Retrato autorizado de Alma Welt

Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

‎"É estranho que a instituição do casamento, com o seu absurdo contrato comercial ainda subsista depois da queda do tabu da virgindade. Não há mais o que se vender. Na verdade o casamento está lentamente em vias de extinção. Ainda bem, pois ele é um resquício da milenar escravidão feminina, que naturalmente atinge também o homem. Toda escravidão é uma corrente com dois lados iguais... (Alma Welt)
"Nem a morte é solução para o grande mistério da vida. Só faz aumentá-lo. É curioso como o homem com sua mente especulativa convive com um mistério insolúvel como este. Na verdade, criando religiões e deuses, sempre com feição humana. O velho barbado ainda prevalece..." (Alma Welt)
"Apesar da vulgaridade encontrada em alto índice entre as prostitutas, não me parece justa a discriminação que sofrem na nossa sociedade que se propõe como democrática e igualitária. Aliás, a vulgaridade não é exclusividade delas. E elas merecem a plena cidadania, que lhes é negada pela hipocrisia e pelo preconceito social. Sempre foram importantes trabalhadoras da descompressão..."
(Alma Welt)
‎"Não consigo imaginar a vida sem poesia. Com isso quero dizer: sem que houvesse a revelação poética da realidade, sua verdadeira expressão. Sei que a maioria das pessoas vivem assim, sem contato com essa face esclarecedora da vida. Mas elas pensam que a vida é uma coisa que ela não é. Vivem no raso, sendo que a vida é maravilhosamente bela, forte e profunda... como a arte a traduz." (Alma Welt)
‎"Depois que o homem atingiu o estágio "homo sapiens", não evoluiu mais, e isto é a nossa tragédia. Técnicas e tecnologia nada tem a ver com evolução espiritual. Um grego clássico, um indiano do Bagavad Gita ou um artista da Renascença estavam mais evoluidos do que nós. Involuimos. Toda experiência de evolução é individual, eventual e intransferível. Mas seu legado é inspiração ou emulação." (Alma Welt)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

‎"A vida tem uma estranha dualidade. Esse é o seu mistério. Tudo nela tem duas faces. Ela é uma coisa e seu contrário. Ela é extremamente frágil e poderosamente resistente, a julgar pelos sofrimentos físicos e mentais que as pessoas suportam e freqüentemente superam. A Vida... é mágica, e seu ilusionismo é verdadeiro." (Alma Welt)
"Ser fiel é uma virtude, mas exigir fidelidade, é, a meu ver, uma presunção ou uma prepotência. Quem somos nós para exigirmos qualquer coisa de outro ser humano?" (Alma Welt)
A infelicidade é uma doença. As pessoas infelizes perdem gradativamente a capacidade de fazer o bem ou simplesmente de agir positivamente no mundo. Existe um estado intermediário mais produtivo: o dos que lutam para alcançar a felicidade. Mas na outra ponta estão os de maior produtividade. São os que lutam pela felicidade do outro.” (Alma Welt)
‎"Não existe uma única adversidade que recaia sobre nós que não tenha uma parcela, pequena que seja, de nossa própria responsabilidade. No mínimo imprudência, inadvertência, ou mesmo ignorância. Se reconhecermos isso, pelo menos não nos sentiremos injustiçados e escaparemos do arremate destrutivo da auto-piedade..." (Alma Welt)
"Homem ou mulher que, intimamente em seu coração, atribua a outro autoridade, merece ser subalterno... Que digo? Merece ser escravo!" (Alma Welt)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Considero vergonhoso para a humanidade que já no alvorecer do século XXI ainda necessite governos e delegue autoridade a seres humanos. Já era tempo de os homens terem atingido o perfeito anarquismo, isto é, a ausência de governo, e a autonomia e responsabilidade de cada um pelo bem comum. Utopia? Só acredito na utopia. O que está por aí me dá nojo..." (entrevista com Alma Welt)
‎"O de dentro e o de fora nunca se coadunaram perfeitamente em mim. Apesar das minha certezas interiores sempre me senti no mundo como se andasse tateando no interior de uma densa neblina. Mas não posso me queixar: o mistério da vida me foi sempre instigante e inspirador..." ( entrevista com Alma Welt)
"Tudo na vida é incerto. Se sabemos que "quem ama o feio bonito lhe parece", nunca poderemos ter certeza de que nossos filhos são realmente bonitos..." (Alma Welt)
‎"Diante da observação da brutalidade da morte, da decrepitude e da doença, começo a suspeitar de que isso tudo se deva mesmo a uma maldição ou punição divina. É a unica coisa que daria sentido a essas desgraças. Percebo que é um passo para aceitar a história toda tal como está naquele livro, o Gênesis. Só me parece desproporcional a punição por nossos antepassados terem comido uma miserável maçã... (Alma Welt)
Além de haver a morte, que por si só é revoltante e repulsiva, e a prova disso é o terror que os animais também revelam diante dela, ainda precisamos envelhecer enfeiar e adoecer, sofrer dores e humilhação. Ninguém me convencerá de que a coisa não foi mal feita..." (Alma Welt)
‎"Conquanto possa ser acusada de morbidez, estou convencida de que não é possível profundidade de pensamento e inspiração se não mantivermos continuamente uma perspectiva de morte. Em outras palavras: não há profundidade na vida sem que pensemos na morte o tempo todo, ou ao menos como um ruído de fundo de um cenário cósmico onde brilhamos, efêmeros diante do Infinito, como as estrelas..." (Alma Welt)
"A um jovem aspirante a poeta eu diria: não te aproximes demasiado de outros seres humanos para não desenvolveres desprezo, com o qual nenhuma poesia sobrevive. Mas em compensação observa-os atentamente à distância segura. Escolhe alguns para amar e estes de darão uma amostra representativa do conjunto. Mas não te acotoveles. Ser poeta é ser deliberadamente um peregrino solitário... " (Alma Welt)