Retrato autorizado de Alma Welt

Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001

segunda-feira, 25 de julho de 2016

"Quando criança ganhei de uma tia um álbum de diário com um fecho e pequeno cadeado, que à primeira vista adorei. Entretanto esse fecho logo me pareceu absurdo e frustrante para quem, como eu, queria tanto ser uma escritora e poetisa, isto é, alguém lida por todo mundo, se possível. Joguei fora o cadeado, meus segredos haveriam de nascer violados e para isso eu faria de cada leitor meu confidente: esse seria o tom de meu discurso poético e literário: eu seria uma despudorada e íntima confessional..." (Alma Welt)
"Cada qual com suas artes", dizia minha avó Frida. Quando guria acostumei-me com seus ditos e ditados, nem sempre entendendo bem o quê ela queria dizer. Mas, neste caso, creio que ela se referia à singularidade do testemunho de cada um de nós na vida, algo não muito óbvio quando pensamos no espírito de manada que também subsiste na humanidade. Olhemos mais de perto: é de longe que todos os gatos são pardos..." (Alma Welt)
"Estou convencida de que a verdadeira poesia nasce de um cínico pessimismo, da mesma raiz do humor. A pieguice e as boas intenções de certos pseudo-poemas me nauseiam. Entretanto a maioria das pessoas pensa que os melhores poemas são os edificantes e de fundo moral. Ledo engano! A poesia serve para despertar nossa consciência rebelde, e frequentemente nos comove quando há nela um certo teor de legítima auto-piedade..." (Alma Welt)

sábado, 23 de julho de 2016

"Temos que cumprir nosso destino e ele é sempre solitário, malgrado a nossa, por vezes, imensa sociabilidade. Ninguém vestirá a nossa pele, assim como não cabemos na de outrem. A beleza do nosso destino se revela quando o aceitamos plenamente, por mais humilde e obscuro que seja. A poética da vida pertence a todos, indiscriminadamente..." (Alma Welt)

domingo, 17 de julho de 2016

"É preciso muito esforço para superar a platitude, isto é, a mediocridade. Para cima é sempre uma luta heroica, seja na física dos corpos, como na do espírito." (Alma Welt)
"Quando ninguém mais nos pergunta qualquer coisa, é que a solidão do mundo então chegou..." (Alma Welt)
"Reconheço que a minha escritura, toda ela, é de fundo romântico, mas, espero, no melhor sentido do termo. Desprezo o romantismo piegas do século vinte, mormente na maioria da música popular. A meu ver, a canção popular brasileira que atingiu um máximo de refinamento estético e espiritual é "As rosas não falam", do Cartola, música que considero sublime ." (entrevista com Alma Welt)
"A beleza e o amor são as únicas coisas que fazem sentido pleno e acabado na vida. O resto todo parece experimental e falhado, duvidoso, inclusive as religiões..." (Alma Welt)
"A língua portuguesa é tão rica, difícil e erudita, que o nosso povo não consegue falá-la e muito menos escrevê-la..." (Alma Welt)
"A utilidade é uma função artificial, humana. A vida, em si, é perfeitamente inútil, pois acaba em morte e aniquilamento, tenha o homem feito o bem ou o mal. Nihilismo? Bem... por rebeldia criemos beleza enquanto a morte não vem..." (Alma Welt)
"A morte não é natural, é sempre absurda. Por isso vivemos no limite da racionalidade, na fronteira da loucura... da falta de sentido." (Alma Welt)
"O ser humano se eleva quando tem compromisso com a verdade. Entretanto a verdade é relativizada pelos pontos de vista. Mas o hipócrita, aquele que trai sua verdade, é pior que o mentiroso sem compromisso." (Alma Welt)
"De que eu mais gostaria na vida? De que Deus existisse de verdade... e fosse bom e generoso como as pessoas tanto desejam. Ah! E que eu tivesse fé n'Ele, claro..." (entrevista com Alma Welt)
"Todas as vidas são enigmas. Absolutamente todas. Viver não é algo que se explica por si mesmo. Até hoje ninguém explicou de maneira razoável por que vivemos. É mais fácil explicar por que morremos" . ( Alma Welt)
"A verdade é que a invenção do dinheiro amesquinhou muito a humanidade, de maneira irreversível..." (Alma Welt)
"A Arte começa a existir quando uma pessoa faz o máximo que pode. Então por quê todos não fazem Arte? Porque simplesmente nem todos fazem tudo o que podem, porque fazê-lo é quase mortal..." (Alma Welt)
"Se por acaso ou intensa procura encontramos neste mundo a verdadeira beleza, temos o dever de anunciá-la e exibi-la aos outros, mesmo sob pena de indiferença..." (Alma Welt)
"O que entendo como uma bela vida? Creio que é uma constante reação e combate aos horrores da própria vida." (Alma Welt)
"O mais difícil é, no mundo confuso em que vivemos, mantermos uma relativa clareza e coerência. Atualmente o heroísmo se resume a isto: integridade sem fanatismo." (Alma Welt)
"É curioso, mas nunca pensei na Arte como finalidade social, mas secretamente, talvez mesmo anti social. Sei que isso é um paradoxo, pois não existe teatro, música, dança, literatura, e pintura sem platéia. Mas creio numa motivação solitária do Artista, embora tenha horror à solidão. Que motivação original é essa? Estou certa de que é a rebeldia contra o anátema divino, nossa parcela roubada do paraíso negado..." (Alma Welt)
"É uma lástima que a vida em sociedade tenha que ser regida pela política, que é uma arte espúria, profundamente contaminada pelo dinheiro. Lamentavelmente a essência da sociedade é a corrupção. Quanto aos "bem intencionados", que lutam por sua moralidade... o Inferno está cheio deles, pois são os primeiros a ambicionar o poder, a pretexto de mudanças..." (Alma Welt)
"A poesia é um senso, um viés do mundo, uma nota, um tom. A poesia não tem definição, mas sabemos quando estamos diante dela mesmo quando não há versos, quando não há quase nada..." (Alma Welt)