Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
sábado, 26 de janeiro de 2013
"Existe uma "má consciência" em relação ao sexo que faz com que seja visto com malícia e vulgaridade pela maioria das pessoas, embora praticando-o regularmente por causa do seu apelo poderoso de instinto primordial. A causa simbólica dessa "demonização" do sexo é chamada de "pecado original" e entrou no inconsciente coletivo. Sempre detectei um fundo de tristeza no sexo da humanidade. E isso não é óbvio, mas sutil enquanto generalização.Tristeza, sim, como essência do ser humano, que vive, quer viver e ter prazer, mas sabe que deve morrer..." (Alma Welt)
"Por um permanente medo da liberdade e da solidão o ser humano criou a civilização e as leis, que são coercitivas por natureza. Então, incoerentes, em nome mesmo da civilização passamos a reivindicar a liberdade e a individualidade como se não as temêssemos e como se não as tivéssemos destruido pela base..." ( Alma Welt)
Discute-se a crise energética no mundo todo, e cogita-se em fontes alternativas de energia. Entretanto, como Dante Alighieri enunciou que “o Amor move o sol e as outras estrelas”, tomo ao pé da letra que a questão energética poderia ser resolvida pelo Amor, qualquer que seja a maneira de entendermos sua forma de atuação.” (entrevista com Alma Welt)
"Me perguntam o quê é preciso para se escrever, seja prosa ou poesia. Em vez de dizer que é preciso apenas ter-se nascido escritor ou poeta, eu prefiro responder que é preciso se ter um ideal, acreditar firmemente que se tem o quê dizer e por quê lutar, nem que seja simplesmente pela beleza. Sim, toda arte, se profunda, é afinal uma forma de militância..." (entrevista com Alma Welt)
domingo, 6 de janeiro de 2013
"Viver não nos é dado de graça, simplesmente. É uma operação complicada, de tentativas, apuro, aperfeiçoamento e busca de libertação por toda uma vida. Quando estamos quase prontos... morremos. Quero crer que no último segundo, o fatal, nos completamos. Há muita sabedoria que não é nossa, na Vida e na Morte..." (Alma Welt)
“O dom de nossos cinco sentidos! Só por eles devemos nos sentir gratos e agraciados! Tentem pensá-los suprimidos um a um... Não! Deus foi generoso ao dá-los a nós junto com o dom da vida. Não temos direito de sermos infelizes, suprema blasfêmia. Alegria, é o que Deus nos pede. Apenas alegria!” (Alma Welt)
"Desde pequenos intuímos que tudo na vida tem a sua contraparte negativa. Bem e Mal, Alegria e Tristeza.... Mas, e o Dia? Não a Noite com as maravilhas da lua, das estrelas, o sono e seus sonhos... Não, a noite não é a negação do dia. É onde todo o mistério da Vida repousa e se agita, nosso berçário das estrelas, de onde viemos e para onde voltaremos..." (Alma Welt)
“Quando guria eu vivia em lágrimas pela beleza de quase tudo. Uma irmã me chamava de “manteiga derretida”, a outra me abraçava ternamente, condoída. Nenhuma das duas podia realmente me compreender. Minha mãe, a bela Açoriana, abanava a cabeça. Meu pai, o Vati, me observava calado, eu não precisava me preocupar, ele me conhecia...” (entrevista com Alma Welt)
“A vida só é digna de ser vivida em plena arte. Vejam os pássaros que se realizam em suas cores, mas sobretudo no seu vôo, suprema arte. E as flores, que se apresentam em cores e perfumes deslumbrantes, somente para se reproduzirem... Assim, o homem que dedicar-se a uma arte, ou que souber viver em beleza, escapa de alguma forma à morte, ao aniquilamento. Não é o que toda vida quer? Perpetuar-se, viver, viver eternamente, como os deuses!” (Alma Welt)
“Todo segredo da arte consiste não “no que” está feito, mas “no como” está feito. Na pintura isso significa a maestria técnica, a destreza e até a malícia da pincelada. Nalguns casos até na ingenuidade pura e autêntica dessas pinceladas. Resumindo: um quadro é bom, quando está bem pintado, não importa o que ele represente. Se está bem pintado, atingiu a Pintura. Com todas as outras artes podemos d...izer a mesma coisa. O tema é de interesse secundário para os verdadeiros sensíveis à arte. O que interessa num balé é a destreza dos bailarinos, sua leveza e flexibilidade, também a originalidade da coreografia, a sincronia com a música, etc. “Mas... e as estórias que elas contam?” me perguntarão... Bah! As estórias serão sempre boas, quando bem contadas...” (Alma Welt)
“A pintura como arte é sempre realista. Por quê digo isto? Porque o pintor busca sempre tornar real, isto é, visível para si mesmo algo que o obseda naquele momento ou desde sempre. Quê imensa alegria uma pincelada sugestiva que o faça enxergar o que estava impregnado em seu espírito! Imaginei um pintor “abstracionista” que fosse apaixonado por chapas retorcidas de ferro velho enferrujadas. Quando... suas pinceladas ferruginosas o faziam vê-las, ele vibrava. Logo descobriu uma fórmula técnica para isso e se tornou um pintor conhecido. Percebia-se que era um pintor muito bom e autêntico, obsessivo como os melhores costumam ser. Aquelas pinceladas atingiram a verossimilhança que buscava, e então transcenderam: falavam de tudo, de toda a natureza, até mesmo do humano. Para os iniciados, era melhor: eram pura pintura, e isso bastava...” (Alma Welt)
"Não consigo ver sentido nem propósito no Mal. Acredito que o Bem existiria sem ele, sem precisar de contraste. Luz e sombra? Nada têm a ver com isso... não usemos mais a Poesia para justificar o Mal. A estórias? Bem... poderíamos começá-las assim: "Era uma vez, no tempo em que o Mal existia... " (entrevista com Alma Welt)
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