Retrato autorizado de Alma Welt

Retrato autorizado de Alma Welt
Retrato autorizado de Alma Welt- desenho de Guilherme de Faria, 2001

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Sobre a imortalidade (de Alma Welt)

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O Criador supremo deu-nos a vida e a morte, mas também o poder de imortalizar-nos. Qualquer ser pode deixar seu pensamento, sua alma, para sempre gravada na letra. Flagrei-me um dia, numa praia a seguir o rastro de um siri na areia, e portanto a pensar nele. É verdade, o rastro logo foi lavado pelas ondas... Mas uma pobre alma pode deixar seu precário pensamento escrito numa folha perdida e ainda assim despertar considerações sobre si e sua imagem nesta vida. Encontrei no lixo uma folha de papel com o esboço de carta de uma empregada doméstica à sua família e o universo de uma mulher simples e seus sonhos se reconstituiram imediatamente, embora fragmentariamente, inteiros em essência em minha mente e aí permanecerão para sempre em algum nicho da memória. Aliás, só permanecemos na mente ou na alma dos outros, essa é a imortalidade que nos coube...
Alma Welt)

A ironia do poder (Alma Welt)

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"A grande ironia da política partidária é que a classe operária quando atinge o poder se vinga na classe média, mas passa a bajular os ricos, no mínimo por imitar-lhes os vícios: a corrupção, a acumulação, o desprezo..."
Alma Welt

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Santa Ignorância!

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Consta que a origem dessa exclamação remonta a um episódio da morte na fogueira de um famoso dissidente do catolicismo no século XVI, o suiço Jan Huss, que condenado pela Inquisição e já amarrado no poste do suplício, viu aproximar-se uma velhinha curvada, com enorme esforço carregando nas costas um grande feixe de lenha para vir juntá-lo à pilha sobre a qual ele estava. Huss teria então exclamado filosoficamente: "Sancta Simplicitas!", o que, em latim, quer dizer "Santa Ignorância!"
A frase, de extraordinário alcance como reflexão, nos faz ponderar sobre o conceito de ignorância popular, cujo teor de ingenuidade contém um elemento mortífero e à vezes sanguinário em seu cerne. Quantas vezes a ignorância popular se torna juiz e carrasco ao mesmo tempo, baseada sem dúvida na chamada "melhor das intenções". O juiz Lynch, nos estados Unidos do século XIX, aproveitou-se dessa precipitação julgadora, na verdade vingativa, para tentar legitimar a ação coletiva que viria a levar seu nome para sempre: "linchamento". Assim também o "bem intencionado" médico francês do século XVIII, doutor Guilhotin, imortalizou seu nome no instrumento de suplício, que segundo ele iria poupar sofrimentos aos condenados, pela sua intantaneidade.
Diz um outro batidíssimo dito popular que "de boas intenções o inferno anda cheio"(que minha mãe usava bastante a meu respeito...) e realmente podemos ver como a ignorância exerce seu poder mortífero em todas circunstâncias, na paz e na guerra. A ignorância deve ser combatida pois, mas com benevolência e magnanimidade para não imitar a sua violência latente. O sábio compassivo exclama sem ódio: Santa Simplicidade! Santa Ignorância! Santa Ingenuidade! (Alma Welt)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

As pessoas que vivem só para si mesmas

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As pessoas que vivem só para si mesmas são como sementes estéreis: plantadas entre as outras acabam revelando seu vazio. É portanto um equívoco considerar os artistas pessoas egoístas, sementes que somos geradoras de exuberantes frutos para o deleite do outro.
(Alma Welt)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sobre o fracasso das políticas sociais e econômicas

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A meu ver, o fracasso (em todas as épocas) das políticas sociais e econômicas em eliminar as desigualdades e injustiças, crimes e misérias do mundo, reside simplesmente no fato de que a humanidade não constitui um corpo homogêneo em seu grau de evolução, e os espíritos estão mais atrasados ou mais adiantados individualmente, produzindo inúmeros segmentos de níveis diversos de evolução espiritual. A sociedade é como uma imensa e complexa teia de fluxos paralelos, muito desiguais, mas simultâneos. Não é possível um tecido homogêneo, portanto nem sequer um entendimento comum das regras e das leis. Tratar-se-ia então de um verdadeiro Caos? Suspeito que sim. Diante do mundo ou da sociedade cada um dá o que tem, conforme o seu grau de evolução. Se me perguntam: “Então não há esperança de uma evolução da sociedade como um todo? Pelo quê então batalhamos, nós, os bem-intencionados?” Eu diria:
Aos benévolos só resta a benevolência. É o que cumpre fazer, não importa se o resultado do seu trabalho, ou do seu simples gesto, seja como uma gota no oceano. Repito: cada um dá o que tem.

(ALMA WELT)
04/08/2006

Sobre a abolição do dinheiro no futuro (por Alma Welt)

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Depois da revolução industrial, e mais recentemente, da “revolução digital” ou das comunicações, pode-se prever uma decorrência desta última, como uma perspectiva otimista:
Sendo o dinheiro também (como melhor de suas hipóteses) uma forma de comunicação, podemos imaginar uma revolução que o abolirá por obsolescência. Isto deverá acontecer dentro de um máximo de 100 anos. Começará então uma nova Era de Ouro da humanidade. ( Alma Welt )
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Depois da minha previsão sobre a futura abolição do dinheiro, recebi alguns e-mails questionando-me no que me baseio para fazer tal “profecia”, e como ela se daria no caso de eu estar certa. Estou consciente de que elas, sendo de muito longo prazo, são também inconferíveis. Bem, mesmo assim, meu sistema de previsões se baseia, como é de praxe, na futurologia científica, isto é, em projeções a partir de conquistas tecnológicas já existentes. No caso, por exemplo, o chamado “dinheiro de plástico”. Os cartões de crédito atuais ainda se baseiam na necessidade de fundos, isto é, um lastro monetário que os validem (lembrem-se que o chamado "lastro ouro" das moedas já foi abolido faz tempo, e o dollar há muito é emitido, melhor dizendo "fabricado", independente das defazadas reservas de ouro de Fort Knox). No futuro, todas as pessoas já nascerão com um crédito tácito, inato, já que o ônus social do desemprego e da miséria será insuportável e incompatível com o avanço social da sociedade . As pessoas, cadastradas ao nascer, terão direito a um cartão eletrônico que lhes garantirá retiradas de quotas mínimas de bens e serviços: cestas básicas de alimentação, educação, saúde, lazer, esportes, etc, independente de emprego, que será opcional e altamente qualificado. A educação gratuita, mas obrigatória, garantida por esse meio, será atrativa o suficiente para evitar a ociosidade vazia, de caráter pernicioso. Os governos da Nova Sociedade Evoluída se encarregará da subsistência de todos os cidadãos, e o que me faz acreditar nisso é justamente a projeção no futuro do atual e rudimentar sistema de “bolsa família” que já se faz necessário, imprescindível e disputado como invenção e iniciativa por diferentes partidos, independentemente de suas implicações eleitoreiras.

07/08/2006

Relexão sobre a arte da política (de Alma Welt)

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A política é, em última instância, a arte de atingir o poder e de exercê-lo. Esse poder, em princípio, deveria ser o de melhor servir ao interesse coletivo, ao bem comum; mas, atingido, ele logo mostra a sua verdadeira face: ele se corrompe na mão do homem, como sutil ironia de Deus, o grande "mestre-gato"* que não ensina o seu pulo. (Alma Welt)

07/11/2006

Nota da editora:

Alma evoca aqui, sutilmente, a conhecida fábula de LaFontaine, "O pulo do gato".

A Física do dinheiro (de Alma Welt)

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A invenção do dinheiro criou necessidades no homem que não estavam na origem e essência de sua relação com o mundo, isto é com a natureza. Essa é, a meu ver, a razão fundamental da impotência do dinheiro em eliminar a miséria no mundo. Diz uma lei de física (de Lavoisier) que na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Assim, toda a matéria do Universo é uma mesma e constante, apenas se desloca. O dinheiro sendo matéria não poderia fugir a essa lei. Toda vez que ele é acumulado, cria uma zona vazia, de carência nalgum lugar, como um vácuo em torno do epicentro do acúmulo. (Alma Welt )

A natureza subjetiva do mundo

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O mundo é um processo subjetivo. A objetividade é apenas um código comum. A natureza subjetiva do mundo é corroborada teoricamente pela física quântica de Niels Bohr, diante da qual Einstein perguntou ironicamente : "A lua está sempre no céu?" Não! responderíamos, só lá está para os que a observam nas noites. Em princípio todas as pessoas nasceriam aptas a formar o seu próprio universo, sem o qual a vida acaba se tornando insuportável. A tragédia é haver tantas pessoas que instalam sua alma no vazio entre os átomos de um universo de que sequer suspeitam. Trata-se do homem medíocre, o homem vazio, aquele que adota um modelo do mundo simplificado pela moda, ou mesmo pelos costumes, sem jamais questioná-los. (Alma Welt)

10/05/2007