Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
"Na natureza selvagem a libido do macho é naturalmente agressiva e belicosa, e esse dado repercute na natureza masculina do homem em sociedade. A própria guerra deriva indiretamente da libido primal do homem. Por essa razão existem sociólogos que acreditam que a guerra não pode ser superada e não desaparecerá das sociedades humanas nem que se passem milênios. Enquanto existir impulso vital e portanto o instinto de procriação, com grandes concentrações de testosterona, consequentemente haverá também guerras. Fico muito triste com essa ideia, que infelizmente faz sentido..." (entrevista com Alma Welt)
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
"A felicidade, que a todos faz pelo menos uma visita rápida na vida, reparem, nos vem sempre acompanhada de uma sensação de dever cumprido. Por que será? Creio que é porque, mais do que uma tarefa não terminada, um único sentimento inacabado, como o ressentimento, nos impediria de recebê-la... a ela, a nobre felicidade." (Alma Welt)
domingo, 4 de dezembro de 2016
"O outrora chamado "trato social" sempre consistiu em ocultarmos o patético fundamental de nossa existência individual. A sociabilidade, paradoxalmente, consiste em (de alguma forma) nos escondermos. O uso de máscaras e leques é tão difundido como princípio das relações sociais, que estas foram introjetadas e não as necessitamos mais no nosso Grande Baile dos Pavões..." ( Alma Welt)
sábado, 3 de dezembro de 2016
"Rimbaud afirmou na sua célebre "Lettre du Voyant", que o poeta é um vidente. Creio, entretanto, não ter sugerido ser um simples profeta de um futuro mais distante, mas sim instantâneo ou do momento seguinte, sempre, da própria alma que o aborda, isto é, do leitor. Uma clarividência induzida a nós num instante inefável, que esclarece para si mesma, numa fração de segundo, a própria alma de quem o lê... " (Alma Welt).
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
"Creio que o que torna a nossa vida mais complexa, não são as atribulações e os percalços, mas o tédio, o enfado. A gente se enfastia, a gente se aborrece... O tédio grassa a bordo do navio e não percebemos, eis o perigo. Logo começam os desvarios, os delírios, por vezes a matança..." (entrevista com Alma Welt)
"O grande Rainer Maria Rilke aconselhava o jovem poeta a que evitasse escrever poemas de amor... Entendi que só devem ser escritos quando inevitáveis, aliás como toda a poesia. Em compensação, devemos colocar um amor difuso em tudo, até mesmo no nosso desencanto e ironia..." (entrevista com Alma Welt)
domingo, 27 de novembro de 2016
"A vida moderna nas grandes cidades, uma vez terminada a chamada Belle-Époque se tornou absurda, porque eliminou a obrigatoriedade da beleza e da inteligência. Caímos numa nova barbárie, em que os bárbaros somos nós. Alguns artistas e arquitetos ainda resistem, mas é tarde, a civilização ocidental mergulha lentamente em trevas..." (Alma Welt)
"Caim? Bem... com ele o homem descobriu o prazer vergonhoso de matar. Por isso respondeu ao Senhor: "Acaso sou eu o guarda de meu irmão?" Não sabemos ao certo a resposta de Deus, mas conhecemos a sentença de exílio a leste do Éden. E imagino que tal região não devia ser muito aprazível..." (Alma Welt)
"Qual a minha Intenção ao escrever? Na verdade vejo o público leitor como uma criança, no melhor sentido. Minha intenção é divertir e encantar, como uma contadora de estórias que não esconde seu próprio prazer em fazê-lo. Muito complexa para isso? Bem... minha alma é simples embora minha mente não o seja muito..." (entrevista com Alma Welt)
"Uma amiga minha tinha um marido que alguns achavam mesquinho e invejoso, e não viam nele grandes qualidades, apenas a obrigatória honestidade de um pai de família. Entretanto esse homem, desenvolvendo um câncer, hospitalizado, com metástase, desenganado, demonstrou uma das maiores coragens e dignidade que já vi em alguém: não se queixou nem um pouco, em nenhum momento, e seu último desejo foi uma média com pão e manteiga na chapa. E morreu sem um suspiro, como um cordeiro." (Alma Welt)
"Algumas pessoas são tão fúteis, que não sofrem. Custei a acreditar nisso, porque, afinal, não as acompanhamos na intimidade de seus espelhos matinais ou noturnos. Quando afinal tive disso convicção, percebi que essas pessoas possuem uma espécie de esperteza obtusa, e por isso frequentemente obtêm sucesso na vida..." ( Alma Welt)"
"Observando a Natureza, a crueldade intrínseca da vida me revoltou, e me indignou, quando guria. Meu pai um dia denunciou isso em mim como um sintoma de orgulho renitente. "Quem é você minha filha, para condenar a vida? Não sabes que esse foi o pecado de Lúcifer? Pensas que ele se considerava mau? Ele se considerava melhor que Deus, mais generoso que Deus!" ( entrevista com Alma Welt)
"Certas pessoas parecem ter uma profunda vocação para a infelicidade... A essas pessoas não conseguimos verdadeiramente ajudar ainda que tentemos. Elas frustram todos os esforços. A infelicidade nelas já se tornou uma segunda pele, às vezes um vício. Por algumas delas só resta orar, se o pudermos fazer com alguma sinceridade..." (Alma Welt)
"Acredito que os distúrbios da psique e as doenças mentais ocorrem quando uma pessoa vive em contrariedade com seu destino, quero dizer sem sintonia com ele. Mas, podemos conhecer nosso destino? Como caminho a trilhar, certamente sim, embora não como final, desenlace. A harmonia ou não com o nosso caminho escolhido, a parte que pertence ao nosso livre arbítrio, a gente sente e é visível no dia-a-dia. Aqueles que contrariam seu destino, estão fadados à infelicidade, ou pior, à mediocridade." (Alma Welt)
"Apesar dos políticos dirigirem o mundo, não são os seus pensamentos que nos governam. Muito pouco do que dizem é aproveitável a longo prazo. São os pensamentos dos filósofos e poetas imortais que nos governam e que nos dotam de parâmetros para julgar os políticos, quase sempre poderosos delinquentes..." (Alma Welt)
"Se os descaminhos que tomamos na adolescência fossem decisivos, a maioria de nós permaneceria delinquente para o resto da vida. Felizmente essa fase não passa de uma doença passageira na maioria das vezes. Bem... na verdade, uma grande parte de cada geração permanece nela até a velhice, infantilizada no mau sentido, falando e fazendo besteiras perigosas..." ( Alma Welt)
"Todo artista é um artista de palco, não é preciso ser um ator. Queremos exibir nossas artes, e se possível receber aplausos, nossa motivação única. A recompensa monetária nunca é a motivação primeira de um verdadeiro artista. Somos movidos exatamente pela mesma vaidade do pavão que abre seu leque. Sim, somos brilhantes e deslumbrantes, mas um tanto ingênuos. " (entrevista com Alma Welt)
terça-feira, 15 de novembro de 2016
"Observando a Natureza, a crueldade intrínseca da vida me revoltou, e me indignou, quando guria. Meu pai um dia denunciou isso em mim como um sintoma de orgulho renitente. "Quem é você minha filha, para condenar a vida? Não sabes que esse foi o pecado de Lúcifer? Pensas que ele se considerava mau? Ele se considerava melhor que Deus, mais generoso que Deus!" ( entrevista com Alma Welt)
"Algumas pessoas são tão fúteis, que não sofrem. Custei a acreditar nisso, porque, afinal, não as acompanhamos na intimidade de seus espelhos matinais ou noturnos. Quando afinal tive disso convicção, percebi que essas pessoas possuem uma espécie de esperteza obtusa, e por isso frequentemente obtêm sucesso na vida..." ( Alma Welt)
"Certas pessoas parecem ter uma profunda vocação para a infelicidade... A essas pessoas não conseguimos verdadeiramente ajudar ainda que tentemos. Elas frustram todos os esforços. A infelicidade nelas já se tornou uma segunda pele, às vezes um vício. Por algumas delas só resta orar, se o pudermos fazer com alguma sinceridade..." (Alma Welt)
"Acredito que os distúrbios da psique e as doenças mentais ocorrem quando uma pessoa vive em contrariedade com seu destino, quero dizer sem sintonia com ele. Mas, podemos conhecer nosso destino? Como caminho a trilhar, certamente sim, embora não como final, desenlace. A harmonia ou não com o nosso caminho escolhido, a parte que pertence ao nosso livre arbítrio, a gente sente e é visível no dia-a-dia. Aqueles que contrariam seu destino, estão fadados à infelicidade, ou pior, à mediocridade." (Alma Welt)
domingo, 13 de novembro de 2016
"Apesar dos políticos dirigirem o mundo, não são os seus pensamentos que nos governam. Muito pouco do que dizem é aproveitável a longo prazo. São os pensamentos dos filósofos e poetas imortais que nos governam e que nos dotam de parâmetros para julgar os políticos, quase sempre poderosos delinquentes..." (Alma Welt)
"Se os descaminhos que tomamos na adolescência fossem decisivos, a maioria de nós permaneceria delinquente para o resto da vida. Felizmente essa fase não passa de uma doença passageira na maioria das vezes. Bem... na verdade, uma grande parte de cada geração permanece nela até a velhice, infantilizada no mau sentido, falando e fazendo besteiras perigosas..." ( Alma Welt)
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
"Todo artista é um artista de palco, não é preciso ser um ator. Queremos exibir nossas artes, e se possível receber aplausos, nossa motivação única. A recompensa monetária nunca é a motivação primeira de um verdadeiro artista. Somos movidos exatamente pela mesma vaidade do pavão que abre seu leque. Sim, somos brilhantes e deslumbrantes, mas um tanto ingênuos. " (entrevista com Alma Welt)
domingo, 16 de outubro de 2016
"Muitas pessoas se empenham em atacar e destruir mitos, como se isso fosse uma coisa boa para o sentido de realidade. Ora, os mitos são necessários como alimento poético da alma. Eu não quereria viver num mundo que não tivesse construído a deliciosa fábula do Paraíso Perdido e a maravilhosa estória da Arca de Noé, por exemplo..." (Alma Welt)
Leon Tolstoi disse, de maneira, um tanto ferina: "Dostoiévski, Turgueniev, Tchecov, e até Gorki, todos saíram de debaixo do capote de Gogol...* "
Notas
* capote de Gogol, - alusão ao magistral conto O Capote, de Nikolai Gogol, que juntamente com um outro conto seu, O Nariz, certamente influenciou pelo menos Dostoiévski.
* capote de Gogol, - alusão ao magistral conto O Capote, de Nikolai Gogol, que juntamente com um outro conto seu, O Nariz, certamente influenciou pelo menos Dostoiévski.
Tolstoi, que morreu em odores de santidade, como crítico era mordaz. Tinha uma ponta de ciúmes de Dostoiévski, que na verdade, como escritor era tão grande quanto ele, se não maior. Quando Dostoiévski morreu, Tolstoi disse, injustamente: "Morreu o nosso Marquês de Sade".
"A dor e a alegria de existir, quando expressas em Arte nos alivia e recompensa. Quanto a mim, não sei como seria se não houvesse essa possibilidade. Presumo que me esvairia à primeira ocorrência de uma ou de outra. Não consigo imaginar a vida sem essa possibilidade de transcendência, oferecida pela Arte em nós." (entrevista com Alma Welt)
"Fui criada no meio dos livros da biblioteca de meu pai, na estância pampiana de meus avós, rudes agricultores alemães emigrados dos Sudetos da Tchekoslováquia, antes da Segunda Grande Guerra. Isso foi decisivo no meu destino, porque quando uma criança começa cedo a ler muito, a boa literatura clássica infantil primeiramente (começando pelos contos de fadas de Andersen, Grimm e Perreault, logo passando por Lewis Carrol, de Alice no País das Maravilhas para chegar em Tom Sawyer e no Huckleberry Finn, de Mark Twain), essa criança terá necessariamente uma vida interior muito rica, que abrangerá até mesmo uma certa dimensão poética. Sim, porque os limites entre a ficção e a realidade na alma infantil nunca foram claramente definidos, uma vez que somos muito mais o que pensamos e sonhamos, do que as nossas eventuais pobres circunstâncias..." (Alma Welt)
"Apesar de sua propalada fama de crueldade, o Tempo tem a simpática faceta de corrigir, amainar e acomodar. Não há nada que o Tempo não apazigue ou adormeça. Naturalmente, sendo também um deus de duas faces (como Janus), o segredo está em encararmos sempre esta face, a reconciliadora..." (Alma Welt)
sábado, 17 de setembro de 2016
"Não há nada mais parecido com um romance do que a vida real. E nem podemos escolher o gênero desse romance que viveremos. À alguns caberá o realista, a outros o de terror, a outros somente o "noir", a outros o romântico mesmo. A saga épica cabe a muito poucos. Aos intelectuais eruditos, o prefácio, e as notas de pé de página. Ah! Aos artistas a capa e as ilustrações. Às vezes, dentro, um personagem patético, como o bobo da corte." ( Alma Welt)
"Escrever é a suprema afirmação do eu... do ego, se quiserem. Por isso quase todo mundo escreve, inclusive alguns analfabetos. Entretanto, paradoxalmente, os melhores livros são os que escondem o ego do autor e dão vida a personagens totalmente diferentes dele mesmo. Sou insuspeita para dizer isso pois sou uma escritora confessional, sempre na primeira pessoa, falando sempre de mim. O que me justifica? Descobri com o famoso crítico inglês Herbert Reed (já falecido) que pertenço a um tipo de poeta classificado por ele como " o egotista sublime" , isto é, parto de mim mesma para atingir uma universalidade. "Fale com profundidade e graça de sua aldeia e conquistarás o mundo inteiro". Fale de si com absoluta sinceridade e desnudamento, e atingirás o universal..." (entrevista com Alma Welt)
"Ainda quando criança, eu costumava entrar na biblioteca de meu pai, escondida, quando ele não estava em casa, para olhar as lombadas dos livros e descobrir alguma coisa espantosa, uma espécie de segredo camuflado. Bem... quase tudo o era. Eu retirava aleatoriamente ou pelo titulo sugestivo, somente um deles da estante, de cada vez, e o folheava a esmo lendo algum parágrafo. Era como olhar por uma fresta, o mundo se abria. Eu iria ler tudo, eu me prometia. E eu iria escrever também, porque não poderia haver nada mais secreto. E os segredos, me parecia, eram feitos para serem descobertos por pessoas como eu, que prometia passá-los adiante sem traí-los..." (Alma Welt)
" Demasiado já foi dito sobre o Amor. Entretanto quero dizer que o Amor é a única razão da Vida existir sobre a Terra.Tentem, por exemplo, imaginar um mundo com ausência total do Amor. É impossível, a menos que possamos imaginar claramente um inferno ininterrupto, sem tréguas, entre os homens. Somente Satã pode imaginá-lo e ainda persegui-lo como seu pesadelo preferido." ( Alma Welt)
"A controvérsia sobre o Mal é uma das mais perturbadoras e frustrantes experiências que uma pessoa honesta e sensível. pode observar. Me refiro ao fato de que o Mal tem defensores ferrenhos e frequentemente de boa fé, iludidos ou não. Um grande número de pessoas aparentemente normais que acreditam nos maus e tomam seu partido. Não há unanimidade sobre as naturezas do Bem e do Mal na humanidade, que reduziu estes princípios fundamentais a meros pontos de vista. Esta é razão da persistência e frequentemente da supremacia do Mal no mundo." (Alma Welt)
REFLEXÃO SOBRE O EGOTISMO
O egotismo é geralmente considerado um defeito de caráter vergonhoso. Entretanto todos somos egotistas em maior ou menor grau, tal é a natureza humana. O mundo gira em torno do nosso umbigo; somos, cada um de nós para nós mesmos, o centro do Universo. Enquanto isso não produz delinquência, crimes, assassinatos, a mim me causa até um certo enternecimento... Entretanto podemos fazer um ressalva, no caso de um tipo de poeta, em geral os melhores, que o grande crítico inglês Herbert Reed denominou "o egotista sublime", aquele que se coloca o tempo todo, confessional ou auto proclamador, centro luminoso do universo, com todo direito a sê-lo, pois se coloca sobretudo como espelho da humanidade, para o bem e para o mal, nas suas misérias e glórias, ou seja, no seu patético universal. Em geral os leitores costumam se espelhar ao contrário em tais poetas, e nisso consiste o fenômeno da catarse, tão necessário. O lado escuro desperta ou reflete o nosso lado claro, o esquerdo o direito, e vice versa. Mas pensando bem, todo espelho, mesmo o de vidro ou cristal não faz a mesma coisa? Talvez por isso gostamos de nos mirar nos espelhos, esses objetos estranhamente lisonjeiros..." ( Alma Welt)
"Todos temos o direito de falar de nós mesmos, mas desde que isso possa ser do interesse alheio. Como pode ser isso? Revestindo de beleza ou força o que se confessa. Tudo é uma questão de estética, timbre, intensidade, harmonia... e o insólito da criação, que esse não podemos explicar. Enfim... torne-se poeta e podes te queixar ou até mesmo vangloriar: de Leopardi a Walt Withman... " (Alma Welt)
terça-feira, 16 de agosto de 2016
"Como escritora considero que o verdadeiro leitor, aquele que ama a literatura, não é o que se identifica com as palavras e pensamentos do autor, mas sim aquele que admira esses pensamentos e mesmo os inveja por sentir que eles o superam e o fazem sonhar ou imaginar outras vidas bem mais interessantes que a sua própria. Identificar-se com o texto é suspeito, e geralmente falso." (Alma Welt)
segunda-feira, 25 de julho de 2016
"Quando criança ganhei de uma tia um álbum de diário com um fecho e pequeno cadeado, que à primeira vista adorei. Entretanto esse fecho logo me pareceu absurdo e frustrante para quem, como eu, queria tanto ser uma escritora e poetisa, isto é, alguém lida por todo mundo, se possível. Joguei fora o cadeado, meus segredos haveriam de nascer violados e para isso eu faria de cada leitor meu confidente: esse seria o tom de meu discurso poético e literário: eu seria uma despudorada e íntima confessional..." (Alma Welt)
"Cada qual com suas artes", dizia minha avó Frida. Quando guria acostumei-me com seus ditos e ditados, nem sempre entendendo bem o quê ela queria dizer. Mas, neste caso, creio que ela se referia à singularidade do testemunho de cada um de nós na vida, algo não muito óbvio quando pensamos no espírito de manada que também subsiste na humanidade. Olhemos mais de perto: é de longe que todos os gatos são pardos..." (Alma Welt)
"Estou convencida de que a verdadeira poesia nasce de um cínico pessimismo, da mesma raiz do humor. A pieguice e as boas intenções de certos pseudo-poemas me nauseiam. Entretanto a maioria das pessoas pensa que os melhores poemas são os edificantes e de fundo moral. Ledo engano! A poesia serve para despertar nossa consciência rebelde, e frequentemente nos comove quando há nela um certo teor de legítima auto-piedade..." (Alma Welt)
sábado, 23 de julho de 2016
"Temos que cumprir nosso destino e ele é sempre solitário, malgrado a nossa, por vezes, imensa sociabilidade. Ninguém vestirá a nossa pele, assim como não cabemos na de outrem. A beleza do nosso destino se revela quando o aceitamos plenamente, por mais humilde e obscuro que seja. A poética da vida pertence a todos, indiscriminadamente..." (Alma Welt)
domingo, 17 de julho de 2016
"Reconheço que a minha escritura, toda ela, é de fundo romântico, mas, espero, no melhor sentido do termo. Desprezo o romantismo piegas do século vinte, mormente na maioria da música popular. A meu ver, a canção popular brasileira que atingiu um máximo de refinamento estético e espiritual é "As rosas não falam", do Cartola, música que considero sublime ." (entrevista com Alma Welt)
"É curioso, mas nunca pensei na Arte como finalidade social, mas secretamente, talvez mesmo anti social. Sei que isso é um paradoxo, pois não existe teatro, música, dança, literatura, e pintura sem platéia. Mas creio numa motivação solitária do Artista, embora tenha horror à solidão. Que motivação original é essa? Estou certa de que é a rebeldia contra o anátema divino, nossa parcela roubada do paraíso negado..." (Alma Welt)
"É uma lástima que a vida em sociedade tenha que ser regida pela política, que é uma arte espúria, profundamente contaminada pelo dinheiro. Lamentavelmente a essência da sociedade é a corrupção. Quanto aos "bem intencionados", que lutam por sua moralidade... o Inferno está cheio deles, pois são os primeiros a ambicionar o poder, a pretexto de mudanças..." (Alma Welt)
sexta-feira, 20 de maio de 2016
"A vida de um ser
humano deve ser pautada por uma procura incessante, não importa de quê: da
felicidade, do amor, da arte, da ciência, do conhecimento, do
auto-conhecimento, da fortuna, da paz ou do esclarecimento do mistério da
própria vida... Sem procura a vida se torna bovina, e se amesquinha..."
(Alma Welt)
A oração poética que
eu escolheria como melhor epitáfio seria esta, encontrada gravada na urna
dourada do sarcófago do faraó Tutankamon:
"Ó Mãe Nut, abre as tuas asas sobre mim como as imperecíveis estrelas!"
(Alma Welt)
"Ó Mãe Nut, abre as tuas asas sobre mim como as imperecíveis estrelas!"
(Alma Welt)
"O presente
também é feito de memórias... feliz o homem que conservou boas recordações. Ai
daquele que guardou ressentimentos!" (Alma Welt)
"Não gosto da
palavra "projeto" relacionada à obra de arte. Arte é, e pronto."
(Alma Welt)
"Deus fez a vida
imperfeita para espreitar nossa tolerância. Uma espécie de
"pegadinha" divina..." (Alma Welt)
"Tuas obras falam
por ti. Não tentes falar por tuas obras, elas se diminuirão." (Alma Welt)
"É melhor uma
inveja confessada do que disfarçada. Mas nunca a chames de "boa".
Nenhum dos "sete pecados capitais" é bom em nenhuma hipótese.
Qualquer um deles, cultivado, te destruirá." (Alma Welt)
"Estamos todos no
mesmo barco. O problema é que não remamos todos na mesma direção. O barco
humano roda e dança. E quanto espalhafato!" (Alma Welt)
"A grande
tragédia das sociedades humanas civilizadas é não poder prescindir nem do
dinheiro nem da política: juntos, dois demônios institucionais." (Alma
Welt)
"Há um fundo real
de horror constante na Vida, de que somente os mais lúcidos se apercebem. Nesse
sentido toda felicidade é uma espécie de alienação abençoada..." (Alma
Welt)
"O verdadeiro
senso de humor deriva sempre da mesma fonte auto consciente: o patético
fundamental em nossas vidas." (Alma Welt)
"Hoje em dia fala-se da "elite" como se fosse um palavrão, algo pejorativo. Me parece uma tremenda inversão de valores. Elite queria dizer melhor, superior. Bah! Superior? Outra palavra caída em desgraça. Mas compreendo: estamos numa sociedade de massas, que obriga a nivelar por baixo..."
(entrevista com Alma Welt)
(entrevista com Alma Welt)
sábado, 23 de abril de 2016
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
"Ser feliz torna nosso ritmo mais lento, desacelera nossos batimentos. Os eufóricos estranham, não reconhecem mais a felicidade, sua serenidade os confunde, pensam no tédio... igualmente os infelizes rejeitam seu compasso, acostumados com um boogie woogie infernal. Só os felizes se ajeitam com felicidade..." ( Alma Welt)
"Vocês querem um fecho para esta entrevista? Então ouçam: A jornada de um ser humano sobre a terra, é invariavelmente uma jornada triste. Há momentos alegres, sem dúvida, e até humorísticos. Mas o tom geral é o grave e melancólico de uma marcha fúnebre, que será a nossa última caminhada. Então, vez por outra, cantemos e brindemos como se estivéssemos no banquete dos deuses do Walhalla ou do Olimpo. Nossa dignidade assim o quer!" (entrevista com Alma Welt)
"A história de qualquer pessoa quando vista em retrospectiva biográfica é sempre muito triste e bela, principalmente se, por vezes, nos faz também rir, o que evidencia a natureza tragicômica da existência humana, o timbre patético de nossas vidas. Mas isso também é a nossa glória, dificilmente nos entregamos logo nesse mar adverso. Nosso impulso vital é sempre heroico. E o melhor herói é o que ri e dança no meio da tempestade..." (Alma Welt)
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