Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
"Tenho para mim que todo artista verdadeiro quando vende um trabalho, apesar da satisfação imediata lhe fica sempre a vaga e incômoda sensação de estar sendo um embusteiro, um vigarista. Isto porque a Arte é um dom divino e impagável. Além disso, quando o artista é muito bom, vem tão fácil e prazerosamente..." (Alma Welt)
domingo, 27 de novembro de 2011
"Temos que reconhecer: se a vida não fosse dura e cruel seríamos todos uns molengas preguiçosos e acomodados. Pois há uma enorme tendência no ser humano para a inércia e o comodismo. Há sempre sabedoria na Natureza, que prevalesce até mesmo na sociedade civilizada, que aliás continua ostentando sua essência selvagem..." (Alma Welt)
"Para mim, um país desenvolvido seria aquele em todas as pessoas tivessem um bom conhecimento da História de seu país, da História Universal e até da História da Arte. Sem isso o cidadão não tem uma visão clara de onde está, quem é, onde habita e a que veio. É um cego num mar de signos, e que nem sabe que é cego..." (Alma Welt)
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
"O fato do envelhecimento só ocorrer no nível celular, é um grande mistério e realmente aponta para imortalidade da alma, pois nela permanecemos os mesmos, jovens até o fim, ou às vezes até mesmo infantis e imaturos. Se envelhecêssemos na alma como no corpo, morreríamos de maneira deplorável, com a alma aos pedaços. Não é o que ocorre..." (Alma Welt)
"Ainda precisaremos alguns milênios para o ser humano superar o predador perigoso que há nele. Mas na mesma medida que em milhões de anos perdemos nossas garras e atrofiamos nossos caninos e maxilares, também abrandamos nossos instintos selvagens no dia a dia, a um nível mais ou menos criminoso num terço da população. Sejamos otimistas: apenas mais uns poucos milênios e nos tornaremos definitivamente humanos e cordiais." (Alma Welt)
"Acredito que cada ser humano em princípio se compõe de todos os elementos importantes da História da Humanidade, embora poucos estejam conscientes disso. É isso que se chama de "inconsciente coletivo". Se pudermos despertar essa memória profunda e ancestral, teremos um homem completo, integral. Isso é que Carl Jung chamava de "individuação". O Poeta é já esse homem... arauto e "vidente" como disse Rimbaud. Por enquanto falamos por todos, ainda por séculos, até o despertar comum e geral: a Aurora do Homem!" (Alma Welt)
"Creio que a sabedoria consiste sempre em meios de reconquistar a harmonia perdida com a Natureza. Todas as formas com que ela se reveste, a Sabedoria, são apenas adaptações dessa única finalidade. Por isso é tão fácil identificá-la em meio ao Caos de nossa vida na nossa pretensa sociedade civilizada..." (Alma Welt)
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
"Uma vez, quando guria, perguntei ao Vati o quê era a Guerra. Meu pai, médico, sendo de formação científica respondeu: "Filha, a Guerra é uma manifestação biológica: quando duas culturas de bactérias se encontram disputando um mesmo território, a mais forte lança um antibiótico sobre a outra." E me mostrou, tirando de sua gaveta, uma ilustração num compêndio médico. Passei a tarde pensando naquilo, mas como eu estava lendo Guerra e Paz, de Tolstoi, estava difícil reduzir aquela saga a uma placa de cultura. Demorei anos para perceber que a alegoria científica de meu pai era tão poética quanto qualquer outra, pois todas as alegorias tendem a minimizar a dor, o drama, a tragédia do ser humano..." (Alma Welt)
"Um parâmetro válido para avaliarmos se estamos usando de maneira correta a curta passagem que nos é dada no mundo, é, a cada noite na hora de dormir podermos nos congratular conosco mesmos de ter feito naquele dia algo bom e positivo para nós, que o seja igualmente para outros. Sem isso foi um dia perdido..." (Alma Welt)
domingo, 20 de novembro de 2011
"As palavras, apesar de serem um código comum estabelecido para comunicação e o entendimento, trazem consigo uma carga de subjetividade que é a verdadeira herança do anátema babélico de Deus. Por isso não temos certeza de estarmos sendo entendidos quando falamos, e menos ainda quando escrevemos, quando então cada leitor pode emprestar a cada palavra lida a entonação e a ênfase que que quiser. Pensando bem é uma grande infelicidade... A poesia tenta superar essa dificuldade, mas temos que reconhecer que a música e as artes plásticas superam a palavra em universalidade..." (Alma Welt)
A maior pulsão do ser humano é comunicar-se com os outros seres humanos. Tudo o mais são formas derivadas dessa intenção básica, primordial. Por isso os introvertidos sofrem tanto, trancados em si mesmos, não por simples vontade, certamente, mas encarcerados por maior orgulho ou vaidade." (Alma Welt)
"Naturalmente pode haver problemas insolúveis na nossa vida, mas sempre resta a alternativa de simplesmente os abandonarmos. Nossas avós diziam: "O que não tem solução, solucionado está." Então, anos mais à frente, descobrimos que não havia problema nenhum. Era tudo tolice da nossa parte e dos outros." (Alma Welt)
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
"Aos dez anos de idade escrevi um pequeno poema que me deslumbrou e corri a mostrá-lo ao meu pai. Este leu o poeminha e ficou pensativo, mas com um ligeiro sorriso. Eu, ansiosa, perguntei: "Não é mesmo bom, Vati? Não sou poeta?" E ele respondeu: "É, filha, é bastante bom. Mas só serás poeta quando tiveres escrito mil poemas igualmente bons ou melhores do que este." Eis aí o segredo da minha persistência..." (entrevista com Alma Welt)
"É muito difícil definir o Humor, que não é exatamente a sutil ironia embora esta certamente o contenha. Eu diria que o Humor é o desnudamento terno, mas súbito, de uma realidade ou pessoa numa situação conhecida e comum por sua aparência consagrada e pública. O elemento surpresa é importante: é preciso fazer cair subitamente a roupagem solene das coisas..." (Alma Welt)
"Quando o ser humano perde a perspectiva do sentido poético inerente a todas as coisas, sua vida se empobrece radicalmente sem que ele se dê conta. Isso só não acontece de maneira mais ampla e catastrófica graças à música popular, que de um jeito ou de outro, com bom ou mau gosto, mantém acesa a visão poética da vida, nas letras das canções e até mesmo na pura musicalidade. Podemos, pois, afirmar que o Homem não poderia viver sem a Poesia..." (Alma Welt)
"A insensatez do homem supera a sua razão, sua lógica e até o seu instinto de sobrevivência. Mas eu descobri a razão disso: é que a natureza criou esse mecanismo eliminador de vidas, para evitar uma explosão demográfica incontrolável, pois a insensatez produz verdadeira mortandade no mundo. Entretanto, esse mecanismo natural de defesa, a insensatez, já não surte mais efeito: houve a explosão demográfica que supera a mortandade que produzimos pelo álcool, pela poluição, pelas guerras, pelo cigarro e as outras drogas, pelo amor da violência e do crime, e pelo ódio básico que o homem têm à natureza e à vida, por rebeldia atávica e inconsciente ao anátema de Deus, que o jogou fora e contra a Natureza: "Parirás em dor... ganharás o pão com o suor do teu rosto... " (Alma Welt)
sábado, 12 de novembro de 2011
"Creio que podemos escolher o tom em que transcorrerá nossa vida, como drama, comédia ou tragédia, por exemplo. Os filósofos a põe fora desses tons, na contemplação ou no ceticismo, mas mais frequentemente no julgamento político e ético. Mas os artistas e poetas... intérpretes devotados que somos, escolhemos a paixão pura e simples pela própria Vida, a ponto de não a julgarmos nem escolhermos de fato uma moral. Nosso instrumento para isso é simplemente a Beleza, que para nós é a única verdade..." (Alma Welt)
"A todas as pessoas é dado ter uma atuação na vida e no mundo como atores, artistas ou atletas de si mesmos. Sim, uma performance que é avaliada por pequenas ou grandes platéias. É por isso que os discutíveis conceitos de sucesso e fracasso se aplicam a todos e não somente aos artistas e atletas profissionais. Os mais anônimos figurantes na vida podem encontrar seus fãs e sonhar com o estrelato. Estamos todos no páreo." (Alma Welt)
"A objetividade é desejável em todas as áreas do conhecimento humano. Por quê não o seria na poesia? Se "os versos são fruto da experiência e não dos sentimentos"* (Rilke), mais razão para se ser claro, cristalino. "Há poetas que turvam suas águas para parecerem profundas", disse Nietzsche... Quanto a mim, desconfio também das metáforas meramente formais e dos jogos de palavras. Para mim poesia é o olhar revelador do timbre sagrado de todas as coisas que vemos e tocamos... E até mesmo dos sentimentos, que assim se despem de toda pieguice..." (Alma Welt)
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
"Não é verdade que o homem é um ser social. Toda sociabilidade é essencialmente falsa. Vejamos por exemplo as reuniões sociais: há um visível mal-estar, bloqueios, barreiras, convenções, súbitas mudanças de foco... Falar por mais de 30 segundos de cada vez é considerado inconveniente, assim como insistir num assunto principalmente se fôr profundo. Na verdade ninguém se diverte. Já a amizade... isto é uma outra história!" (entrevista com Alma Welt)
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
"O amor foi confundido com a paixão até o começo do século XX. Somente em tempos recentes fazemos distinção entre estes dois sentimentos. Durante todo o período do Romantismo, do século XIII ao XIX, amor e paixão foram praticamente sinônimos em obras clássicas. Camões em seu famoso soneto sobre o amor, descreve essencialmente a paixão, em suas características mais dolorosas. A partir do começo do século passado, com a Psicanálise, começamos a distingüi-los, a estes dois gigantes da alma... Carl Jung, por exemplo, dizia que quando um indivíduo se apaixona, projeta a sua própria anima no objeto de sua paixão, tornando-se incapaz de vê-lo tal qual ele é." (Alma Welt)
Assinar:
Comentários (Atom)