Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
"Uma vida humana deve ser construída, e com esforço. Viver simplesmente sem planos, metas, sem vocação, nos animalisa no mau sentido. É sobretudo um grande desperdício. Por isso me parece o cúmulo da mediocridade almejar simplesmente um emprego. Aliás, isso, de simples emprego, me parece mais triste que a marginalidade deliberada." (Alma Welt)
"Estou bem ciente da miséria em que vivem bilhões de pessoas neste mundo. Entretanto o que mais me confrange é o Inferno de mesquinharias em que outros tantos milhões de famílias se debatem no dia a dia. O paroxismo das ninharias, da cobiça e do desespero pelo dinheiro em que tantos caem. O materialismo neurótico nos pobres, tal como nos ricos, me confrange... " (Alma Welt)
"Conquanto real e provável a morte para nós pertence ao mundo duvidoso da imaginação. Nada mais cruel do que uma morte anunciada, pois esta subverte o futuro, que deve permanecer desconhecido. O próprio Cristo se apavorou no Getsemani, e este foi talvez o seu momento mental mais doloroso..." (Alma Welt)
"Existe uma parcela assassina dentro da alma humana, maior ou menor, que é mantida abafada, latente ou adormecida na maioria. Naturalmente somos dotados de um mecanismo de controle, uma espécie de comporta que pode falhar, o que é imponderável ou imprevisível mesmo em pessoas aparentemente normais. Por isso não nos apressemos em atirar pedras, mas observemos com atenção se o nosso desejo de vingança não é, ele mesmo, também sanguinário..." (Alma Welt)
"Uma vida dedicada à arte é sempre bela. As dores e as frustrações fazem parte dessa beleza. O patético faz parte... A tragédia, então...exalta o artista até às nuvens. Conhecemos alguns artistas mártires de sua própria arte. Esses são os maiores e a humanidade lhes rende grandes homenagens. Não há cinismo ou hipocrisia nesses louvores póstumos. Como com os santos... "Queimamos uma santa!"- exclamou um prelado sobre as cinzas ainda quentes de Joana D'Arc. "Matamos um gênio!" - devemos dizer do pobre Vincent..." (Alma Welt)
"Na duvidosa política do Pão e Circo, inventada pelos imperadores romanos (Panis et Circences) e vigente até hoje com os nossos espúrios governos, o mais doloroso é que o Pão fica relegado ou excluído. Imensas verbas vão para os "Circences", isto é, o futebol e seus Coliseus. Creio que é porque o Panis desenvolve de algum modo a inteligência, enquanto o Circences a entorpece..." (Alma Welt)
"Quando compreendemos profundamente o sentido de nossas experiências pessoais de vida, elas se tornam universais. Podemos transmiti-las através de alguma forma de arte a começar pela narrativa. Se não fores capaz de expressá-las em arte e com arte, é melhor não fazê-lo: ainda não são universais..." (Alma Welt)
"Se lograrmos comprender subitamente alguma coisa em sua profundidade absoluta, entendemos numa fração de segundo e simultaneamente, todas as outras coisas do Universo. Creio que isso é o Zen. É um fenômeno tão rápido e evanecente, que sequer o atribuimos à consciência. Borges o chamou de "Aleph"..." (Alma Welt)
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