Retrato autorizado de Alma Welt

Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

"Uma vida humana deve ser construída, e com esforço. Viver simplesmente sem planos, metas, sem vocação, nos animalisa no mau sentido. É sobretudo um grande desperdício. Por isso me parece o cúmulo da mediocridade almejar simplesmente um emprego. Aliás, isso, de simples emprego, me parece mais triste que a marginalidade deliberada." (Alma Welt)
"A célebre estória do médico e o monstro de R. L. Stevenson, é nitidamente uma metáfora do alcoolismo. Aliás, toda e qualquer substância que altere a psique liberta a sombra, isto é, o monstro em nós. Em maior ou menor grau." (Alma Welt)
"O verdadeiro artista nunca pergunta a ninguém se o que ele fez é bom. Só é artista quem tem absoluta confiança no seu taco. Por essa razão é que artista e crítico são quase sempre incompatíveis. Mas como é bom quando um crítico severo nos elogia!" (Alma Welt)
"Vocês repararam? Uma injustiça que sofremos é tão mais dolorosa na medida que nos causa uma pequena e secreta baixa de auto-estima." (Alma Welt)
"Um dos mais legítimos prazeres que podemos fruir é termos apreciado sinceramente o trabalho de um amigo. Mas só pode fazê-lo quem se livrou da inveja." (Alma Welt)
"Ninguém se arrepende de perseguir a vida inteira um sonho de infância. Aliás, são os únicos que uma vez realizados não nos decepcionam." (Alma Welt)
"O esforço que fazemos para sermos bem-quistos poderia ser mais bem empregado em gostarmos das pessoas. O resultado é imediato..." (Alma Welt)
"Quem é o poeta? Acredito que o poeta é aquele com mais alto senso de realidade..." (Alma Welt)
"Olhem para Van Gogh. Não esqueçam Van Gogh. Ele cortou sua própria orelha. Ele morreu na cruz por nós..." (Alma Welt)
"Os filósofos parecem ignorar o fato de que os artistas já descobriram o sentido da vida que eles, filósofos, tanto procuram..." (Alma Welt)
"Estou bem ciente da miséria em que vivem bilhões de pessoas neste mundo. Entretanto o que mais me confrange é o Inferno de mesquinharias em que outros tantos milhões de famílias se debatem no dia a dia. O paroxismo das ninharias, da cobiça e do desespero pelo dinheiro em que tantos caem. O materialismo neurótico nos pobres, tal como nos ricos, me confrange... " (Alma Welt)
"Reconciliei-me com o dinheiro quando me dei conta de que não é o sol nem sequer o relógio biológico quem nos tira da cama todas as manhãs... " (Alma Welt)
"Conquanto real e provável a morte para nós pertence ao mundo duvidoso da imaginação. Nada mais cruel do que uma morte anunciada, pois esta subverte o futuro, que deve permanecer desconhecido. O próprio Cristo se apavorou no Getsemani, e este foi talvez o seu momento mental mais doloroso..." (Alma Welt)
"Existe uma parcela assassina dentro da alma humana, maior ou menor, que é mantida abafada, latente ou adormecida na maioria. Naturalmente somos dotados de um mecanismo de controle, uma espécie de comporta que pode falhar, o que é imponderável ou imprevisível mesmo em pessoas aparentemente normais. Por isso não nos apressemos em atirar pedras, mas observemos com atenção se o nosso desejo de vingança não é, ele mesmo, também sanguinário..." (Alma Welt)
"Uma vida dedicada à arte é sempre bela. As dores e as frustrações fazem parte dessa beleza. O patético faz parte... A tragédia, então...exalta o artista até às nuvens. Conhecemos alguns artistas mártires de sua própria arte. Esses são os maiores e a humanidade lhes rende grandes homenagens. Não há cinismo ou hipocrisia nesses louvores póstumos. Como com os santos... "Queimamos uma santa!"- exclamou um prelado sobre as cinzas ainda quentes de Joana D'Arc. "Matamos um gênio!" - devemos dizer do pobre Vincent..." (Alma Welt)
"Na duvidosa política do Pão e Circo, inventada pelos imperadores romanos (Panis et Circences) e vigente até hoje com os nossos espúrios governos, o mais doloroso é que o Pão fica relegado ou excluído. Imensas verbas vão para os "Circences", isto é, o futebol e seus Coliseus. Creio que é porque o Panis desenvolve de algum modo a inteligência, enquanto o Circences a entorpece..." (Alma Welt)
"Nossos mortos amados ficam em nós. Os odiados também. Livra-te de odiar..." (Alma Welt)
"Quando compreendemos profundamente o sentido de nossas experiências pessoais de vida, elas se tornam universais. Podemos transmiti-las através de alguma forma de arte a começar pela narrativa. Se não fores capaz de expressá-las em arte e com arte, é melhor não fazê-lo: ainda não são universais..." (Alma Welt)
"Se lograrmos comprender subitamente alguma coisa em sua profundidade absoluta, entendemos numa fração de segundo e simultaneamente, todas as outras coisas do Universo. Creio que isso é o Zen. É um fenômeno tão rápido e evanecente, que sequer o atribuimos à consciência. Borges o chamou de "Aleph"..." (Alma Welt)
"Se um amigo nos desrespeita, é porque na verdade não o é. Não pode haver amizade sem respeito e admiração..." (Alma Welt)
"Eu não quereria um amigo que não me admirasse, assim como admiro os os amigos que mais prezo..." (Alma Welt)
"É preciso uma certa generosidade para se ganhar um presente sem querer depressa retribuí-lo..." (Alma Welt)
"Quando afinal atingimos uma meta, à euforia da conquista se segue um secreto desapontamento. Numa fração de segundo percebemos nela um toque de futilidade. Precisamos logo substituí-la ou ficaremos ridículos alardeando-a." (Alma Welt)