Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
"A grande vantagem de você ser um artista e pensador meio desconhecido e nada popular é que você pode falar tudo, para poucos, naturalmente, sem ninguém se incomodar ou pelo menos sem ser atacado e achincalhado. Mas desde que você evite os terrenos pantanosos da política e da religião, claro. Bem, o anonimato é o ideal dos sábios..." (Alma Welt)
"O Catolicismo é uma religião visivelmente politeísta, com os seus inúmeros deuses: Deus Pai, Jesus, Maria, o espírito Santo, as centenas de santos e santas... principalmente no que diz respeito à idolatria múltipla dos seus fiéis. Não sei como Igreja Católica não reconhece ou não percebe isso..." (Alma Welt)
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
"Quando te tornas um verdadeiro escritor estás assumindo um compromisso, não com a moral e os bons costumes, menos ainda com posturas edificantes, mas com a contundente verdade, mesmo quando ornada pela beleza da palavra. Para isso é preciso coragem. Além de talento, é claro..." (entrevista com Alma Welt)
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
"Se olharmos com acuidade o nosso passado descobriremos o elo podre na cadeia de eventos que desencadeou o nosso fracasso. Naturalmente é impossível consertá-lo. Então para que serve olhar para o passado? Se formos justos, serve para nos livrarmos do ressentimento. Se formos tolos... para desenvolver um câncer." (Alma Welt).
"Existe um estereótipo de vida moldado pela televisão. A maioria da população o segue sem refletir, acreditando que aquele conjunto de modismos comportamentais é, digamos assim, o "modelo oficial" de pensamento, conduta e gostos. Entretanto a chave da vida continua por ali, disfarçada, nos breves momentos de verdadeira arte que aparecem, eventualmente, à revelia dos patrocinadores..." (entrevista com Alma Welt)
"Uma vez, num tempo negro de minha vida, subi ao sótão do casarão com um laço de couro cru de vaqueiro e pensei em mim pendurada na viga do telhado. Mas como tenho uma imaginação realista, me vi grotesca, de língua de fora, o pescoço torto e os olhos esbugalhados. Minha vaidade foi maior, joguei o laço num canto. Ao descer a escadinha em caracol, escapou-me um longo suspiro e.... logo uma gargalhada. Eu estava salva!" (entrevista com Alma Welt)
"Dei-me conta pela primeira vez, ainda guria, do ridículo de nos darmos muita importância, quando um conhecido de meu pai, nos visitando, em conversa à mesa declarou: "Não gosto de Beethoven." Meu pai imediatamente retrucou: "Meu amigo, não gostares de Beethoven não fica mal para ele. Só fica mal para ti." (Alma Welt)
"Se não houvesse um intrínseco prazer na vida, a humanidade já teria se extinguido. Então podemos dizer que somos movidos pelo prazer. Freud chamou isso de libido, pulsão sexual. Mas creio que não é necessariamente a mesma coisa. Prazer, alegria gratuita, supera a tristeza, move o mundo!" ( Alma Welt)
"Sempre me impressionou como as mães recém-paridas olham encantadas o rosto congestionado do seu bebê e sorriem enquanto a criaturinha se esgoela afogada em ar poluído ou não, um novo elemento tão estranho ao ambiente líquido onde vivia em conforto e segurança. Nunca achei que elas fossem cruéis, mas sim muito alienadas e inconseqüentes..." (Alma Welt)
"Nascemos chorando em grande susto e sofrimento, em geral cercados de risos, alegria e a total indiferença a esse aspecto traumático do nosso surgimento. Esse egoísmo e alienação dos adultos em relação à verdadeira natureza do nosso nascimento caracterizam toda a raça humana e estão na raíz da nossa crueldade, nossas guerras e nosso individualismo disfarçado em falsa sociabilidade..." (Alma Welt)
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