Retrato autorizado de Alma Welt

Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sobre as pessoas comuns

Não gosto das pessoas comuns. Aquelas que só falam e pensam banalidades, vivendo no âmbito das coisas comezinhas do cotidiano, nem sequer imaginando que há outras maneiras de ser e de viver, mais profundas ou mais altas.
Antigamente os intelectuais e os artistas costumavam chamar essas pessoas de “burgueses”. Mario de Andrade, por exemplo, tem uma conhecida “Ode ao burguês” que desanca esse tipo humano pela sua insuportável pobreza interior, pela sua platitude ofensiva ao espírito. Infelizmente a grande maioria se encontra nessa categoria, e nisso consiste metade do problema da Humanidade. A outra metade do problema se encontra na presença dominante da Maldade entre os homens. Entretanto devo reconhecer, que se "de perto ninguém é normal", como disse uma vez o filósofo Caetano Veloso, bem de perto também ninguém é totalmente superficial. O ser humano se aliena por necessidade de iludir ou nublar a insidiosa consciência da solidão e da morte, que atormenta a todos. Por isso é a Arte uma linguagem universal, não só para os eleitos ou "profundos". (Alma Welt)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma obsessão americana (um pensamento de Alma Welt)

Sempre me perguntei a razão da obsessão dos norte-americanos com a figura do pistoleiro, ou da pessoa, homem ou mulher, com uma pistola, fuzil ou metralhadora apontando para todos os lados ou simplesmente atirando compulsivamente. É de uma vulgaridade alarmante! É estranho como eles não conseguem dispensar essas cenas e as colocam pelo menos uma vez até em seus raros filmes que não precisariam ter uma cena sequer de violência. É absolutamente idiota e repetitivo. E eu diria de efeito maligno e deletério comprovado. A estupidez humana não tem fim...
Uma vez, em Londres, aproveitando a presença de um americano de meia idade, namorado de uma amiga brasileira, perguntei a ele, porque eles valorizavam tanto a figura do inspetor de polícia ou do simples policial, a ponto de 95% de seus filmes girarem em torno dessa figura de funcionário público a que nós latinos não dávamos nenhum valor (até recentemente). A despeito do tom de candura com que tentei revestir meu questionamento e minha voz, a pergunta soou irônica e o rapaz se pôs na defensiva, se sentindo estranhamente ofendido. Argumentou, indignado, que se tratava da “luta entre o bem e o mal”, tema fundamental da condição humana. Mas não me convenceu. Creio que há maneiras mais sutis e mais profundas de abordar essa polaridade, dicotomia, ou mesmo escatologia inerente à humanidade. Já está na hora do cinema tratar os expectadores como adultos, que deveríamos ser...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sobre a existência de Deus (de Alma Welt)

A meu ver, não importa se alguém acredita ou não na existência de Deus. Não importa sequer se Ele realmente existe. O importante é viver como se Deus existisse. (Alma Welt)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um pensamento de Alma Welt sobre a Poesia

Se eu tivesse que fazer considerações sobre a Poesia,mas de fora da poesia, ou aconselhar um poeta mais jovem e inexperiente, eu diria:
Não se iludam, a grande poesia não é filosófica e muito menos moralista. Evita o conceitual e também o preconceito. Os bons poetas são aqueles que abordam tanto o lado claro como o obscuro das coisas e dos seres com a mesma intensidade e paixão. O poeta é aquele que é capaz de escrever poemas de igual e indistinguível interesse e valor tanto sobre uma cadeira, como sobre um ovo, uma árvore ou uma criança.
A sensibilidade, timbre e originalidade de visão é o que distingue o bom poeta. Também a paixão, naturalmente. Paixão pela vida, pelos seres e coisas. A intensidade é que distingue os grandes. Mesmo que a própria morte os apaixone e abisme. (Alma Welt)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sobre a insatisfação

A Insatisfação, por definição, não pode ser prenchida. Não tente resolvê-la. Prencha a sua vida com outras coisas. (Alma Welt)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Considerações realísticas e verossímeis, conquanto “politicamente incorretas” ( de Alma Welt)

Considerações realísticas e verossímeis, conquanto “politicamente incorretas” ( de Alma Welt)

Sobre os Bancos
Os Bancos são uma instituição básica e viceralmente perversa. Consiste na tentativa de legitimar um vício : a usura. Os banqueiros no seu início, na Idade Média pagavam juros às pessoas que lhes confiavam dinheiro para guardar ou aplicar em proveito próprio. Isso durou até o fim da primeira metade do século XX, mas depois deu-se a distorção maior, pois de lá para cá os depositantes agora pagam para os bancos guardarem e usarem o seu dinheiro. Os clientes fazem o papel de idiotas inconscientes enquanto os banqueiros são ladrões e vigaristas disfarçados sob uma capa de respeitabilidade que na verdade começa a ser desmascarada.

Sobre a Polícia

As pessoas comuns ingenuamente cobram da polícia proteção e até mesmo uma espécie de justiça preliminar. Entretanto isso é um equívoco, pois a raíz histórica da criação dessa instituição está na Guarda Pessoal dos reis, desde a antiguidade. No Império Romano estava na Guarda Pretoriana dos Césares. A polícia portanto foi criada com a finalidade de reprimir e controlar o povo em proveito dos nobres (ou das elites) . Isto ficou no inconsciente coletivo de qualquer policial individualmente, que no momento da escolha protegerá sempre o mais forte (vejam o caso da polícia militar que entregou três rapazes da favela na mão dos traficantes para serem torturados e mortos).

Sobre o dinheiro
O dinheiro é o sucedâneo da força, e portanto do poder. Podemos dizer que o próprio poder emana do dinheiro. A razão disso é a seguinte: no início das sociedades humanas, ainda tribais, os homens eram caçadores ou predadores. Aquele que trazia mais carne de caça para a caverna, catalisava o maior número de fêmeas portanto de filhos, o que lhe aumentava o prestígio entre os outros caçadores da tribo. Com o tempo o predador se tornou guerreiro e conquistador de outros povos e isso durou a maior parte da história da humanidade. Com a o advento da era industrial, o poder e a força deslocou-se para o homem do dinheiro, este como substituto simbólico do poder, portanto da força. Assim o homem mais atraente às mulheres continua sendo o mais forte, isto é, aquele que traz mais víveres e bens para dentro da “toca”. Agora o homem forte pode ser um baixinho barrigudo e careca, não precisa mais ter músculos, que não são mais sintomas de “força”.

Sobre a Política

A política é arte de seduzir as massas, e de negociar vantagens. A política nasce sempre da hipocrisia, pelas suas origens espúrias, pois nascida entre líderes fracos que temiam ser destronados pelas massas. Nesse sentido podemos dizer que a política é um “mal necessário”, pois segundo a definição de Voltaire, “a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.

Sobre o suposto aumento da violência e falta de segurança no mundo

Este é um dos maiores equívocos de julgamento popular do tempo atual. O mundo nunca foi menos violento ou mais seguro do que é hoje. Quem conhece história universal sabe que nunca houve uma década na história, ou mesmo um único ano em que não estivesse acontecendo um número enorme de guerras espalhadas em diferentes pontos do planeta, com massacres e ignomínias inenarráveis. A guerra é um dado comum na história dos povos, a ponto de controlar, junto com as pestes, a explosão demográfica que assim foi retardada até o século XIX.
Uma senhora idosa que conheci em São Paulo, me disse que não saía mais de casa devido à violência e à insegurança. Eu então lhe perguntei: “Senhora, a sua mocidade se passou na década de 30, não foi? E a senhora sabia o que estava acontecendo na Europa e na Ásia, enfim, no mundo, nesta época? A senhora é contemporânea da Segunda Guerra Mundial, onde mais de 50 milhões de pessoas morreram. A senhora ouviu falar dos campos de concentração nazistas onde seis milhões de judeus, ciganos e comunistas foram torturados e massacrados ou mortos de fome? A senhora sabia que os americanos jogaram duas bombas atômicas sobre cidades do Japão matando instantaneamente mais de 200.000 pessoas e muitos mais milhares a médio e longo prazo com queimaduras dolorosíssimas e doenças degenerativas, câncer, etc... ocasionadas pela radiotividade?”
A senhora, assustada, ficou um momento calada, confusa e então exclamou:
-“Ah! Mas a gente não ficava sabendo...”

Quero dizer com isso, que o único dado novo é desenvolvimento das comunicações iniciado como “Era” no final do século XX. Agora, se um ônibus mambembe de escola, no interior da Índia atravessar uma pinguela sobre um rio infestado de crocodilos, e desgovernado nele cair, saberemos de cada criança e de cada crocodilo devorando-as com detalhes, em tempo real. Possivelmente veremos a filmagem na televisão. O horror não terá mais limites...