Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
terça-feira, 16 de julho de 2013
"O que é a felicidade? Creio que é voltar por instantes ao estado "edênico", isto é: como nos sentíamos no Paraíso Terrestre, em absoluta comunhão com a Natureza, - Mas o que é isso, Alma? - me perguntam.- "Então acreditas nessa balela bíblica?" Eu (respondo) creio na força e realidade espiritual dos arquétipos. Eles são a primeira e a última explicação para tudo." (Alma Welt)
"O que é o artista? O que é o escritor, o poeta? Creio que é o ser que ao emitir seus pensamentos e impressões sobre o mundo e as pessoas, o faz num "modo universal", com que todos podem se identificar. Trata-se do "como" ele se expressa. Em última análise é uma questão de estilo, mais do que de assunto. É preciso que o artista se expresse com interesse, imaginação, capacidade de observação, beleza ou crueza, precisão, clareza ou mistério, profundidade, e sobretudo originalidade e estilo próprio. Portanto, escrever de modo legível e interessante para um grande número de pessoas é um dom como cantar bem, com bela voz ou roufenha, mas afinado..." (Alma Welt)
"Conheci um psicólogo que dizia: "Não se brinca com o inconsciente." Entendi que não se tratava do jeito que nós artistas o fazemos o tempo todo. Ele queria alertar para tomarmos cuidado com a violência, crueldade, ou "auto-armadilhas" que moram no nosso inconsciente e podem extravasar a qualquer momento..." (Alma Welt).
“O mundo e a vida, por seu mistério cambiante necessitam de constante reinterpretação. Os artistas, músicos, cantores, dramaturgos, atores, poetas, dançarinos, pintores, cineastas, humoristas, etc, se encarregam incansavelmente dessa tarefa infindável, como a de fixar um caleidoscópio...” (Alma Welt)
"Quando eu era adolescente, costumava ficar tão confusa por não saber bem quem eu era, que chegava a ficar calada por uma semana, no mínimo, esperando que minha identidade voltasse. Minha família pensava que eu estava triste ou deprimida. Mas nunca fui muito de tristeza, não. Sou é muito perplexa!..." (entrevista com Alma Welt)
quinta-feira, 11 de julho de 2013
"O bom escritor é um artista, e como tal não subestima o mundo em que vive. Quero dizer: não crê ser um farol cercado por um mundo de trevas. Sabe que cada pessoa é um mundo em si mesma, e o que menos lhes falta é inteligência e interesse, embora o traço comum seja a dor e a perplexidade diante do mistério da morte..." (Alma Welt)
"Que enorme autoridade moral e estética nos confere nosso leitor por uns minutos! Nesse tempo, ainda que exíguo, estamos com a palavra, e melhor: dentro de sua mente. Que diríamos então de um romance? Que imensa responsabilidade, se logramos capturar sua atenção por tanto tempo!..." (entrevista com Alma Welt)
terça-feira, 2 de julho de 2013
Sobre o patético da vida
"Vistas bem de perto, mesmo as mais grandiosas vidas são patéticas. Tal é a condição humana. O simples fato de todos vamos morrer nos nivela numa vala comum. O artista é aquele que nunca esquece disso, por isso privilegia o ato de criar, sobre o de viver..." (Alma Welt)
Sobre os fumantes
"Quando vejo um fumante, vejo um escravo. Mal posso prestar atenção no que ele diz, mesmo se é reconhecido como um pensador, intelectual, filósofo, etc..." (entrevista com Alma Welt)
Sobre o artista como devoto
"O artista é necessariamente um devoto, um homem de fé. Apenas sua devoção está voltada toda para a sua arte. Quando este fervor se torna tão grande, capaz de produzir um milagre, temos a obra..." (Alma Welt)
Sobre nossa imagem e semelhança de Deus
"Acredito piamente que o ser humano foi criado por Deus à sua imagem e semelhança. Basta ver como o homem é violento, brutal, insensível e sanguinário tal como Deus é..." (Alma Welt
Sobre o pensamento consistente
"Um pensamento consistente não significa um pensamento imutável, definitivo, sobre uma experiência de mundo. Tal coisa não existe. Somos fruto da dinâmica do tempo em nossa alma. A única coisa que eterniza qualquer visão é o talento. E isso mal se pode definir..." (Alma Welt)
Sobre o Vaticano e os Bancos
"Na juventude, saber que o Vaticano tinha um banco, só aumentou minha repulsa por essas duas instituições..." (Alma Welt)
Sobre o amor à vida
Meu amor à vida só tem par com o meu horror a ela. Ó deuses, porque me fizestes tão contrária a mim mesma? Acaso pensais que a Poesia me basta? Sim... ela me mantém viva em dor e alegria. Morrerei exausta da intensidade que me destes, pedindo mais, mais vida!" (Alma Welt)
Sobre a futilidade
"O amor? A tristeza? A alegria? O humor? Sempre. A futilidade? Jamais. A futilidade é idiota e não tem graça. A futilidade é o apanágio da mediocridade..." (Alma Welt)
As doze badaladas da meia-noite
“Nada mais sinistro do que as doze badaladas da meia-noite no antigo relógio de pêndulo da sala do velho casarão de nossa estância. Guria, eu ficava acordada aguardando-as na esperança de rever meus fantasmas prediletos: Bento Gonçalves, Netto, Anita e o italiano... E eles me apareciam às vezes, acreditem ou não. Mas também surgiam alguns intrusos que presumo saíam da minha própria sombra. Se esse era um preço difícil de pagar, tudo isso me dava a medida da misteriosa alma humana, que seria a matéria viva da minha poesia...” (entrevista com Alma Welt)
Náufragos de nós mesmos
"Náufragos na ilha de nós mesmos, como Robinson Crusoe cada um de nós tem que refazer a caminhada da Humanidade em sua penosa evolução, lentamente rumo à Luz e à Libertação, sempre recomeçada a cada nascimento. Esse é o destino humano... que não deixa de ser grandioso em sua dor mas também na sua alegria... " (Alma Welt)
Sobre a força da palavra
"A palavra tem a força potencial, adormecida, de uma estrela. Apenas não é instantânea, mas lenta, insidiosa, sub-reptícia. Para o bem ou para o mal. Por isso se disse que “no princípio era o Verbo e esse se fez Luz...” O homem ainda não aprendeu a usá-la na plenitude do seu poder. O melhor uso que se faz dela ainda é a poesia, o canto, e a literatura verdadeiras. Como um belo brinquedo dos deuses nas mãos de crianças...” (Alma Welt
Sobre a nossa travessia do deserto
"Todos nós temos na vida um momento de travessia do deserto e de encontro com o Cujo e sua tentação... Isto aconteceu com o lado humano de Cristo e não o divino..." (Alma Welt)
Sobre a Bíblia
"A Biblia sempre foi para mim um livro sagrado de grande literatura humana, cheia das estórias sórdidas e também sublimes, de caráter universal, assim como o Grande Sertão: Veredas, do Guimarâes Rosa, O Idiota, Crime e Castigo e Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski; O Vermelho e o Negro, de Sthendal, Cem anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marques, por exemplo. Nem mais nem menos..." (Alma Welt)
Sobre os escritores jovens
"Atualmente existem muitos escritores jovens que para serem atuais ou "contemporâneos" chafurdam na lama das ninharias. Não quero estar entre eles. Elitista, torre de marfim... podem me acusar. Mas se eu não acreditasse na transcendência do ser humano, em sua beleza e destino superior, eu preferiria me calar..." (entrevista com Alma Welt)
Sobre as Utopias
Não confundas o otimismo fácil com as Utopias. Estas nascem no coração nobre dos grandes pessimistas..." (Alma Welt)
Sobre os sonhos mortos
"Não abandones completamente teus sonhos mortos. É melhor carregares o cadáver de um sonho do que te tornares estéril. Não foi Cristo que disse: "Se o grão não morrer, ficará infecundo"...? Os sonhos perdidos, caidos no solo árido da realidade, podem renascer se os livrares das ervas daninhas..." (Alma Welt)
Sobre a sinceridade
"A sinceridade é uma virtude quando não fere sensibilidades inocentes. Elas existem? Sim, Cristo disse, talvez com outras palavras: "Não escandalizes as crianças." Mas se dourarmos a pilula não estaremos forjando os fúteis e alienados de amanhã? Eu digo: Deixai as crianças brincarem, rirem e cantarem enquanto podem. Mais tarde, quando cheguem os dias de desencanto, elas poderão se refugiar na memória das horas luminosas..." (Alma Welt)
Sobre lobos e pastores
Lobos, pastores e governos têm algo em comum: gostam muito de carneiros..." (Alma Welt)
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