento, da fortuna, da paz ou do esclarecimento do mistério da
própria vida... Sem procura a vida se torna bovina, e se amesquinha..."
(Alma Welt)
A oração poética que
eu escolheria como melhor epitáfio seria esta, encontrada gravada na urna
dourada do sarcófago do faraó Tutankamon:
"Ó Mãe Nut, abre as tuas asas sobre mim como as imperecíveis estrelas!"
(Alma Welt)
"Ó Mãe Nut, abre as tuas asas sobre mim como as imperecíveis estrelas!"
(Alma Welt)
"O presente
também é feito de memórias... feliz o homem que conservou boas recordações. Ai
daquele que guardou ressentimentos!" (Alma Welt)
"Não gosto da
palavra "projeto" relacionada à obra de arte. Arte é, e pronto."
(Alma Welt)
"Deus fez a vida
imperfeita para espreitar nossa tolerância. Uma espécie de
"pegadinha" divina..." (Alma Welt)
"Tuas obras falam
por ti. Não tentes falar por tuas obras, elas se diminuirão." (Alma Welt)
"É melhor uma
inveja confessada do que disfarçada. Mas nunca a chames de "boa".
Nenhum dos "sete pecados capitais" é bom em nenhuma hipótese.
Qualquer um deles, cultivado, te destruirá." (Alma Welt)
"Estamos todos no
mesmo barco. O problema é que não remamos todos na mesma direção. O barco
humano roda e dança. E quanto espalhafato!" (Alma Welt)
"A grande
tragédia das sociedades humanas civilizadas é não poder prescindir nem do
dinheiro nem da política: juntos, dois demônios institucionais." (Alma
Welt)
"Há um fundo real
de horror constante na Vida, de que somente os mais lúcidos se apercebem. Nesse
sentido toda felicidade é uma espécie de alienação abençoada..." (Alma
Welt)
"O verdadeiro
senso de humor deriva sempre da mesma fonte auto consciente: o patético
fundamental em nossas vidas." (Alma Welt)
"Hoje em dia fala-se da "elite" como se fosse um palavrão, algo pejorativo. Me parece uma tremenda inversão de valores. Elite queria dizer melhor, superior. Bah! Superior? Outra palavra caída em desgraça. Mas compreendo: estamos numa sociedade de massas, que obriga a nivelar por baixo..."
(entrevista com Alma Welt)
(entrevista com Alma Welt)
sábado, 23 de abril de 2016
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
"Ser feliz torna nosso ritmo mais lento, desacelera nossos batimentos. Os eufóricos estranham, não reconhecem mais a felicidade, sua serenidade os confunde, pensam no tédio... igualmente os infelizes rejeitam seu compasso, acostumados com um boogie woogie infernal. Só os felizes se ajeitam com felicidade..." ( Alma Welt)
"Vocês querem um fecho para esta entrevista? Então ouçam: A jornada de um ser humano sobre a terra, é invariavelmente uma jornada triste. Há momentos alegres, sem dúvida, e até humorísticos. Mas o tom geral é o grave e melancólico de uma marcha fúnebre, que será a nossa última caminhada. Então, vez por outra, cantemos e brindemos como se estivéssemos no banquete dos deuses do Walhalla ou do Olimpo. Nossa dignidade assim o quer!" (entrevista com Alma Welt)
"A história de qualquer pessoa quando vista em retrospectiva biográfica é sempre muito triste e bela, principalmente se, por vezes, nos faz também rir, o que evidencia a natureza tragicômica da existência humana, o timbre patético de nossas vidas. Mas isso também é a nossa glória, dificilmente nos entregamos logo nesse mar adverso. Nosso impulso vital é sempre heroico. E o melhor herói é o que ri e dança no meio da tempestade..." (Alma Welt)
terça-feira, 27 de outubro de 2015
"Não gosto de cães na coleira. Há qualquer coisa de errado nisso. Para o cão e para o homem que é levado pelo cão." (Alma Welt)
"O mundo é interessante quando também o somos. Não somente interessados..." (Alma Welt)
"Quem não sofre com a solidão poderá ser um monge ou um eremita. Mas certamente não será um artista." (Alma Welt)
"A tecnologia fez o homem voar, mas continuamos invejando os pássaros. Haja visto as asas que atribuímos aos anjos," (Alma Welt)
"O abraço torna as pessoas imediatamente bonitas." (Alma Welt)
"Levantar de manhã já é uma aposta no futuro." (Alma Welt)
"Há um ridículo inerente ao poder. No mínimo o poderoso acaba sempre estufando o peito como um galo, sem perceber..." (Alma Welt)
"A Economia não é uma ciência exata. Por exemplo: quando honramos nossas dívidas elas nos enriquecem." (Alma Welt)
"Conhecemos melhor as pessoas pelo sorriso. Não o delas, mas o nosso." (Alma Welt)
"Desenhar alguma coisa e mostrar para o outro é o gesto mais infantil que existe. Os artistas são crianças e por isso deviam ser protegidos pela sociedade e não precisarem vender, trabalhar, e muito menos pagar impostos..." (Alma Welt)
"Sempre tive curiosidade de saber como acabou aquela festa onde Cristo transmutou tanta água em vinho. Não deve ter prestado..." (Alma Welt)
sábado, 8 de agosto de 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
"No Genesis, Deus disse ao criar Adão: "Não é bom que o homem viva só". Depreendo que Adão já andava se queixando de solidão. Aliás, no Talmude está contada a história de Lillith, a primeira mulher de Adão, feita do mesmo barro que ele e contendo o mesmo sopro divino. Com uma mulher assim, não dava para conviver, e era um inferno no paraíso... Então Deus, transformou Lilith numa serpente, adormeceu Adão e fez Eva de sua costela, portanto programada a ser um passivo apêndice dele. Ah! Mas o Todo Poderoso não contava com que a primeira mulher transformada em serpente, para se vingar viesse envenenar com fofocas o espírito da segunda, pondo tudo a perder. Mas o que me admira é que Deus desse ouvidos a uma ex-mulher ciumenta e sibilante..." (Alma Welt
"Sou esquisita, eu sei: não gosto de futebol, de tatuagens, de coisas da moda, modismos, de boites, danceterias, vulgaridade, discussões e violência. Não gosto de corrida de automóveis, nem de política partidária. Não gosto de multidões, aglomerações, banalidade e religiões instituídas. Não gosto de nada, só de coisas boas, como a Natureza, os animais, gente boa, crianças, beleza, amor, literatura, poesia, pintura, desenho, cinema, música clássica e folclórica, Artes em geral. Sou esquisita." (entrevista com Alma Welt)
"Dostoiévski descreve um homem hipersensível no seu príncipe pobre, Michkin, o protagonista do seu romance O Idiota. Realmente, tal sensibilidade tornaria inviável um indivíduo em sociedade, e o personagem ao final, depois de verdadeira saga interior motivada pelas circunstâncias de seus novos conhecidos, acaba voltando para uma clínica de internação. O curioso, ao meu ver, é que Dostoiévski representa, com o príncipe, um homem que seria mais sensível que um artista, pois esse quando é sensível demais sempre pode apelar para a garrafa..." (Alma Welt)
"Hoje em dia fala-se da "elite" como se fosse um palavrão, algo pejorativo. Me parece uma tremenda inversão de valores. Elite queria dizer melhor, superior. Bah! Superior? Outra palavra caída em desgraça. Mas compreendo: estamos numa sociedade de massas, que obriga a nivelar por baixo..." ( entrevista com Alma Welt)
O que me faz atemporal como poeta é que tenho uma memória de cinco mil anos. Tenho todas as épocas da civilização humana bem nítidas na minha mente, como se nelas tivesse vivido. Minha frase predileta? * "Ó mãe Nut! Abre as tuas asas sobre mim como as imperecíveis estrelas!" (entrevista com Alma Welt)
Nota
* oração inscrita no grande sarcófago de ouro de TutAnkAmon
* oração inscrita no grande sarcófago de ouro de TutAnkAmon
"Nenhum poeta ou dramaturgo grego, que eu saiba, escreveu sobre a velhice ou a morte jovem de Helena de Tróia. Ela simplesmente desapareceu da História. Mas é fácil entender porquê: a verdadeira beleza é atemporal e simbólica. Vive num eterno presente e não pertence a ninguém, mas a todos." (Alma Welt)
"Reparem, não vemos nunca nenhum julgamento moral nas ações atribuídas a Deus. E a julgar pela Natureza, então, Deus é completamente amoral. Entretanto percebemos que a força dominante no Universo é a gravidade. É ela que nos desgasta, nos envelhece e nos derrete como velas de cera. Sim, Deus é a Gravidade, e por isso é insondável e incompreensível, a menos que, como Dante, no seu último verso da Comédia, a associarmos ao Amor "que move o Sol e a outras estrelas"... " (Alma Welt)
Os três mundos da alma (de Alma Welt)
"Nossa alma transita bem entre dois mundos, a vigília e o sono, ambos com seus insólitos sonhos. Por quê não poderia se infiltrar no mundo dos mortos para voltar com notícias dos amados? Alguns antigos testemunharam sobre isto, como Er*, o Armênio, que viu a alma de Orfeu escolher nova vida, não de um homem, mas de um cisne; e a de Odisseu, que astuto, escolheu reencarnar como um homem comum, sem mais aventuras..." (entrevista com Alma Welt).
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Nota
*Er - Alma está mencionando o episódio órfico do chamado Mito de Er, o panfílio (armênio), revelado por Platão no seu diálogo "República". Alma acreditava em reencarnação, não à maneira kardecista, mas dos antigos órficos gregos, em que as almas podiam escolher uma vida humana ou animal, para reencarnar. Orfeu, o poeta e cantor, escolheu a vida de um cisne porque tendo sido morto a pauladas pelas mulheres da Lídia, não quis nascer novamente do ventre de uma mulher. É por isso que o cisne, animal mudo, canta somente no momento de sua morte ("o canto do cisne"). É a alma de Orfeu se revelando..
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Nota
*Er - Alma está mencionando o episódio órfico do chamado Mito de Er, o panfílio (armênio), revelado por Platão no seu diálogo "República". Alma acreditava em reencarnação, não à maneira kardecista, mas dos antigos órficos gregos, em que as almas podiam escolher uma vida humana ou animal, para reencarnar. Orfeu, o poeta e cantor, escolheu a vida de um cisne porque tendo sido morto a pauladas pelas mulheres da Lídia, não quis nascer novamente do ventre de uma mulher. É por isso que o cisne, animal mudo, canta somente no momento de sua morte ("o canto do cisne"). É a alma de Orfeu se revelando..
"Todo mal do homem advém do desassossego. Por que não te aquietas, ó ser inconformado? O pão, o trabalho, a justiça, a aventura, o amor, a morte... tudo é pretexto para a tua agitação, a tua inquietude. Sonhas o Paraíso? Queres voltar ao lar? Não me enganas, queres voltar a sentar à direita no banquete do Senhor, queres sair do chão, voar com asas verdadeiras, deixar de rastejar. Por que não te aquietas e escuta? Não o teu coração, mas a tua alma!" (Alma Welt)
"O Poeta é visto até hoje como o Idiota Sagrado. O que quer dizer que é tratado com a condescendência com que tratamos as crianças precoces. Mas não faz mal: faz parte da função do Poeta fazer as pessoas se sentirem melhores e maiores, verdadeiramente superiores por alguns momentos. Afinal é para isso que a poesia serve..." (entrevista com Alma Welt)
segunda-feira, 15 de junho de 2015
"Nossa alma transita bem entre dois mundos, a vigília e o sono, ambos com seus insólitos sonhos. Por quê não poderia se infiltrar no mundo dos mortos para voltar com notícias dos amados? Alguns antigos testemunharam sobre isto, como Er*, o Armênio, que viu a alma de Orfeu escolher nova vida, não de um homem, mas de um cisne; e a de Odisseu, que astuto, escolheu reencarnar como um homem comum, sem mais aventuras..." (entrevista com Alma Welt).
"Todo mal do homem advém do desassossego. Por que não te aquietas, ó ser inconformado? O pão, o trabalho, a justiça, a aventura, o amor, a morte... tudo é pretexto para a tua agitação, a tua inquietude. Sonhas o Paraíso? Queres voltar ao lar? Não me enganas, queres voltar a sentar à direita no banquete do Senhor, queres sair do chão, voar com asas verdadeiras, deixar de rastejar. Por que não te aquietas e escuta? Não o teu coração, mas a tua alma!" (Alma Welt)
"Se estudarmos o ser humano pelos livros de História Universal, todos os dias durante a vida inteira, teremos uma chance de entendê-lo. Mas basta ler Os Irmãos Karamazov, e O Idiota, de Dostoiévski com a paixão que esses livros nos despertam, para entendermos tudo de estalo, e definitivamente." (Alma Welt)
terça-feira, 26 de maio de 2015
"O Poeta é visto até hoje como o Idiota Sagrado. O que quer dizer
que é tratado com a condescendência com que tratamos as crianças precoces. Mas
não faz mal: faz parte da função do Poeta fazer as pessoas se sentirem melhores
e maiores, verdadeiramente superiores por alguns momentos. Afinal é para isso
que a poesia serve..." (entrevista com Alma Welt)
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"Sempre sonhei com as estrelas, acordada nas noites, como se uma
delas fosse o meu verdadeiro lar. Penso que elas são tão pródigas e numerosas
que deve existir uma para cada um de nós. No futuro não precisaremos lutar por
espaço e nossa solidão irradiante estará garantida. Assim na Terra como no
Céu..." (entrevista com Alma Welt)
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"Definitivamente não estamos mais na Era dos Sonhos... Nem nossos
psicanalistas se interessam mais por eles. Mas continuamos sonhando, como os
cães latem e os pássaros voam. Isso deve significar alguma coisa. Talvez
devêssemos voltar um pouco..." (entrevista com Alma Welt)
segunda-feira, 25 de maio de 2015
"Se grandes gênios como Leonardo da Vinci, Boticelli, Miguelangelo, Rafael, Ticiano, Bernini, Caravaggio, Rembrandt e tantos outros eram homens devotos e acreditavam em Deus, nos anjos e nos santos, como nós, pequenos homens modernos nos permitimos duvidar? Que ridícula arrogância nos tomou?" (Alma Welt)
"Se grandes gênios como Leonardo da Vinci, Boticelli, Miguelangelo, Rafael, Ticiano, Bernini, Caravaggio, Rembrandt e tantos outros eram homens devotos e acreditavam em Deus, nos anjos e nos santos, como nós, pequenos homens modernos nos permitimos duvidar? Que ridícula arrogância nos tomou?" (Alma Welt)
quarta-feira, 15 de abril de 2015
"Grande parte da humanidade, através dos tempos, vendeu sua alma ao Dinheiro. Como não acreditar, então, que o dinheiro é, em si mesmo, o Diabo? "Ah!" - dizem sempre alguns - "mas o dinheiro em si é bom, o homem é que o corrompe, desviando-o de sua finalidade de produzir bem-estar coletivo." Não se iludam, o Diabo nos condicionou a ele, justamente com essa promessa. A natureza perversa do dinheiro está bem clara, e é, em si mesma, o nosso exílio do Paraíso..." (Alma Welt)
"Não fui senão uma solitária árvore de frutos. Meus dias na Terra foram belos e fecundos pelo meu dom das Letras e da Poesia, mas sobretudo pelo cenário privilegiado em que cresci. Meu Pampa belo e amado! Entretanto percebia, além, um povo conturbado e muitas vezes infeliz, a quem, na impotência da minha imobilidade inata eu nada podia dar, a não ser os meus belos poemas para quem chegasse tão perto que os pudesse colher..." (Alma Welt)
"Um artista nunca deve pedir a opinião de outra pessoa, muito menos de outro artista. Nunca fazer a pergunta: "É bom isso que faço?" JAMAIS. Um artista é aquele que tem absoluta confiança no seu taco, às raias da prepotência. Isso é o que distingue o verdadeiro artista. Eu nunca em toda a minha vida perguntei a ninguém se era bom o que eu fazia, nem quando era guria. Porque Artista é sinônimo de segurança absoluta. Senão, como poderia exibir e impor a sua arte?" (Alma Welt)
"O meu descobridor, o Guilherme de Faria, me chamou de Musa... Docemente constrangida meditei sobre o sentido pleno dessa palavra. Aceitei-a afinal, pois reconheço que vivi a vida numa permanente dimensão poética, o que, acredito, não me alienou das realidades da vida. Apenas evitei o sórdido e o mesquinho, que, pra mim, não fazem parte do real, mas dos defeitos da realidade." (entrevista com Alma Welt
sábado, 31 de janeiro de 2015
"É curioso... sem ser propriamente uma deprimida, desde o inicio tive a sensação de fazer um permanente e grande esforço para me manter viva. Não me refiro ao impulso natural de sobrevivência, ligado ao trabalho e à preservação física. Refiro-me à sobrevivência psíquica. Talvez isso se deva à minha demasiada consciência da Morte, que me assombrou desde criança com a sombra aterrorizante do Nada..." (entrevista com Alma Welt)
"O meu descobridor, o Guilherme de Faria, me chamou de Musa... Docemente constrangida meditei sobre o sentido pleno dessa palavra. Aceitei-a afinal, pois reconheço que vivi a vida numa permanente dimensão poética, o que, acredito, não me alienou das realidades da vida. Apenas evitei o sórdido e o mesquinho, que, pra mim, não fazem parte do real, mas dos defeitos da realidade." (entrevista com Alma Welt)
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