Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
"Depois da Sarça Ardente e de sua voz no Monte Sinai, Deus nunca mais apareceu para os homens. Alguns filósofos afirmam mesmo que Ele morreu. Mas creio que Deus preferiu uma postura mais contemplativa e búdica, como já o tivera muito antes, durante o incompreensível e demasiado longo Império dos Dinossauros..." (Alma Welt)
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
"Quando eu era guria o mundo ao meu redor me parecia tão belo que quando alguma coisa destoava, em geral pequenas injustiças perturbadoras, eu as via como vindas de fora do mundo, intrusas quase irreais. Perceber com o tempo que elas são inerentes ao mundo tornou-me poeta. Para combater as injustiças? Não! Para adaptar-me e sofrer menos." (entrevista com Alma Welt)
"A verdadeira vida é o que deveria ser, e não o que é. Assim pensa o idealista. Quanto ao Artista, a vida é fascinante tal qual é, até mesmo quando é um horror. Então o artista e o idealista não são o mesmo? Certamente que não. Nunca vi um bom artista que quisesse mudar o mundo de fato, já que o faz todo dia, ao seu bel prazer..." (Alma Welt)
"Pensando bem, é difícil compreender a existência e a trajetória dos ditadores. Como pode um homem arregimentar tantas pessoas a seu comando, e tantos asseclas na opressão da população de um país, no saque e frequentemente no genocídio? Que influência poderosa eles exercem sobre as massas! Quê estrutura maligna os ditadores montam! Como são difíceis de derrubar ! Quê força tem o Mal! " (Alma Welt)
terça-feira, 28 de outubro de 2014
"Leonardo Da Vinci teria dito ao seu discípulo, Giovanni Boltraffio: "Se queres ser um Artista, não deves sofrer senão pela tua Arte". O pobre rapaz, talentoso mas não vocacionado, atormentado entre as idéias de Savonarola e Da Vinci, incompatíveis, acabou se suicidando. O Mestre encontrou-o enforcado na trave do telhado do ateliê. Leonardo nunca mencionou isso em nenhum de seus códices, que, aliás, jamais foram íntimos ou pessoais. E se muito sofreu, jamais saberemos..." (Alma Welt)
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
"Fomos expulsos irremediavelmente do Éden? Não! O Paraiso Terrestre apenas se tornou oculto, encantado. O Jardim do Éden é a própria Natureza maravilhosa do nosso planeta (Gaia) e com a qual perdemos a harmonia pela nossa "auto-expulsão" primordial. Portanto, o Paraiso continua ao nosso alcance dependendo da nossa disposição positiva em relação ao ambiente natural..." (Alma Welt)
"Creio que não se faça verdadeira arte para agradar um público, nem sequer para movê-lo ou provocá-lo. O artista anseia se expressar, isto é, dividir com outros sua visão do mundo para escapar ao horror de sua solidão inominável. E se lograr divertir ou comover, essa expressão foi conseguida..." (Alma Welt)
sábado, 19 de julho de 2014
sábado, 12 de julho de 2014
segunda-feira, 7 de julho de 2014
sábado, 5 de julho de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
"A fidelidade de uma vida inteira aos propósitos de sua infância caracterizam o artista. Não há persistência maior, podemos chamar de obsessão. Se fores um pintor estarás talvez perseguindo aquele quadrinho que não conseguiste terminar quando soou a campainha. Ou que lhe foi arrancado das mãos..." (Alma Welt)
quarta-feira, 30 de abril de 2014
"Sempre senti que a cada verso me construo. Por isso não pude parar. Sou uma criatura em permanente processo, em permanente edificação como a Babel dos homens. E como a Torre, também desmoronando e subindo no centro da algaravia do mundo. Mas esse é o destino do Poeta, patético e resoluto arquiteto das palavras, tão destruidor quanto construtor..." (Alma Welt)
domingo, 23 de março de 2014
"A Terra, nosso planeta é tão belo, sua Natureza é tão deslumbrante, que todos já sabemos que ele é mesmo o Éden, com o qual, por rebeldia, perdemos a sintonia primordial... Mas, vejam, podemos recuperá-la! Deixemos o ressentimento pelo milenar exílio. A harmonia é a sintonia fina que só o Amor consegue..." (Alma Welt)
"Reparem nessa depressão sobre o nosso lábio superior... Um anjo de Deus, zeloso, selou nosso lábios com o polegar, quando nossa argila ainda era fresca e macia, em nosso sono debaixo da árvore do Paraíso. Por isso, se podemos falar, temos dificuldade em nos comunicar em plenitude. Mas também é verdade que Deus tramou toda a farsa da maçã para nos dar a Arte, que compensaria a nossa pequena deficiência leporina..." (Alma Welt)
quinta-feira, 20 de março de 2014
"Os dons especiais que recebeste exigem a mais absoluta dedicação. Isso te acarretará acusações de egoísmo e lágrimas alheias. São as primeiras provas. Outras lágrimas serão as tuas mesmas. Poderás vertê-las, é teu direito.... mas ai de ti se blasfemares contra os teus dons pelo sofrimento que te causam!" (Alma Welt)
"O artista é um ansioso por expressar a sua conquistada visão do mundo, suas opiniões e certezas, também suas admirações e mal disfarçados cultos, às vezes irreprimíveis pequenas perversões. Tal conjunto, caótico ou ordenado, vai constituindo seu universo. Não conheço um único escritor que escreva sobre suas perplexidades, sobre suas perguntas sem resposta. Aliás ninguém leria um escritor assim. O leitor comum quer respostas, consolos, no máximo revoltas iguais à sua própria. Mas sobretudo, esse leitor tem fome de fortes sensações, quando não da perfeita beleza. Enfim, creio que o leitor, no fundo, é um desesperado: está à procura de alguém que o ensine a aceitar a vida e a morte... " (Alma Welt)
"Tenho muita pena de ver na televisão a tristeza inconsciente nos olhos dos artistas que não sabem que logo vão morrer. Todas as pessoas ostentam essa tristeza. Mas, a dos artistas... podemos vê-la em retrospecto, crescente, pungente, embora também não o soubessemos. Como é difícil deixar a vida!..." (Alma Welt)
"A angústia de existir ocorre nas pessoas muito inteligentes. Não ocorre nas pessoas ingênuas e puras. Talvez sejam estas que foram chamadas de "pobres de espírito" pelo Mestre. Algumas já estão no céu em vida, e são as que mais admiro. Mas não as invejo: já estou muito apegada à minha lucidez." (entrevista com Alma Welt)
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
"Há pessoas inteligentes que dizem que a Arte é bela e interessante justamente porque é inútil, não serve para nada. Não concordo. A Arte serve para tudo: para encantar, ensinar, educar, redimir, divertir, salvar vidas perdidas, deslumbrar, comover, evocar, fazer pensar, advertir, dar sentido à vida, dar esperança... Tudo. Tudo..." (entrevista com Alma Welt)
"Nos equivocamos ao atribuir a uma determinda situação política a estranha dificuldade da vida. Isso não quer dizer que não devemos nos engajar e lutar contra as injustiças e eventual incompetência dos poderes públicos. Estou dizendo que há dores e dores. Para a de viver somente a sabedoria ajuda, não a mera tomada de posição partidária..." (entrevista com Alma Welt)
"Quando uma quadrilha de bandidos toma o poder de um país, tudo vai se contaminando, todas instâncias, todos os nichos, todos os departamentos, até atingir o âmbito do civil e privado. Todos nos tornamos também corruptos em algum grau. É assim que uma civilização ou uma cultura entra em decadência e afinal se extingue. Pena que esse processo pode demorar muitas décadas e por isso perdemos a perspectiva, perdendo a esperança..." (Alma Welt
domingo, 9 de fevereiro de 2014
"A crueldade da Natureza, principalmente no que se refere à relação entre predadores carnívoros e suas presas, legitima no inconsciente coletivo da humanidade a crueldade entre as pessoas, embora não no nível racional e ético. Eis o motivo de não conseguirmos debelar as guerras e os crimes, embora os condenemos socialmente... " (Alma Welt)
"Não gosto de ver ninguém na cadeia porque tenho muita facilidade de me pôr na pele do outro. Sei, isso nada tem a haver com a Justiça, tão necessária. Estou falando de outra coisa: de sensibilidade pura, e muito pessoal. Não levem em consideração, não politizem esta minha revelação... " (entrevista com Alma Welt)
"Se eu tiver que reconhecer uma nota dominante em minha vida, devo apontar a nostalgia... Uma saudade imensa da perfeição sonhada, dos amores apaixonados, que não acabariam nunca. Da beleza da terra e das nuvens; dos crepúsculos e poentes de outrora, do casarão misterioso da infância. Mas tudo isso ainda não estaria ao meu alcance? (vocês podem perguntar). Mas, a nostalgia é fruto de algo que se quebrou, um véu que caiu dos olhos, uma música que cessou e ficou no ouvido fazendo a alma continuar a dançar no silêncio ora reinante. Um tempo sem remédio, perdido... apenas presente como uma ferida na alma..." (entrevista com Alma Welt)
"Quando os deuses andavam entre nós, freqüentemente se corrompiam. Alguns eram tentados pela beleza excepcional de certos jovens mortais, homens e mulheres. Os deuses só não eram mais humanos, porque o dinheiro nada significava para eles. A razão disso? Acredito que os deuses reconheciam mais facilmente do que nós a natureza demoníaca do dinheiro... " (Alma Welt)
"O artista não deve esperar apoio algum na vida, e precisa abrir o seu caminho contra tudo e contra todos. Como o Barão de Münchausen deve alçar-se sobre a arei...a movediça puxando-se pelos próprios cabelos, com cavalo e tudo. Se algum apoio vier será bem vindo e ele será grato. Mas não conte com isso ou se tornará um resmungão... " (entrevista com Alma Welt)Ver mais
Ser artista é uma profissão, sim, é fato. Mas quando o artista faz dela uma missão, um apostolado, sua arte transcende o mero profissionalismo. Mais ou menos como acontece com certos médicos e enfermeiros de dedicação suprema. Alguns artistas, nesse sentido atingiram uma espécie de santidade leiga. É quando a remuneração já não importa, a própria sobrevivência material já não estará em primeiro plano. O artista, a essa altura, pode morrer de fome, literalmente. Lutará, sim, pela sobrevivência, mas sem jamais abandonar a sua arte..." (entrevista com Alma Welt)
"Um artista autêntico não suporta críticas. Espera aplausos e elogios... ou nada. Um artista que apreciasse uma crítica adversa não seria um artista (nunca houve) mas um inseguro, alguém que estivesse perguntando: 'É bom isso que eu fiz?" Impensável tais palavras na boca de um verdadeiro artista. Como um cirurgião na mesa de operações, ele tem que ter absoluta confiança no "seu taco". Ou então não se estabeleça." (entrevista com Alma Welt)
"No verdadeiro artista a ambigüidade está sempre presente: é um sonhador ao mesmo tempo que um realista. É capaz de grandes vôos com os pés bem plantados na terra. Pragmático no reino das idéias e delirante no reino puro da alma. Um coração terno capaz de grandes crueldades intelectuais. Uma sensibilidade à flor da pele, inimiga das pieguices... Tal é o artista: fluido, não captável com uma só mão..." (Alma Welt)
"No verdadeiro artista a ambigüidade está sempre presente: é um sonhador ao mesmo tempo que um realista. É capaz de grandes vôos com os pés bem plantados na terra. Pragmático no reino das idéias e delirante no reino puro da alma. Um coração terno capaz de grandes crueldades intelectuais. Uma sensibilidade à flor da pele, inimiga das pieguices... Tal é o artista: fluido, não captável com uma só mão..." (Alma Welt)
"A vida de uma pessoa é uma atuação teatral, amadora ou profissional, canhestra ou brilhante. Alguns recebem palmas ao longo da vida, outros um silêncio constrangedor, quando não vaias. A cortina fecha a cena final. Alguns atores mais populares têm o camarim cheio de flores enquanto tiram a maquiagem. Tenha sido uma comédia ou uma tragédia, todos morremos no final da peça." (Alma Welt)
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
"Introduzindo-me amorosamente no universo dos clássicos da Literatura, da Pintura e da Música, o Vati (papai) me incentivou a pensar a vida e a própria natureza da Arte. A Mutti não via com bons olhos, não a minha índole sonhadora, mas a meditativa. Ela era cantora, e uma vez me disse: " Preferia, filha, que cantasses mais e pensasses menos..." Mas já era tarde: eu não seria como um pássaro que abre o bico para trinar lindamente, mas em compensação escreveria pensamentos e sonetos rimados e ritmados com a facilidade de uma ave canora... " (entrevista com Alma Welt)
"Quando acontece a um artista a consciência clara ou não de sua morte, por assim dizer, "anunciada", em geral esse artista diante da tragédia da revelação semiconsciente, se alça quase sempre à genialidade nas suas performances. Como exemplo cito os últimos tempos de Mozart, Chopin, Edith Piaf, Cazuza e Cassia Heller..." (Alma Welt)
"A obra de arte transcende o âmbito do psicológico no artista. É, portanto, um equívoco tentar ver na obra a personalidade e as circunstâncias existenciais do artista, a longo prazo ou no momento de sua criação. A personalidade, sim, confere um estilo ao artista, mas tão transfigurada que seria uma temeridade decifrar pelo resultado o artista, sem outros conhecimentos de sua biografia..." (Alma Welt)
"A realização interior que o artista logra desfrutar com a conclusão de uma obra bem sucedida é tão grande que justifica todo o sofrimento que acompanha a sua gênese. Sim, como um parto... como comumente se diz. Como uma recém-parida, o artista aconchega e lambe a sua cria. E ele logo a encaminhará para o mundo, por esse mesmo orgulho..." (Alma Welt)
"Grande parte da energia dos artistas é gasta num combate surdo e constante contra a angústia. Há quem diga, que pelo contrário, dessa luta é que se origina a própria obra de arte. O certo é que observando as obras, quaisquer que elas sejam, pictóricas, musicais ou literárias, quase sempre julgo ouvir e ver nelas os ecos ou os respingos dessa batalha..." (Alma Welt)
"És muito apegada ao Pampa, à tua estância, ao teu casarão, teu jardim e teu pomar, pois não? Me perguntam. Sim, sou, como coisas amadas, como cenário e mesmo matéria de minha poesia. Mas imagino que se vivesse num kitchnete na cidade grande, este seria para mim o universo, e viajaria o mundo à roda do meu quarto..." (entrevista com Alma Welt)
"Quando somos tomados pela Arte, já não nos importam, realmente, as coisas materiais afora os nossos sagrados instrumentos. Quero dizer instrumentos mesmo: para o violinista o violino, para o pintor suas tintas, seus pincéis e suas telas; para o bailarino o seu corpo, para o escritor o seu cérebro, sua mente e sua memória. Afora isso, os bens materiais vão ficando supérfluos embora possam revelar sua poesia vez por outra..." (Alma Welt)
Graças a Deus existem seres humanos inteligentes, por incrível que pareça. Eles são uma minoria em cada sociedade, mas influentes. Infelizmente têm que trabalhar na sombra ou serão mortos. A burrice, a maldade e a inveja conspiram constantemente contra eles. Não por serem simplesmente inteligentes, mas por terem o perigoso Amor dentro de si..." (Alma Welt)
"Nenhuma arte pode ser exercida superiormente sem o Amor. Mas repare, o Amor não é plataforma, um palco ou uma inspiração. O Amor é o componente fundamental de toda arte. Sem ele, nem sequer há o artista. Mas, vejam, não me refiro à paixão por alguém ou pela própria arte, mas a um amor universal, por tudo, tão grande que necessita expressar-se..." (Alma Welt)
"Uma vez me perguntaram por qual razão eu escrevi tantos sonetos do ciclo Dança Macabra, dentro de uma tradição gótica, e tão sinistros. Então, eu mesma me fazendo também essa pergunta, descobri que eles de algum modo me consolam com sua idéia de uma morte habitada mesmo que por espectros, e afinal uma vida post-mortem ainda que macabra e grotesca. Sim, porque não posso suportar a perspectiva desumana da aniquilação total do Ego, o pavoroso abismo do Nada..." (entrevista com Alma Welt)
"O amor pela poesia e pela música, ou pela artes em geral, é suficiente para dar sentido à vida e até à morte. Podemos viver mas também morrer por uma arte. A propósito, quando tenho medo, sempre me vem à memória as famosas últimas palavras do grande Corot no leito de morte: "Espero que no Céu haja pintura! " (entrevista com Alma Welt)
"O ser humano pode viver com muito pouco materialmente, mas não pode viver sem amor, que sem este, sim, se torna miserável. E há muita miséria neste mundo devido menos à carência e mais à má distribuição do amor. Por incrível que pareça há muitos acumuladores egoístas desse bem imaterial." (Alma Welt)
"A decadência, as mazelas e doenças da velhice nos preparam lenta e gradativamente para a morte. Por isso é sempre trágico morrer cedo, despreparado e com sêde de vida. Bem... estou falando coisas óbvias. Ainda não penetrei no sentido da vida e da morte. Sou uma perplexa, como a maioria..." (entrevista com Alma Welt)
"Sejamos dignos do claro mistério da vida. Não o confundamos com o nebuloso e o obscuro. Saudemos a névoa luminosa da manhã que recebe o sol com alegria e humildade. À tarde, ao seu final, teremos o melancólico e belo crepúsculo, e à noite as coruscantes estrelas. Estamos cercados pela beleza de Deus! Quê nos importa o obscurantismo do Mal?" (Alma Welt)
"Quanto aos estudos dos egiptólogos, estes são também tão tendenciosos e equivocados que insistem em atribuir a construção das pirâmides à teoria impossível do trabalho escravo de cortar pedras duras com talhadeiras de cobre mole, e arrastar blocos de 50 toneladas por 700 kilômetros pelo deserto, quando os egípicios, que não era burros assim, tinham inventado a fórmula da pedra artificial misturan...do lodo do fundo do Nilo com areia do deserto e o natrão (dos lagos de natrão, aqueles dos flamingos) As pedras eram moldadas com tábuas, bloco por bloco no local, erigindo as pirâmides totalmente moldadas, como uma espécie de cimento armado. Teoria provada pelo arqueólogo e químico Joseph Davidovits que encontrou até a fórmula das pedras das pirâmides numa inscrição hieroglífica e a fotografou e divulgou. Os arqueólogos de gabinete não levam em conta a teoria de Davidovits porque ela joga por terra 300 anos de egiptologia oficial..." (entrevista com Alma Welt)
"A influência, a sugestão e o proselitismo são comuns entre os seres humanos. Mas a verdadeira concordância é rara. Creio que isso é devido à natureza individualista do humano, que se sobrepõe à sua sociabilidade, para o bem e para o mal. O homem realmente é um lobo, como diziam os romanos, e tem como aquele animal o duplo impulso, contraditório, de solidão e de alcatéia." (Alma Welt)
"Creio que malgrado o esforço de historiadores dedicados, 90% do conteúdo da História Universal é mentiroso ou equivocado. A História necessita ser constantemente revista conforme a adaptação da humanidade ao conceito de verdade histórica, que implica o despojamento de nacionalismos exarcerbados e o abandono de preconceitos arraigados. Por exemplo, ainda não chegou à mente do homem comum, supostamente educado, o fato de que o Egito antigo foi uma maravilhosa civilização negra." (Alma Welt)
"Engana-se quem pensa que a angústia do artista provém de sua arte. Essa angústia provém do viver. Se derivasse de sua arte seria paralisadora e não dinâmica. O artista cria para exorcizar uma angústia que seria mortal. Como vivem, então, os que não criam? Boa pergunta. Creio que que vivem numa espécie de torpor social, a menos que se apaixonem e amem muito, que estas são uma forma de arte acessível a quase todos." (Alma Welt)
"Toda verdadeira obra de arte é vagamente anti-social, na medida em que o social é uma tendência normativa e igualizante no pior sentido. O artista que procura deliberadamente ser uma peça da sociedade trai, sem perceber, a própria essência da Arte. Toda grande Arte é solitária, anárquica, rebelde, heróica e até mesmo trágica. Mesmo quando lança mão do humor, este mesmo outra criação genial da humanidade..." (Alma Welt)
"O artista não deve esperar apoio algum na vida, e precisa abrir o seu caminho contra tudo e contra todos. Como o Barão de Münchausen deve alçar-se sobre a areia movediça puxando-se pelos próprios cabelos, com cavalo e tudo. Se algum apoio vier será bem vindo e ele será grato. Mas não conte com isso ou se tornará um resmungão... " (entrevista com Alma Welt)
" A beleza nas mulheres é freqüentemente uma armadilha para elas mesmas. Mulheres belas facilmente se convencem de que isso basta. E aí começa o reino da futilidade... Por isso as excessões são duplamente honrosas. A propósito, "aimer des femmes intelligentes" não é, ao contrário do que escreveu Rimbaud, "un affair de pédéraste", mas sim de homens igualmente inteligentes." (entrevista com Alma Welt)
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
"Quando passamos a discernir o timbre e o tom poético da existência, nas pessoas, nas coisas, na Natureza e até mesmo na sociedade humana, descobrimos um sentido não racionalizável, mas mais profundo em estar vivos. E um amor maior pela vida, a despeito do seu aparente nonsense, o absurdo vital que desafia a própria razão humana..." (Alma Welt)
"A capacidade de amar o belo, o profundo e o humano, nos salva da amargura, do derrotismo e da desilusão. Estes últimos, quando vencem, nos conduzem a uma morte prematura. Poderia resumir com: amar verdadeiramente qualquer coisa viva. Só o amor nos salva do nosso instinto de morte. Eros e Thanatos: os gregos já sabiam disso..." (Alma Welt)
"Ninguém é livre para escolher o Mal. Se o fizeres, mais cedo ou mais tarde terás que prestar contas e serás punido como uma criança rebelde, ainda que o seja somente pela tua consciência. Vejam que vidas miseráveis vivem os maus! Não me parece nada inteligente escolher a maldade e o crime. Há sempre uma ligeira debilidade mental em todo criminoso, reparem..." (Alma Welt)
"Ser artista é uma profissão, sim, é fato. Mas quando o artista faz dela uma missão, um apostolado, sua arte transcende o mero profissionalismo. Mais ou menos como acontece com certos médicos e enfermeiros de dedicação suprema. Alguns artistas, nesse sentido atingiram uma espécie de santidade leiga. É quando a remuneração já não importa, a própria sobrevivência material já não estará em primeiro plano. O artista, a essa altura, pode morrer de fome, literalmente. Lutará, sim, pela sobrevivência, mas sem jamais abandonar a sua arte..." (entrevista com Alma Welt)
"Um artista autêntico não suporta críticas. Espera aplausos e elogios... ou nada. Um artista que apreciasse uma crítica adversa não seria um artista (nunca houve) mas um inseguro, alguém que estivesse perguntando: 'É bom isso que eu fiz?" Impensável tais palavras na boca de um verdadeiro artista. Como um cirurgião na mesa de operações, ele tem que ter absoluta confiança no "seu taco". Ou então não se estabeleça." (entrevista com Alma Welt)
"No verdadeiro artista a ambigüidade está sempre presente: é um sonhador ao mesmo tempo que um realista. É capaz de grandes vôos com os pés bem plantados na terra. Pragmático no reino das idéias e delirante no reino puro da alma. Um coração terno capaz de grandes crueldades intelectuais. Uma sensibilidade à flor da pele, inimiga das pieguices... Tal é o artista: fluido, não captável com uma só mão..." (Alma Welt)
"A vida de uma pessoa é uma atuação teatral, amadora ou profissional, canhestra ou brilhante. Alguns recebem palmas ao longo da vida, outros um silêncio constrangedor, quando não vaias. A cortina fecha a cena final. Alguns atores mais populares têm o camarim cheio de flores enquanto tiram a maquiagem. Tenha sido uma comédia ou uma tragédia, todos morremos no final da peça." (Alma Welt)
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
"Engana-se quem pensa que o artista precisa estar triste para fazer obras sombrias, ou feliz para pintar obras alegres e luminosas. O artista freqüentemente as faz mesmo nos estados de espírito contrários. Aliás, não é bem assim... O estado de criação é um estado único, misto de prazer e concentração..." (Alma Welt)
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
"O bom artista conserva sempre em sua mente a perspectiva histórica. Se não souber como se pintava, se pensava ou se escrevia em cada um dos séculos passados, será um artista superficial e nem mesmo original. Se estou dizendo que é preciso ser culto? Sim, se não fores um primitivo genial, sim, é preciso ter cultura..." (Alma Welt)
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
"Nunca pensei em ser original. Sim, sou um tanto subserviente à grande tradição. Não sou uma poetisa de cultura mas "da cultura". Tenho consciência de que minha poesia é um tributo à literatura clássica. Entretanto bebo da água da fonte da vida, e por isso não sou letra morta.." (entrevista com Alma Welt)
"Somos harmoniosos quando a nossa mente está em sintonia com nossa máquina biológica, isto é, nosso corpo físico. Todo mundo sabe disso. Entretanto essa não é uma meta perseguida pela maioria devido à disciplina que ela exige. Por isso seria maravilhoso o ensino da Euritimia (criação do Dr Rudolf Steiner) às crianças desde tenra idade." (Alma Welt)
" Felicidade? Dei-me conta de que nunca procurei a felicidade, somente a arte e a beleza. Mas isso porque ela já estava em mim o quanto eu achava possível. Eu tinha consciência dos meus privilégios de nascença, tendo nascido de uma família como a minha e crescendo no cenário deslumbrante do Pampa, com os mais belos poentes do mundo. Mas devo confessar que minha própria beleza talvez seja a maior responsável por essa felicidade, pois eu tinha uma irmã que não a possuía, e eu via como ela sofria por isso..." (entrevista com Alma Welt)
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