Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
quarta-feira, 12 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
"Existem pessoas que mesmo sendo consideradas muito inteligentes não conseguem ver a diferença entre uma mentira ou farsa e um heterônimo literário brilhante. Mas eu ouso afirmar que tais pessoas, de modo geral, não conseguem identificar uma obra de arte desconhecida quando diante de uma de qualquer gênero..." (Alma Welt)
"Uma senhora, desiludida com sua rotina de trabalhos domésticos, desabafou comigo quando a visitei: " A vida é só isso, minha filha: sujar e limpar, sujar e limpar..." Então, a título de consolo, retruquei: "A senhora está certa... a essência, o sentido mesmo da vida, está na transição entre a sujeira e a limpeza." Mas creio que boa senhora, a julgar pelo seu olhar, não me compreendeu e até mesmo me considerou um tanto pedante... " (Alma Welt)
“Existe uma resistência à poesia e à arte nas famílias burguesas, que vem de longe. Mas pensando bem, justifica-se essa prevenção, pois o artista é o ser mais subversivo que existe já que quando ele se instala no ser humano todos os valores convencionais e toda submissão ao Sistema cessam de maneira irreversível. Tal ser, daí por diante ficará à margem da sociedade, visto como uma espécie branda d...e terrorista das idéias e da alma. É claro que o verdadeiro burguês negará possuir tal preconceito, já que aprecia se divertir e freqüentar o teatro e o cinema. Entretanto sua sede de rir com essas coisas o caracteriza, pois pela gargalhada se mantém descomprometido do sentido profundo da vida...” (Alma Welt)
"A consciência de morte é intermitente e irrompe em pequenos surtos de súbita angústia que duram uma fraçao de segundo. Se essa consciência fosse duradoura quedaríamos paralizados, talvez caíssemos fulminados. Tudo leva a crer que nossa mente possui um mecanismo de defesa contra a consciência plena, atributo potencial de uma área do cérebro que entretanto vive entorpecida, numa névoa de sonho..." (Alma Welt)
"Voltaire satirizou os otimistas no seu Candide enquanto Molière para satirizar um pessimista criou um misantropo (Alceste) de uma franqueza desconcertante mas do qual não ficamos inclinados a rir, mas sim a admirar. Creio que é porque o pessimismo é, a longo prazo, mais lúcido e crítico do que o otimismo. E ficamos aliviados quando os seus prognósticos mais sombrios não se concretizam..." (Alma Welt)
"A angústia não é uma característica exclusivamente humana. Observamo-la também nos animais, e não me refiro somente ao lobo uivando para a lua, imagem clássica. A todos nos foi dada a consciência da morte como a verdadeira punição, já que na estranha expulsão permaneceríamos no Paraíso..." (Alma Welt)
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