Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
segunda-feira, 25 de julho de 2016
"Quando criança ganhei de uma tia um álbum de diário com um fecho e pequeno cadeado, que à primeira vista adorei. Entretanto esse fecho logo me pareceu absurdo e frustrante para quem, como eu, queria tanto ser uma escritora e poetisa, isto é, alguém lida por todo mundo, se possível. Joguei fora o cadeado, meus segredos haveriam de nascer violados e para isso eu faria de cada leitor meu confidente: esse seria o tom de meu discurso poético e literário: eu seria uma despudorada e íntima confessional..." (Alma Welt)
"Cada qual com suas artes", dizia minha avó Frida. Quando guria acostumei-me com seus ditos e ditados, nem sempre entendendo bem o quê ela queria dizer. Mas, neste caso, creio que ela se referia à singularidade do testemunho de cada um de nós na vida, algo não muito óbvio quando pensamos no espírito de manada que também subsiste na humanidade. Olhemos mais de perto: é de longe que todos os gatos são pardos..." (Alma Welt)
"Estou convencida de que a verdadeira poesia nasce de um cínico pessimismo, da mesma raiz do humor. A pieguice e as boas intenções de certos pseudo-poemas me nauseiam. Entretanto a maioria das pessoas pensa que os melhores poemas são os edificantes e de fundo moral. Ledo engano! A poesia serve para despertar nossa consciência rebelde, e frequentemente nos comove quando há nela um certo teor de legítima auto-piedade..." (Alma Welt)
sábado, 23 de julho de 2016
"Temos que cumprir nosso destino e ele é sempre solitário, malgrado a nossa, por vezes, imensa sociabilidade. Ninguém vestirá a nossa pele, assim como não cabemos na de outrem. A beleza do nosso destino se revela quando o aceitamos plenamente, por mais humilde e obscuro que seja. A poética da vida pertence a todos, indiscriminadamente..." (Alma Welt)
domingo, 17 de julho de 2016
"Reconheço que a minha escritura, toda ela, é de fundo romântico, mas, espero, no melhor sentido do termo. Desprezo o romantismo piegas do século vinte, mormente na maioria da música popular. A meu ver, a canção popular brasileira que atingiu um máximo de refinamento estético e espiritual é "As rosas não falam", do Cartola, música que considero sublime ." (entrevista com Alma Welt)
"É curioso, mas nunca pensei na Arte como finalidade social, mas secretamente, talvez mesmo anti social. Sei que isso é um paradoxo, pois não existe teatro, música, dança, literatura, e pintura sem platéia. Mas creio numa motivação solitária do Artista, embora tenha horror à solidão. Que motivação original é essa? Estou certa de que é a rebeldia contra o anátema divino, nossa parcela roubada do paraíso negado..." (Alma Welt)
"É uma lástima que a vida em sociedade tenha que ser regida pela política, que é uma arte espúria, profundamente contaminada pelo dinheiro. Lamentavelmente a essência da sociedade é a corrupção. Quanto aos "bem intencionados", que lutam por sua moralidade... o Inferno está cheio deles, pois são os primeiros a ambicionar o poder, a pretexto de mudanças..." (Alma Welt)
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