Este espaço é reservado aos pensamentos enunciados pela grande poetisa gaúcha Alma Welt (1972-2007) de maneira direta, em prosa, conquanto seu pensamento profundo e de cunho filosófico permeie toda a sua obra artística.
Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001
quinta-feira, 28 de abril de 2011
"Acredito que, estranhamente, cada ser humano tem que repetir em si toda a história da civilização. Eu, por exemplo, já vivi toda a antiguidade, passei pela Idade Média, vivo o romantismo e mal ingressei no Contemporâneo. Meu temperamento me identificou com a primeira metade do século XIX, e isso acabou por me dotar de uma espécie de originalidade retrô. Mas um certo humor me absolve..." (entrevista com Alma Welt)
"Quase todas as grandes descobertas e invenções do homem tinham como escopo tornar a vida mais fácil. Conseguimos até prolongá-la, mas afinal sem sucesso na maior intenção, pois nossa insatisfação aumentou. Houve um momento de grande demanda de filosofias apaziguadoras. Agora o homem deposita suas esperanças na Comunicação e vivemos a Era do Celular e da Internet. O anjo que selou os lábios do homem sob a àrvore da Razão, sorri e cabeceia, irônico..." (Alma Welt)
quarta-feira, 27 de abril de 2011
"De todas as civilizações a mais inconformada com a morte foi certamente a egípicia. Chega a ser constrangedor ver o esforço daqueles homens e mulheres para conservar o corpo e os bens materiais desta vida, tendo como resultado aquelas múmias aterrorizadas. Um legado de tesouros maravilhosos entre abantesmas patéticos..." (entrevista com Alma Welt)
"Na verdade é impossível conhecermos o outro. Todas as tentativas são generalizações, portanto sumárias e superficiais. O ser humano é um abismo, daí tantas aberrações e horrores. As guerras e a violência são a prova maior dessa separatividade humana. Entretanto há um elemento agregador poderoso no Amor, que comprova a sua natureza gravitacional no vazio do universo." (Alma Welt)
"Tudo é sonho: nossa sobrevivência depende de nossa auto-estima, e esta se baseia na suposição de que temos importância pessoal no universo. Não temos. Cada ser humano é sempre auto-referente, delirante, megalomaníaco pela base, autista brando. Nosso planeta é mesmo a "nau dos insensatos". Mas, se aceitamos a tese da nossa loucura, pelo menos atingimos a mais genial criação humana: o humor." ( Alma Welt)
"O parentesco que a Literatura tem com a Pintura é que também ela é uma arte visual. Quando é boa, a literatura desperta imagens e sonhos muito visuais , assim como a pintura desperta pensamentos, abstrações e até conceitos. Bem... todas as artes se interpenetram e se confundem. Todas são apenas meios ou ferramentos para um mesmo fim: sublimar o homem e a natureza, exaltá-los, reapresentá-los a Deus..." (Alma Welt)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
"A procura da felicidade é o propósito mais inocente do homem, visto que a maioria persegue primordialmente a segurança, o conforto, o poder e o dinheiro, não necessariamente nessa ordem. Há também os que perseguem a fama, e esses são os mais iludidos. É o caso dos artistas, ingênuas criaturas que almejam não a felicidade, mas a eternidade... (Alma Welt)
"O momento mais marcante de minha vida foi quando consegui escrever o primeiro poema que me satisfez, que conseguia expressar não exatamente o que eu sentia mas como eu queria dizê-lo. Naquele momento eu descobri que a Arte é o "como" e não o "que". Que Poesia era experiência e não sentimentos , e muito menos "sentimentalismo". (entrevista com Alma Welt)
quinta-feira, 14 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
"Não podemos deixar de ser homens e mulheres no mundo. Então, malgrado um desgosto ocasional pelas misérias de nossa condição, tratemos de aprofundarmo-nos para elevar a nossa estirpe diante das inclemências do tempo e da matéria. Eis o orgulho humano que o Criador respeita e condescende..." (Alma Welt)
segunda-feira, 11 de abril de 2011
"Creio que quando fazemos um achado que nos pareça importante, íntimo que seja, devemos compartilhá-lo com alguém próximo, como o explorador e o inventor reparte como mundo as bençãos de suas descobertas e invenções. Posso bem imaginar um alquimista, que tendo descoberto a ambicionada "Pedra Filosofal", transformando chumbo em ouro morre na miséria, avaro de seu segredo... de seu tesouro secreto... (Alma Welt)
"Considero que contei minha vida até agora através de obras de arte, que são meus textos e sonetos. Sei que isso é um privilégio que o Criador me concedeu, pois vivi duplamente e ainda tenho a chance de uma posteridade, para não dizer... imortalidade. Que mais poderia desejar?" (entrevista com Alma Welt)
"Já que a morte parece consistir na perda permanente da consciência, nosso temor dela reflete um apego à condição que produziu nosso exílio na Terra, nosso conflito com a Natureza. Trata-se de uma espécie do que hoje em dia chamamos de "Sindrome de Stokolmo", isto é, uma dependência da nossa tortura e do nosso torturador..." (Alma Welt)
"Viver é tão difícil, que o ser humano ainda não descobriu uma receita totalmente satisfatória. As melhores, teoricamente, continuam sendo as de Cristo e Buda, ainda não seguidas pela humanidade, pois exigem amor universal e ainda estamos no máximo no estágio dos quatro amores: familiar, conjugal, erótico, e egoista." (Alma Welt)
"Uma coisa que me irrita, é a insistência dos europeus e americanos do norte em representarem os antigos egípcios como brancos ou no máximo morenos, até no cinema, quando é evidente de que se trata de uma grande civilisação negra. Basta ver a magnífica máscara de Tutankamon para se constatar isso." (entrevista com Alma Welt)
"Para um escritor criar um personagem duradouro é preciso que este seja uma obra de arte, para que tenha vida própria e sobreviva para além do livro. Só a verdadeira arte é capaz de criar vida, e nisto consiste o termômetro da verdadeira criação. Para sermos artistas antes de mais nada sejamos, de algum modo, uma obra de arte de Deus..." (Alma Welt)
"A cada um de nós cabe um roteiro na vida, a que chamamos Destino. Mas o critério do Diretor nem sempre é muito claro, quando alguns parecem não se encaixar no seu personagem. Essa é a raiz das tragédias, mas também de algumas tragi-comédias. Quanto às comédias... bem, essas quase sempre são escolhidas por seus privilegiados atores." (Alma Welt)
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